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Emiliano José


Publicado em: 19/12/2012 - 21:12:21 Comentário

Mirtes e o instinto da loba



Eu estava em São Paulo, nas proximidades da Batalha da Maria Antonia, como ficou conhecido o embate que envolveu estudantes do Mackenzie, vinculados ao Comando de Caça aos Comunistas (CCC) e os da Faculdade de Filosofia da USP.

Aqueles constituindo-se como um grupo paramilitar, os da USP sem armas, e reagindo com paus e pedras.

Um secundarista, José Guimarães, foi assassinado à bala pelos mackenzistas. Uma outra jovem secundarista, 16 anos, teve as duas pernas queimadas com ácido sulfúrico.

Eram pernas lindas, as de Mirtes. Viera do Ceará, para a reunião da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e se envolveu naquela batalha, 3 de outubro de 1968.

Mirtes, hoje avó de José Lucas, Carlos Eduardo e Clarice, vive em Fortaleza. Sobreviveu. Repete com Leon Bloy que “sofrer passa, ter sofrido não passa nunca”.

Quem viveu experiências-limite como a dela, quem experimentou clandestinidade, quem ainda prosseguiu na luta, tem a pele curtida, é verdade.

Mas, também, marcas que não desaparecem, por mais que se tente, por mais que se construa um estado de espírito que permita tocar a vida.

Estive com ela, recentemente, aqui na Bahia. Uma emoção muito grande revê-la. Eu a conheci no Congresso da UBES, em Guaratinguetá, naquele outubro. Fui eleito um dos vice-presidentes da entidade. Fora a última vez que a vira, há, portanto, 44 anos.

Cazuza: o tempo não para. Só agora, superando conflitos íntimos, e compreendendo que a humanidade caminha através da experiência do passado, é que resolveu procurar os direitos dela na Comissão Nacional de Anistia. Tem todas as razões para tanto.

Aqui, veio em busca do tempo perdido, em amplo sentido. Em 1973, clandestina, militante da Ação Popular (AP), organização revolucionária de combate à ditadura, procurava sobreviver como jornalista na Tribuna da Bahia.

Só se lembrava de dois nomes, Paulo Roberto Sampaio e Paulo Tavares, os dois, meus contemporâneos de Tribuna quando saí da prisão em 1974. Paulo Sampaio, com quem conseguiu conversar por telefone, não se lembrava dela, passado tanto tempo. Com Paulo Tavares não esteve. Desistiu de fazer contar esse tempo no pedido à Comissão Nacional da Anistia.

Em outubro, 1973, outro outubro sombrio na vida dela, recebe na Tribuna, um bilhete de Gildo Macedo Lacerda, dirigente da AP: saia daí com a roupa do corpo, nossos companheiros estão sendo presos. Saiu.

Depois soube: Gildo; a  mulher dele, Mariluce; Oldack de Miranda e muitos outros militantes foram presos. Gildo foi levado para Pernambuco e lá, morto. Oldack foi levado para o mesmo Estado, só para ser torturado.

Mariluce estava grávida de Tessa, que nunca conhecerá o pai. Um militante tinha se passado para o outro lado, Gilberto Prata, e entregou todos.

Naquele outubro, os dirigentes da AP em todo o País foram metodicamente assassinados na tortura. Recebi essa notícia preso, na Lemos de Brito, onde estava desde 1970.

Essas dores ela carrega. Nunca as deixarão, mesmo que saiba viver no meio delas. Dores mais fortes que o ácido que consumiu suas pernas, que a deixou três meses no Hospital Samaritano, em São Paulo, submetida a não sabe quantas cirurgias.

Nunca deixará de ser grata a três mulheres especiais – mães à Gorki – que souberam praticar solidariedade, que souberam amá-la profundamente: Therezinha Zerbini, Jovina Pessoa e Ada.

De Ada, que pode ser Oliveira, mãe de Pedro Oliveira, que começou a vida política de esquerda comigo, me lembro muito, era amigo, e tinha por ela uma admiração muito grande.

Therezinha, como se sabe, foi uma das heroínas da resistência, e Jovina, também conhecida, no meu caso, de longe.

