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Carlos Lima | Publicado em 11/10/2015 às 20:26:16

NOS BASTIDORES DA MAÇONARIA V

Fundação da Grande Maçonaria Mista da Bahia

NOS BASTIDORES DA MAÇONARIA V Gilberto Paes de Almeida primeiro Grão Mestre da GMMB.

A fundação da Grande Maçonaria Mista da Bahia aconteceu aos 17 dias do mês de junho de 2010, às 20 horas, na sede das Lojas Maçônicas Mistas, “Sabedoria Força e Beleza nº 1”; “Sabedoria, Luz e Amor nº 2” e “Liberdade, Igualdade e Fraternidade nº 3”, localizadas na Rua Tupinambá nº 1000, no bairro Mangabeira, no Oriente de Feira de Santana, Estado da Bahia.

Participaram, compondo o “Povo Maçônico” os seguintes irmãos: Gilberto Paes de Almeida Filho; Valnízia Santos de Almeida; Marcus Welby Ribeiro dos Reis; Maria Neide Santana dos Reis; Carlos Alberto Bullos de Cerqueira; Gildete Suzarte Bullos; Ialmendes Barreto de Souza; Moisés Bullos de Cerqueira; Fernando Alves da Cruz; Karinna Santos de Almeida Carvalho; Francisco Inocêncio de Carvalho Neto; Luciano Tenório de Almeida; Naiana Cidreira Castellucio; André Augusto de Lima Ribeiro; José Rômulo Tenório de Almeida; Renato Rodrigues da Cruz Neto; Adalgiza Marinho Cerqueira da Cruz; Altimar dos Santos Ribeiro; Amilton de Melo Freitas; Adalberto Carlos de Almeida; José Xavier Dantas; Gileno Carvalho Souza; Cleber Elenadro Szulczewski; Maria Therezinha H. M. Szulczewski; João Laurindo Verçoza; Waldir de Oliveira Novaes; Francisco Antônio Magalhães e Manoel Santana de Souza.

A presidência dos trabalhos coube ao irmão José Rômulo Tenório de Almeida, com 1º e 2º Vigilantes cabendo aos irmãos veneráveis, Carlos Alberto Bullos de Cerqueira e Fernando Alves da Cruz.

Aprovada a fundação da Grande Maçonaria Mista da Bahia, os irmãos também aprovaram os Estatutos da GMMB e elegeram o 1º Grão Mestre da GMMB, irmão Gilberto Paes de Almeida Filho e o Grão Mestre Adjunto o irmão Carlos Alberto Bullos de Cerqueira. Cujo Balaustre de Fundação foi redigido pela irmã secretária Karinna Santos de Almeida Carvalho, sendo registrado no Cartório de Títulos, Documentos e Registro Civil Pessoal e Jurídico de Feira de Santana, apontado sob o nº Ordem 95.549; Protocolo 14; Nº DE Ordem do Registro 3.599, Livro A, datado de 13.12.2010, assinado pela Oficial Designada, Maria de Fátima Queiróz.

Dados oficiais do Balaustre

“Agora somos Justos e Perfeitos”

Carlos Lima 04/02/2013

Vamos conversar sobre a Maçonaria Mista na Bahia. É importante nos lembrarmos da dramática atitude de Kamel Pachá, rompendo com o velho preconceito mulçumano que inferiorizava a mulher a ponto de não lhe permitir que saísse em público de rosto descoberto.

Muita gente não sabe, não procura saber e até ignora, o que fez o representante dos “Jovens Turcos” que era Maçon. Uma das reivindicações da Maçonaria, a que não era alheio o feminismo maçônico, era a redenção da mulher nos países do Islam.

Pois bem, lendo um texto da “Loja Maçônica Obreiros de Irajá”, intitulado “Porque a Maçonaria masculina não inicia mulheres”, tomei a decisão de apresentar um posicionamento diferenciado que existe, entre colunas, sobre a iniciação da mulher na Maçonaria Mista.

A Maçonaria formada por integrantes do sexo masculino não admite a participação do sexo feminino por falta de reconhecimento de sua própria filosofia e por não acompanhar a evolução dos tempos.

Nada justifica que se desconheça a profundidade filosófica dos postulados da virtude como: Fraternidade, Igualdade, Sabedoria, Humildade, Harmonia, Honestidade, Verdade, Amor e Solidariedade.

Colunas que edificam a moral Maçônica. Essas virtudes dizem respeito ao ser humano, independente de sexo, credo, cor, raça, religião e sistema político.

A base da Instituição Maçônica é a união fraternal. Por isso deve reunir os seres racionais que se identifiquem com os seus postulados e sejam perfeitos e justos.

