Carlos Lima
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Agronegócio
Carlos Lima | Publicado em 06/09/2019 às 10:24:47

H&M suspende compras de couro brasileiro

H&M suspende compras de couro brasileiro File photo of an H&M store in India Foto: Divulgação/H&M
Loja da H&M em Barcelona, na Espanha — Foto: Divulgação/H&M

Loja da H&M em Barcelona, na Espanha — Foto: Divulgação/H&M

O grupo sueco H&M, segundo maior varejista de moda do mundo, disse que deixará de comprar couro brasileiro temporariamente, como respostas às queimadas na Amazônia, segundo comunicado feito pela empresa ao G1 nesta quinta-feira (5).

“Devido aos graves incêndios na parte brasileira da floresta amazônica e às conexões com a produção de gado, decidimos proibir temporariamente o couro do Brasil” disse a H&M.

“A proibição permanecerá ativa até que existam sistemas de garantia críveis para verificar se o couro não contribui para danos ambientais na Amazônia”, continuou.

Na semana passada, a VF, empresa dona de marcas como Timberland e Vans, já havia anunciado que também não usaria mais couro brasileiro na sua produção. Porém, a marca não confirmou se a decisão teria relação com as queimadas na Amazônia.

A empresa disse também que a grande maioria do couro do grupo é originária da Europa e apenas uma parte muito pequena vem do Brasil. Além da marca H&M, o grupo ainda detém outras oito franquias de moda.

H&M apoia certificação que produtores brasileiros seguem

A H&M é membro do Leather Working Group (LWG), uma certificação criada em 2005, no Reino Unido, que reúne 450 empresas de 42 países. Entre elas estão Nike, Adidas, Ikea, Michael Kors e a VF, dona da Timberland.

O LWG fiscaliza questões como o controle da emissão de gases das fábricas, se a empresa pode garantir a origem dos animais comprados para a produção de couro (rastreabilidade) e como é feito o descarte de produtos químicos utilizados na fábrica, entre outros critérios.

O Leather Working Group é claro em seu regulamento que, para obter a certificação, as propriedades localizadas no bioma Amazônia não podem estar ligadas ao desmatamento.

De 110 curtumes que exportam, segundo o Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), 65 fazem parte do LWG.

De onde vem o couro?

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os principais estados fornecedores do couro cru, que é a primeira etapa de fabricação do produto, são Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rondônia e Pará.

Mapa mostra as principais regiões fornecedoras de couro cru do país — Foto: Rodrigo Sanches/G1

Mapa mostra as principais regiões fornecedoras de couro cru do país — Foto: Rodrigo Sanches/G1

Três deles estão localizados no bioma Amazônia: Rondônia, Pará e o norte de Mato Grosso. Esses estados também estão na liderança do ranking de queimadas do Instituto nacional de Pesquisas Espaciais no mês de agosto.

Na visão dos produtores de couro, como uma parte grande desta produção está localizada na região amazônica, os importadores temem que o produto que estão comprando venha de uma área desmatada.

US$ 1,44 bilhão em exportações

O Brasil é o terceiro maior exportador de couro industrializado no mundo, atrás de China e Itália.

De toda a produção nacional, 80% vai para o exterior. Os principais clientes são justamente China e Itália, seguidos pelos Estados Unidos. No ano passado, as exportações do setor movimentaram US$ 1,44 bilhão.

Vendas de couro do Brasil — Foto: Rikardy Tooge/G1

Vendas de couro do Brasil — Foto: Rikardy Tooge/G1

Principais destinos do couro brasileiro — Foto: Rikardy Tooge/G1

Principais destinos do couro brasileiro — Foto: Rikardy Tooge/G1

G1

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