Dou a palavra a Mirtes, palavras escolhidas a esmo de seu conto ou novela ou confissões denominado “Estrovenga”:

“Aviso: sigo minha própria sombra, nado em fumaças. Vasta chuva no molhado e a inspiração de brumas. Alucinação ou fumaça, meu intervalo de culpas prega-se em fios. Débil grito principio, entretanto venho aos uivos, quase instinto de loba. A tosse do século passado remonta-se. Barulheira sob túmulos. Página virada, volto à estrada caminho de luzes. Um dia nosso pouso será todo paz.”.



Publicado em: 05/12/2012 - 09:12:55 Comentário

Genoino: a sensação noturna da condenação injusta



Sentei-me à sua frente, na casa simples, e ao ouvi-lo pude sentir serenidade, firmeza, disposição de seguir em frente.

Características conhecidas nele, porém difíceis de serem mantidas no cenário tão adverso em que vive neste momento.

Fumar, bem, não para de fumar. Seria quase impossível pensar em parar no meio da tempestade. Sem droga, qualquer que seja, é muito duro aguentar as dores da existência.

E o cigarro o acompanha há muito tempo, parceiro no meio dos vendavais, inclusive os que enfrentou na aspereza e beleza das selvas amazônicas. Estive na casa dele no dia 24 de novembro deste ano de 2012. Queria abraçá-lo, ouvi-lo, dizer-me amigo e solidário.

Claro que ele sabe que a batalha de hoje é muito distinta das tantas outras que enfrentou.

Travara as outras como defensor das causas mais justas do povo brasileiro: seja aquela, a das selvas, seja a da tortura, seja as que desenvolvera para chegar à democracia depois do longo período de cárcere, seja as do Parlamento, onde sempre se mexeu como peixe n´água, onde se destacou como um dos melhores deputados do País, seja a da construção do partido que vem mudando o Brasil para muito melhor, o PT.

Nunca deixou de ter lado: ontem e hoje o lado dos oprimidos, dos deserdados da sorte. A batalha hoje é outra: muito mais dura. Não me passou desapercebido o grosso volume de Vida e Destino, que ele acabou de ler com atenção – Publicações Dom Quixote, 2011. O autor é Vassili Grosman.

Defrontei-me com o livro no quartinho dos fundos onde está sua biblioteca, penso que uns 3, 4 mil livros, fotos, reportagens, recordações de uma vida de lutas. Ao folheá-lo, deparei-me com uma frase grifada, sei lá que página, que certamente o impressionou.

A mim, as palavras recobertas cuidadosamente de amarelo do lápis que acompanhava sua leitura, me emocionaram muito, talvez porque eu pudesse captar, sentir o impacto que tiveram sobre ele:

Como é possível descrever esta sensação noturna, de ser inocente e estar condenado?

Quem esteja acompanhando com atenção os fatos, quem tenha o domínio dos fatos, para reinterpretar odiosa formulação recente, sabe-o inocente, sabe-o incapaz de qualquer ato de corrupção, sabe de sua integridade.

E a vida dele fala por ele, e suas posses falam por ele, e seu comportamento de vida inteira fala por ele. Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo – ele poderia repetir isso com Drummond, buscando inspiração em sua existência  que foi sempre de poesia e sangue, olhando nos olhos de seus filhos, de sua mulher, e de toda a sociedade brasileira.

Poucos, no entanto, o ouviriam – a mídia hegemônica, de posições políticas conhecidas, o condenou ao inferno, depois de, durante muito tempo, tê-lo como uma fonte essencial, pelo que ele tinha a oferecer, e hoje ele sabe o quanto se enganou com essa mídia, o quanto a desconhecia, ou o quanto ela mudou para pior.

Muitos ainda se enganam com os holofotes, se iludem, imaginam-se fortes quando dos 15 minutos de fama, são seduzidos pela luz midiática, sem se perguntar sobre a real natureza desses meios de comunicação, que não cessam de lutar contra o projeto político em andamento no Brasil desde que Lula venceu as eleições em 2002.

Quase um exilado em seu país. Quase confinado em sua modesta casa do Butantã, em São Paulo, onde o visitei.

Contando com a solidariedade da família, de seus amigos, reafirmando a lealdade ao seu partido e aos seus companheiros, segue refletindo sobre o quanto são difíceis às condições da luta democrática no Brasil, o quanto é necessário de persistência para prosseguir com a revolução democrática em andamento no Brasil, as impressionantes resistências contra ela oferecidas pelas sólidas casamatas do que poderíamos chamar de Estado ampliado – a mídia, de modo especial, mas não só ela.