No ambiente Maçônico a de sempre reinar a moral, a tolerância e a solidariedade. Que os desonestos e falsos de espírito sejam adormecidos definitivamente. Estes não possuem a virtude Maçônica.

Se a Maçonaria dedica à família o melhor de suas atenções. A mulher é coluna insubstituível dessa família, portanto, possui espírito Maçônico e possuem as mesmas condições daqueles do sexo oposto, podendo assim, desfrutar do direito de também ser iniciada na Maçonaria.

Não se pode constituir a família sem a mulher, inclusive é pedra fundamental na edificação do homem. Chega dessa conversa machista e segregacionista, “homem na Loja e a esposa na cozinha”. Li essa frase em alguns livros. Abominei.

Ela deve sim, ficar ao nosso lado e no melhor ambiente que existe, a Maçonaria. Desde que reúna as qualidades para tal. A Mulher não é nenhum ornamento ou simplesmente casulo da reprodução humana.

Os Maçons machistas, muitos deles distantes da filosofia Maçônica, insistem em tripudiar da Maçonaria Mista, eles são cegos e pobres de espírito.

Desconhecem que na vigência do Tratado de 1864, e com base nas ressalvas das concepções e das tendências doutrinárias de cada Rito, criaram-se no Brasil várias Lojas de Senhoras, seguindo o que acontecia na França, na Espanha, nos Estados Unidos e em Portugal, sendo as mais notáveis, aqui no Brasil, a “Filhas da Acácia”, de Curitiba; a “Anita Boacaiuva”, de Campos; “Julia Valadares”, de São João da Barra, e a “Teodora” de Itapemirim, todas funcionando no Rito de Adoção (andrógino).

Será que estes maçons que dizem não reconhecer a Maçonaria Mista, devem também não reconhecer que as mulheres andam, falam, pensam, amam, e são responsáveis pela continuação da humanidade. São nossas companheiras e não nossas escravas. Não são animais de estimação.

A Maçonaria masculina não iniciando mulheres, demonstra uma falta de respeito aos postulados Maçônicos e desconhece profundamente à energia espiritual que emana da mulher.

Não é verdade que antes de 1893 a filiação Maçônica só era facultada aos adultos do sexo masculino como diz o  artigo da LOJA OBREIROS DE IRAJÁ.

Eles afirmam que em 1893, uma Loja da França procedeu à admissão de uma mulher em seus quadros. Uma Loja na França? Demonstra que desconhece a história Maçônica ou o faz de forma proposital pra inutilmente desqualificar a presença da mulher na Maçonaria.

Mesmo assim, na França, praticamente no final do século XVIII, a Maçonaria iniciava a abertura para as mulheres. Diferentemente deste início do século XXI, onde, lamentavelmente, e com tristeza no coração, podemos afirmar que existem Maçons de fins de semana.

Eles desconhecem os Ritos; sua história; sua filosofia; a importância da mulher para a continuidade da humanidade e o que nos ensina o Grande Arquiteto do Universo.

A fidelidade na prática dos postulados maçônicos só será completa com a presença da mulher e a existência das Lojas Mistas. Os Maçons podem dizer: “Agora estamos completos”. “Agora somos justos e perfeitos”.

Será que esses Maçons que são contra a Maçonaria Mista não estão com receio de verem “a céu aberto suas práticas atuais?” Como o desprezo pelo aprendizado; Reuniões de cervejadas; Tramas políticas contra os próprios irmãos; menosprezo pela liturgia Maçônica e descrédito por toda filosofia, todo misticismo e todo esoterismo que nos envolve?

Será que eles não sentem que a força está esvaecendo? Será que a passagem de grau deve ser pela compra e não pelo aprendizado e prática?

Será que o mais importante é ser reconhecido pelos profanos como “MAÇON”. E na maçonaria ser apenas um profano de avental?

Utilizar-se da história antiga da Maçonaria como argumento contra as mulheres, não tem sustentação lógica diante da evolução dos tempos e do que nos ensina o Grande Arquiteto do Universo.

As mudanças foram realizadas ao longo da história Maçônica. 0s Ritos sofreram mutações e modificações ao longo do tempo. Até o comportamento do Maçon em Loja e fora dela. “Essa seria uma boa discussão entre colunas”

No texto – da Loja Obreiros de Irajá -, é usado dois fundamentos para não iniciar mulheres na Maçonaria.

1º – A origem Operativa da Ordem;

Devo salientar que não é perfeito e nem justo utilizar-se da MAÇONARIA OPERATIVA, ou da origem operativa da Ordem, quando ela já está adormecida, destruída, até a “Trolha” excluída dos seus Ritos, para justificar uma posição insustentável.

