Carlos Lima
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Agronegócio
Carlos Lima | Publicado em 20/08/2019 às 09:08:54

Maior feira de bioenergia do país reúne soluções em ‘carbono zero’ e da indústria 4.0

Maior feira de bioenergia do país reúne soluções em ‘carbono zero’ e da indústria 4.0 Fenasucro & Agrocana — Foto: FENASUCRO/AGROCANA – Divulgação

Representantes de empresas, entidades e pesquisadores de 44 países estarão reunidos a partir desta terça-feira (20) em Sertãozinho (SP) na 27ª edição da Fenasucro & Agrocana.

Considerada uma das maiores do mundo em bioenergia, com foco em tecnologias sustentáveis, a feira espera movimentar R$ 4,4 bilhões em negócios e deve contar com a presença do ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles na cerimônia de abertura, às 13h.

Entre os mil expositores e as 117 palestras programadas até sexta-feira (23) em um dos maiores polos industriais e agrícolas da cana-de-açúcar no país, estarão em destaque soluções da indústria 4.0, baseadas em internet das coisas, Big Data e inteligência artificial, além de inovações em geração de energia sem emissão de carbono.

Segundo recente estudo da Sociedade Americana de Meteorologia, a emissão de gases do efeito estufa bateu recorde em 2018 e se mostrou 43% mais agressiva para o aquecimento global do que em 1990.

O ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, é esperado na abertura da Fenasucro 2019 — Foto: Bruno Rocha/Fotoarena/Estadão Conteúdo

O ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, é esperado na abertura da Fenasucro 2019 — Foto: Bruno Rocha/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Como uma alternativa dentro desse contexto, a geração “carbono zero” é a pauta de iniciativas como o projeto Sucre – Sugarcane Renewable Electricity ou Eletricidade Renovável da Cana-de-Açúcar – que será apresentado na quarta-feira (21) durante a nona edição do Seminário de Bioeletricidade da feira.

Financiadas pelo Fundo Global para o Meio Ambiente em parceria com o Programa das Nações Unidas Para o Desenvolvimento (PNUD), as pesquisas do Laboratório Nacional de Biorrenováveis (LNBR), em Campinas (SP), buscam otimizar o uso da palha da cana na geração elétrica para reduzir o impacto na atmosfera.

“É isso que temos que fazer: além do açúcar, da produção de energia através da biomassa e do etanol, é fazer com que essa indústria de bioenergia ganhe atenção mundial nesse cenário que nós estamos vendo, de calotas polares descongelando, com a emissão de CO2 nos países da Europa. Esse setor entra como catalisador, um grande filtro mundial para que esse CO2 seja captado e transformado”, afirma Paulo Montabone, gerente da Fenasucro.

Renovabio e investimentos

Um dos maiores focos da feira, a produção de energia limpa a partir da biomassa do bagaço e da palha da cana, além de restos de madeira, carvão vegetal, entre outras matérias, representa 9% da matriz energética brasileira, atrás das usinas hidrelétricas, termoelétricas e eólicas, segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Única).

Ainda assim, somente em 2018 essa geração evitou a emissão de 6,4 milhões de CO2 na atmosfera.

A previsão de início do Programa Nacional dos Biocombustíveis (Renovabio) para 2020, com a liberação para que empresas emitam títulos de renda fixa para o financiamento de projetos sustentáveis, contribui para um crescimento esperado de 60% na produção de bioeletricidade até 2030.

Etanol brasileiro é feito majoritariamente a partir da cana de açúcar — Foto: BBC

Etanol brasileiro é feito majoritariamente a partir da cana de açúcar — Foto: BBC

Até 2028, o Ministério de Minas e Energia estabeleceu, com o uso de biocombustíveis, reduzir a emissão de carbono em 10%, o que equivale a 600 milhões de toneladas a menos na atmosfera e a R$ 23 bilhões em certificados de Crédito de Descarbonização (CBIO).

A importância estratégica de novos investimentos nas indústrias, como na produção de etanol, já amplia em 10% em relação a 2018 a expectativa de volume financeiro da Fenasucro.

“O setor sucroenergético, com a aprovação do Renovabio que entra em vigor em 1º de janeiro, tem que injetar no mercado R$ 30 bilhões em dez anos. Esse valor vai ser catalisado pelas indústrias fornecedoras de equipamentos, produtos e serviços para melhor eficiência das usinas que temos hoje na parte de cogeração de energia de etanol, proporcionando um retrofit [processo de modernização]”, diz Montabone.

As mais de mil empresas da feira, incluindo representantes de 100% das usinas brasileiras, apresentarão a um público esperado de 40 mil visitantes em torno de 3 mil produtos voltados para indústrias de biocombustíveis, transporte, logística, papel e celulose, alimentos e bebidas.

Sistemas para controle biológico de pragas agrícolas, uma plataforma para busca e instalação de energia solar, drones no monitoramento da lavoura e gestão de dados de colheita estão entre as soluções oferecidas por startups no estande do Sebrae-SP.

G1

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