Como é possível admitir um julgamento como o último, que dispensou provas, que recorreu, em alguns casos, apenas “à literatura jurídica”, que pretendeu explicitamente condenar o projeto político em andamento usando para isso da condenação marcada pelo subjetivismo?

Na mídia hegemônica, não há quem ouça isso. Foi um tribunal antecipatório, na sua sanha antipetista.

Certamente, são reflexões que ele tem feito nesses anos, desde que desceu aos infernos. Tão forte o sofrimento, desde 2005, que ele chega a admitir ter experimentado “pensamentos extremos”, como revela no livro O sonho e o poder, fruto de depoimento dado a Denise Paraná, de 2006.

Porque a sensação noturna de ser inocente e estar condenado não é de agora, vem desde lá, quando o financiamento de campanhas com o caixa dois, resultado de uma legislação e uma estrutura política superadas, o jogou nesse vendaval sem fim.

Não quis perguntar tudo o que me vinha à mente, nem cabia. Em mim, cresceu o sentimento de solidariedade e companheirismo ao conviver com ele um pouco de tempo, nas presenças de Rioko, sua mulher, e Miruna, sua filha.

E cresceu a certeza de sua inocência. Besteira essa coisa de que decisões judiciárias não se discutem. Como diria a presidenta Dilma a respeito desse julgamento, não há ninguém acima das paixões humanas, quanto mais se açuladas por uma mídia determinada, partidarizada, disposta a condenar.

Creio que, diante desse massacre midiático, desse julgamento tão inovador, onde não importavam as provas, e no caso dele, isso é escandaloso, uma pergunta se insinuava: onde, ao menos, aqueles direitos elementares nascidos no Iluminismo?

Onde o direito ao menos de falar? Como opor-se a essa impressionante intolerância presente na mídia e no próprio Judiciário? Como recorrer se nesse julgamento, à diferença de procedimentos anteriores do próprio STF, a única instância foi a última?

 A sociedade da intolerância midiática, a sociedade da espetacularização partidarizada, cortou-lhe a voz, condenou-o ao quase anonimato, salvo para ser guilhotinado pela última instância, última e única, sacrossanta.

À mente, assomam-lhe lembranças da leitura de J´Accuse, lembra-se do capitão Dreyfus, e tem consciência de que alguns poucos jornalistas tentaram fazer o papel de Zola sem que, no entanto, suas palavras fossem ouvidas porque a última instância não pode aceitar que errou.

A carta de sua filha Miruna, que tive a alegria de abraçar em minha visita, talvez seja o momento mais emocionante de sua defesa, sem que, naturalmente, a mídia hegemônica tenha lhe dado destaque, até porque não lhe interessa.

Sobretudo pela sua impressionante reprimenda à velha mídia, que certamente fez cara de paisagem diante das perguntas dela:

Você teria coragem de assumir como profissão a manipulação das informações e a especulação? Se sentiria feliz, praticamente em êxtase, em poder noticiar a tragédia de um político honrado?

Acharia uma excelente idéia congregar 200 pessoas na porta de uma casa familiar em nome de causar um pânico na televisão? Teria coragem de mandar um fotógrafo às portas de um hospital no dia de um político realizar um procedimento cardíaco?

Dedicaria suas energias a colocar-se em dia de eleição a falar, com a boca colada na orelha de uma pessoa, sobre o medo a uma prisão que essa mesma pessoa já vivenciou nos piores anos do Brasil?

Pois, Miruna concluirá, os meios de comunicação do país tiveram coragem de fazer tudo isso e muito mais.

É do seu DNA, é de sua prática corriqueira, salvo para Serra, FHC e seus partidos preferidos. Afinal, há algum escândalo quando da revelação da privataria tucana no livro de Amauri Júnior, condenado por tais meios ao ostracismo, apesar de fenômeno de vendagem?

Miruna conclui dizendo que o pai lutará sempre para demonstrar sua inocência, da qual estamos convictos.

Genoino sabe que o alvo é ele, mas mais do que ele e os demais companheiros do PT condenados, tudo isso se dirige, como alguns ministros do STF o disseram sem qualquer temor de romper as regras republicanas do Estado de Direito, ao projeto político em andamento no País, e de modo especial ao ex-presidente Lula, que a mídia insiste em demonizar.

Se nada é acaso, vamos lembrar que Genoino vem do Encantado, distrito de Quixeramobim, no Ceará.