A Trolha transcende às fronteiras da Maçonaria. Ela vem de épocas muito remotas, de além da pré-história da Maçonaria. Ela reaparece na Reconstrução do Templo de Salomão e dos muros da cidade de Jerusalém. O primeiro – O Templo, por Zorobabel e o segundo, os Muros, por Neemeias.

Dizer que a Maçonaria Especulativa, (atual) não inicia mulheres porque evoluiu dos pedreiros que operavam, materialmente, em construções, obras e entendiam que a mulher não é afeita ao trabalho árduo de pedreiro, ofício original dos primeiros integrantes. É um verdadeiro absurdo, a Maçonaria atual não é mais medieval e dificilmente se encontra um pedreiro de profissão.

Afirma-se ainda que nos tempos atuais a Maçonaria é Especulativa.

Uma pergunta: Que tradição antiga é essa, se nas tradições das sociedades iniciáticas antigas, tanto homens como mulheres de qualquer posição social e cultural, podiam ser iniciados, e a única exigência era a de que deveriam ser puros e de conduta nobre?

O outro argumento usado é muito primata e demonstra incompatibilidade com a evolução do ser humano… E o fecho final é hilário, ao dizer que: “É interessante observar, que grande parte desses encontros masculinos, termina com um jantar, um lanche, um banquete, cervejinha, etc. – o sucedâneo da partilha da comida (caça)”.

Ou quando diz: “Para a mulher a maternidade, a comunhão com a flora, etc. Para o homem, a caça, a guerra, a comunhão com a fauna. A mulher, a Lua; o homem, o Sol”.

E até a atitude extrema de justificar a não iniciação de mulher com o argumento de que: “No que se refere propriamente à instituição Maçônica, convém ter na devida conta que, ao ser fundada a Maçonaria Moderna, as suas reuniões se realizavam em tavernas, as quais, por mais seletas que fossem não eram locais muito apropriados para as senhoras”.

Como também não era para a própria Maçonaria. Aceitável apenas porque se tratava do início, da sua criação. O que não diz respeito aos dias atuais. Serve apenas como história.

O 2º Fundamento diz: – Por ser, a Maçonaria, um rito solar (masculino).

O texto da Loja diz: “O Sol e a Lua são símbolos herméticos e alquímicos (ouro e prata). O Sol é a vida, o masculino – A Lua, sua complementaridade, o feminino”.

Esses argumentos destoam de uma separação, eles se harmonizam, se completam na Fraternidade e no Amor.

Pergunta: Se a Maçonaria é uma Ordem Solar, porque também se trabalha a noite em suas Lojas? Porque a Maçonaria tem suas colunas?

Bem vamos relembrar um pouco a história da Maçonaria.

Até o ano de 1118, apesar de ter existido em vários países, nada mais se ouviu falar na Maçonaria sobre sua origem primitiva. Segundo o irmão Branville, “jaz envolta em um véu espesso, através do qual, até hoje, os diversos escritores que têm tratado do assunto, em vão se têm esforçado a entrever alguns débeis clarões de Luz”. Pró e contra se têm escrito vários livros, nenhum totalmente completo.

Existia em vários países com uma proposta, até quando apareceram os Cavaleiros do Templo, sociedade fundada por Cruzados, que era instituição militar e religiosa para proteger os peregrinos à Terra Santa, que introduziu Estatuto e Regulamento à Ordem.

O irmão Rebold, em sua “História Geral da Maçonaria”, relata que um pequeno grupo de “Templários” que escapou das perseguições de Felipe, o Belo, rei da França e do papa “Clemente V”, alguns deles refugiaram-se na Escócia, onde encontraram abrigo nos irmãos Maçônicos.

Escondidos em cavernas nas montanhas, fizeram os “Estatutos e Regulamentos” que mais tarde deviam ser apresentados numa celebre reunião, acontecida num convento das “Astúrias”, onde se encontravam representantes de quase toda a Europa, França, Inglaterra, Escócia, Holanda, Espanha e até parentes os mais próximos das diversas casas reinantes daqueles tempos.

O rei Nenrrod era Maçon. O rei Salomão confirmou os regulamentos e instruções que seu pai já havia introduzido entre os Maçons, de forma que, a Maçonaria ficou consolidada em Jerusalém e em outros reinos.

“Ninos Graco” foi à França, e fundou a Maçonaria e Santo Alberto a levou para a Inglaterra, onde preparou as leis para os Maçons e deu asilo para serem admitidos outros.