É como um homem encantado, que já enfrentou de tudo na vida, que ele seguirá sua vida, ao lado de seus filhos, de sua mulher, que cruzou com ele desde a guerrilha do Araguaia. E ao lado de seus companheiros, de seu partido.

 Seguirá de cabeça erguida, certo de que essa condenação é absolutamente injusta, mesmo que formalmente venha a prevalecer, como parece. Tenha certeza, companheiro, que não estará só no esforço para provar sua inocência, para além dos variados tribunais.



Publicado em: 03/12/2012 - 12:12:00 Comentário

A força da política



A luta pela superação das desigualdades no Brasil não é algo que possa ser realizado num curto espaço de tempo. São séculos de marginalização, de esmagamento dos direitos do nosso povo, e de afirmação de uma ideologia que justifica os privilégios em nome sabe-se lá do quê.

Melhor, sabe-se sim, porque os que detêm privilégios sempre acreditaram, e acreditam, que isso é uma espécie direito natural, e por isso é possível ler, aqui e acolá, inclusive em páginas de jornal, o lamento ou a revolta diante da ascensão dos pobres no Brasil, a invadir espaços antes restritos às elites, que ousadia.

É uma ideologia branca, nascida dos tempos da escravidão. É a ideologia da casa-grande. Os pobres, os negros, os miseráveis deveriam saber que o lugar deles é na senzala, lá nos barracos da cidade. Não podem e não devem ocupar espaços reservados aos brancos.

O Brasil, no entanto, nessa década, está mudando, e os senhores e senhoras da casa-grande e seus ideólogos, mostram-se incomodados, são acometidos de urticária, vêem-se à beira de um ataque de nervos com essa invasão imprópria dos pobres.

É neguinho querendo comprar, e comprando, viajar de avião, andar nos shoppings, alguns até ousando fazer turismo no exterior.

Disse e reafirmo: é dura a luta para chegar a um País menos desigual, que ofereça oportunidades, possibilidades para todos, que garanta renda às maiorias despossuídas, que ofereça condições dignas de vida aos brasileiros e brasileiras.

Mas, sem dúvida, estamos caminhando, e celeremente, para o enfrentamento do problema graças, sobretudo, à política.

A eleição de Lula em 2002 marcou uma virada, significou uma atenção especial do governo em relação aos mais pobres, sobretudo e especialmente no sentido de que o desenvolvimento, na nova ótica instalada, só pode ser compreendido assim se representar melhoria nas condições de vida da população. Esta compreensão é parte dos dois mandatos de Lula e do governo atual, de Dilma.

Nesse caso, para que não nos acusem de nos basear apenas nos dados do governo, e não haveria nada demais se fossem utilizados, recorro a partes do relatório da consultoria Boston Consulting Group, divulgado na semana que passou.

O estudo compara meia centena de indicadores econômicos e sociais de 150 países, coletados junto ao Banco Mundial, FMI, ONU e OCDE.

E dele salta uma conclusão que deve assustar ainda mais os nossos casa-grandenses: o Brasil foi a nação que melhor utilizou o crescimento econômico dos últimos cinco anos para elevar o padrão de vida e o bem-estar do seu povo. Insisto: é isso mesmo.

E o faço para combater o que Nelson Rodrigues denominava “complexo de vira-latas”, que caracterizaria nossa permanente subestimação de nossa capacidade como nação, neste caso a capacidade da política de mudar o País. 

O PIB brasileiro cresceu a um ritmo médio anual de 5,1% entre 2006 e 2011, o que não é pouco, mas poderia significar nada para os mais pobres, como em tantas outras situações de nossa história.

Pela força das políticas da última década, os ganhos sociais obtidos no período, segundo o relatório, se equiparam a um país que tivesse crescido a coisa de 13% ao ano. Dito de outra forma, para efeito de redução da pobreza é como se o Brasil tivesse crescido bem mais do que a China nos últimos cinco anos.

As melhorias na qualidade de vida da população, de acordo com a consultoria, decorrem especialmente da prioridade dada à distribuição de renda no período, prioridade governamental, evidentemente.

É o milagre da política, tão atacada, tão vilipendiada, e tão capaz de produzir mudanças como as que estamos assistindo nesta última década.

Ressalto novamente, apesar da aparente obviedade, que a luta para superar as desigualdades é longa. Acentuo, no entanto, que esta última década significou um extraordinário passo adiante, ao mudar para melhor a vida de mais de 70 milhões de pessoas.

Seguramente é isso que tem incomodado tanto parte de nossa elite, que não se conforma com a ousadia de tantos pobres ascendendo à condição de cidadãos. Tudo isso ocorreu graças à política, aos governos que o povo brasileiro escolheu desde 2002. 



Publicado em: 22/11/2012 - 16:11:36 Comentário

De demônios e política



O escritor Antonio Risério sabe que o discurso é traiçoeiro. Sempre deixa o autor totalmente exposto, nu. Este, o incauto autor, é prisioneiro de suas palavras, que o revelam para além de seus desejos conscientes. Insisto: Risério não considera projetos políticos, ao menos no caso brasileiro, onde vive.

Quando diz que se estivesse em São Paulo, e o demônio que ele elegeu como preferido - Pelegrino - fosse candidato, tranquilamente votaria em Serra.

Com isso, esclarece que não se importa com programas, ideias, propostas. Não importa que Serra seja contra os homossexuais, contra os direitos das mulheres, que seja um político do medievo trevoso, intérprete da direita brasileira, felizmente derrotado.

A Risério, não importa projeto político. Mais vale o seu olhar sobre cada personalidade, quem sabe o gosto individual, do que projetos políticos, e na formulação sobre Serra novamente deixou-se trair, tanto quanto o fizera no primeiro texto de ataque ao demônio que o aflige.

Reafirmo, sem elevar o tom como o fez Risério no último artigo, que, ao refutá-lo o fiz com base em seu pensamento. Sempre recebo bem indicações bibliográficas, quanto mais vindas de Risério, que sei um sujeito lido.

As feitas no último artigo, no entanto, são dispensáveis, porque sobejamente conhecidas. Conheço André Singer e seu pensamento - ainda na semana que passou estávamos reunidos em São Paulo, no Conselho Curador da Fundação Perseu Abramo.

Quanto a Adam Przeworski e seu "Capitalismo e Democracia", não há nele qualquer desmentido da essencialidade dos projetos políticos. Em nenhum momento, aí sim, leu-se uma palavra minha que dissesse que os indivíduos não tem qualquer papel na história.

Em tempos pregressos, Risério leu Plekhanov, leu Marx, e compreendeu que o homem faz a história, mas a faz em determinadas circunstâncias objetivas, como aliás o diz Maria Hermínia Tavares de Almeida, no prefácio ao livro de Przeworski.

Freud e Sartre, com suas notáveis contribuições, concentraram seus esforços na análise dos indivíduos, disso poucos não tem conhecimento.

Ninguém é capaz de negar que os partidos, não apenas hoje, sofrem transformações contínuas, e o PT não é diferente.

O que está em causa é o fato de o partido ser liderança de um projeto político, na última década, que mudou e está mudando o Brasil, a vida dos pobres especialmente, nunca desconhecendo que o faz ao lado de outros partidos de esquerda e de centro.

As três eleições de Lula e Dilma não são expressões apenas das inegáveis capacidades dos dois, mas, sobretudo, e especialmente, do projeto político que encarnam, que o PT soube elaborar, cultivar, defender, e seguir em frente, como o faz hoje.

A população brasileira, malgrado nossos erros, continua a dar apoio ao nosso partido, e as recentes eleições municipais são uma prova disso.

Quando elegemos um demônio, e o abrigamos na alma, ele tolda a nossa mente. Passamos a atacá-lo cegamente e nos tornamos escravos dele.

Não conheço Susi Aissa. Não quero avaliá-la. No caso citado, ela errou clamorosamente, pois, sem me alongar porque a história de Pelegrino é riquíssima quanto às contribuições que deu ao povo da Bahia, lembro que é o parlamentar com maior número de emendas orçamentárias executadas e em execução em Salvador e que em 2011 foi eleito, pela terceira vez em quatro mandatos, um dos cem parlamentares mais influentes do Congresso Nacional pelo DIAP.

 Insisto com Paulinho da Viola, de cuja obra musical sou profundo admirador, sem querer contrariar Risério que entende muito mais de música do que eu.

 Tá legal, eu aceito o argumento, mas não me altere o samba tanto assim. Quando um demônio nos toma, ou quando o construímos, é melhor tomar muito cuidado para que, ao exagerar tanto, não fiquemos refém dele.

E é sempre aconselhável procurar as razões mais de fundo pelas quais o atacamos com tanta insistência. Isso é Freud, como Risério sabe.