Não se diga a Maçonaria tem terminado sua carreira só porque certos povos gozam de mais de ou menos instrução e têm mais ou menos liberdade, conquistada à força de muito sangue.

Não devemos imitar a antiga Grécia, nem a orgulhosa Roma que, embaladas na liberdade e fartas dela, deixaram perder a iniciação e tomaram em troco (resposta) ferros vergonhosos que ainda duram.

No espaço de pouco mais de um século, a Maçonaria foi introduzida em 109 países do globo e, se é certo falar do futuro pelo passado, cedo ou tarde a ACACIA se espalhara pela terra e seus ramos darão asilo seguro aos seres oprimidos.

A Maçonaria não oprime, não descrimina e tem na fraternidade uma de suas colunas. Quando a Maçonaria se refere ao homem diz respeito aos seres racionais de ambos os sexos. A mulher a muito sofre opressão e descriminação, nossas portas estão abertas para as merecedoras.

Houve tempo em que até os nossos inimigos justificavam a existência da Maçonaria, pela necessidade pública que se sentia de destruir o sistema vicioso das velhas monarquias, onde os homens não eram livres e gemiam sob o peso da autoridade ilimitada do soberano.

A Maçonaria não tem soberano, não podemos fazer gemer o nosso igual, principalmente aquela que gera a nova vida e é responsável, também, pela nossa existência. Sem ela onde encontraríamos os nossos sucessores?

Quem poderá manter ao pé da letra os caminhos da “Maçonaria Primitiva”, Quem poderá negar que o poder, durante muitos séculos foi intolerante e tirânico?

Quem salvou a humanidade desse despotismo e dessa tirania senão a Maçonaria? Como dizer agora que a Maçonaria Mista não pode ser aceita ou que ela esteja ferindo os princípios Maçônicos, sem antes negar esses mesmos princípios?

O Templo de Salomão só será definitivamente acabado, quando a verdade for à soberana de todos os povos da terra.

Pergunto que interpretações podem dar a essa definição:

-“A liga dos Maçons é um centro de união fraternal entre homens livres, de boa reputação, ou homens de honra e probidade, que têm por fim o seu aperfeiçoamento moral e o cultivo da amizade entre pessoas que de outra forma desconhecer-se-iam. Assim esta liga não trata de posição social, de profissão ou de partido político”.

A finalidade do Maçon “é o aperfeiçoamento moral e o cultivo da amizade entre as pessoas – não diz só do sexo masculino”.

Vejam como se expressam algumas autoridades da antiguidade sobre a Maçonaria:

-Conêgo Faria Lobato: – “A Maçonaria guia os homens para a conquista da verdade, que é Deus, como a coluna de fogo que guiava o povo de Moisés à conquista da terra da Promissão”.

Pergunta: Deus quando se referia ao homem, eram apenas os seres de sexo masculino? As mulheres não faziam parte desse universo?

– O Cônego Januário da Cunha Barbosa disse: – “Filha da ciência e mãe da caridade”. O cônego ainda declarou: “Fossem todas as instituições como tu, Oh! Santa Maçonaria, e os povos viveriam numa idade de ouro. Satanás, não teria mais o que fazer e DEUS teria em cada homem um eleito”

Pergunta: Só para pessoas do sexo masculino? As mulheres seriam entregues ao Satanás?

– O padre Manoel Bertnardes declarou o seguinte: -“A Moral Maçônica é toda santa e o Divino Mestre o mais fiel de seus adeptos”.

Pergunta: Se a Maçonaria excluísse a mulher o Divino Mestre seria adepto?

Pergunta: Se rejeitarmos a iniciação da mulher o Grande Arquiteto do Universo estará conosco?

O Maçon tem por obrigação combater pela Verdade, pela Honra e pela Caridade, não importa se vai ganhar ou perder. Os Maçons que governam a Ordem são somente os primeiros entre os iguais.

O Maçon deve ser sempre tolerante, porque só o Grande Arquiteto do Universo é que conhece todos os segredos do Universo, que vieram dele e voltarão para ele.

Se o Grande Arquiteto de Universo não exclui, porque a Maçonaria excluiria? Na minha visão os Templários abriram as portas da Maçonaria e a aproximaram definitivamente do Grande Arquiteto do Universo. E, ao mesmo tempo nos mostrou o lado amargo da Taça, com a traição de Inácio de Loyola.

Somos um “todo”, não uma parte. E, como um “todo”, o sol e a lua fazem parte do nosso templo.

A Maçonaria para ser “Justa e Perfeita”, tem que ser “Humana”. Isso quer dizer “Mista”.

Carlos Lima

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