Ou pode ser Jung, também, até mais próximo dos demônios do que Freud, ambos, no entanto, íntimos da alma humana, tão imperscrutável. Salvo melhor juízo, ponto final. O leitor já compreendeu nossas diferenças.



Publicado em: 17/11/2012 - 14:11:40 Comentário

Pensando em política



A política reduzida a indivíduos. O fim de projetos políticos. A separação estanque do passado com o presente. A desqualificação gratuita e sem fundamento de um político que pautou sua vida em defesa da população baiana, especialmente dos mais pobres, e que acaba de ser votado por quase a metade da população de Salvador, embora tenha perdido as eleições. Este o resumo do artigo de Risério, em que aborda eleições.

Risério adora a polêmica, e muitas vezes os que pensam diferente dele deixam suas opiniões passar batido, como costuma dizer o povo.

 Nesse caso, não acredito seja positivo silenciar. Recorro a Paulinho da Viola: “Tá legal, eu aceito o argumento, mas não me altere o samba tanto assim”...

Será que dá mesmo para misturar Freixo, ACM Neto e Fernando Haddad como se fossem a mesma coisa? Como se não houvesse diferenças entre eles? Será possível pensar que votar nesses três significa coerência?

Por menos que pretenda Risério, são projetos distintos. Projetos diversos de País, de concepção da política, e num caso ao menos, o de ACM Neto, de concepções distintas de mundo.

Este último, por obviedade, é um homem de direita, tem concepções de direita, seu partido, hoje e ontem, é de direita. Como misturar um político que encarna esse projeto com dois que são de esquerda, embora diferentes entre si, e com visões diferentes de Brasil?

Quem tenha acompanhado pouco que seja a atuação de ACM Neto na Câmara Federal, há de louvar sua coerência de político conservador, nitidamente neoliberal, e nisso nunca vacilou.

Como sustentar que o PT não tem projeto? Chega a ser irresponsabilidade, pobreza teórica, ausência de conhecimento, incapacidade de acompanhar a história recente do País, afirmar uma coisa dessas. Não me altere o samba tanto assim.

Risério não sabe nada do PT. Foi esse partido, tão atacado, que conseguiu eleger Lula em 2002, ao convencer o nosso povo, em sucessivas eleições, que era preciso mudar o Brasil. E conseguimos.

Não apenas vencer três eleições, mas mudar o Brasil, e só o fizemos porque temos projeto. Se Lula é um desses seres raros, de uma capacidade política única, a maior liderança de todos os tempos no Brasil, não é um político solitário, muito ao contrário.

Sabe, nunca se esqueceu disso, que sua vida está intimamente vinculada ao PT, a um projeto político construído coletivamente, até hoje.

Qual o projeto político do DEM? É claro, não tergiversa. A favor de tudo aquilo que, por exemplo, foi feito durante os oito anos de governo neoliberal, entre 1994 e 2002: privatização selvagem, endividamento suicida, submissão completa ao FMI, diminuição do poder do Estado, precarização dos serviços públicos, contra quaisquer políticas que possam melhorar a vida dos mais pobres, contra a política de cotas, mesmo que eventualmente, durante as eleições, queiram mascarar suas posições.

Não há como negar que o DEM insurgiu-se contra a política de cotas, inclusive indo ao STF para tentar barrá-la. As posições do DEM estão na cena brasileira, em minoria, mas uma posição, um projeto político defendido por ACM Neto. Que ganhou as eleições em Salvador.

O projeto que ele defende ganhou, e isso é parte da vida democrática, e quem quer que conheça o projeto do PT saberá que nunca houve qualquer vacilação do partido com relação à democracia, desde o seu nascedouro.

Por tudo isso, não é possível aceitar que vinho e água sejam a mesma coisa, que direita e esquerda se equivalem, ou que o PT não tenha projeto. Mais: Pelegrino, por sua história, por sua militância, por seus compromissos com as melhores causas do povo do Brasil, da Bahia e de Salvador, pelas responsabilidades políticas que assumiu na Câmara Federal, no governo da Bahia, sem que nada o maculasse, não merece ser tratado da maneira como o fez Risério, com tanta agressividade e desrespeito.

Perder uma eleição é da vida política. A cidade se dividiu, paciência. Pelegrino seguirá em frente, defendendo o projeto político que apresentou. Estará sempre a favor de Salvador, com a serenidade de quem sempre defendeu a democracia, parte inseparável de sua trajetória.





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