Carlos Lima
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Cinema
Carlos Lima | Publicado em 30/04/2018 às 09:23:27

Daniela Vega ganha o V Prêmio Platino de Cinema

Daniela Vega ganha o V Prêmio Platino de Cinema A atriz transgênero Daniela Vega estrela o filme 'Uma mulher fantástica', ganhador do prêmio Platino de cinema ibero-americano (Foto: Divulgação)

O Chile foi o país protagonista da quinta edição dos Prêmios Platino do Cinema Ibero-americano, que deu a “Uma fulher fantástica” cinco estatuetas estatuetas de melhor filme, diretor, roteiro e atriz para o país.

Grito contra os preconceitos da sociedade contra as pessoas transexuais, o longa era favorito com nove indicações. A cerimônia aconteceu neste domingo (29) no Teatro Gran Tlachco do Parque ecoturístico Xcaret, na Riviera Maya, México.

“Uma mulher fantástica” já tinha sido premiado com o Oscar de melhor filme estrangeiro, por isso que não surpreendeu que levasse o Platino de melhor filme, melhor diretor, melhor atriz, melhor roteiro e melhor montagem.

Só o argentino “Zama”, que concorria em oito categorias, conseguiu chegar perto, ficando com a maioria dos prêmios técnicos: melhor direção de arte (para a brasileira Renata Pinheiro), melhor direção de fotografia e melhor direção de som.

O diretor de “Uma fulher fantástica”, o chileno Sebastián Lelio, foi escolhido melhor diretor, disputando com os espanhóis Isabel Coixet e Álex de la Iglesia, o cubano Fernando Pérez e a argentina Lucrecia Martel.

Este prêmio não foi uma experiência nova para o chileno, visto que em 2014 já tinha ganhado a estatueta de melhor direção com seu filme “Gloria”.

A famosa atriz chilena Daniela Vega, indiscutível protagonista da festa por sua reivindicação a favor dos direitos das mulheres, acumulou com o Platino um novo prêmio pela sua interpretação em “Uma mulher fantástica”.

“Peço um aplauso às mulheres ibero-americanas que estão nos vendo para que saibam que não estão sozinhas. Lutaremos no cinema para a igualdade”, disse Daniela Vega ao apresentar os prêmios de melhor ator e atriz de série de TV, provocando um sonoro aplauso.

O único grande prêmio que não levou o filme chileno foi o de melhor ator, embora este tenha ido para as mãos de um ator chileno, Alfredo Castro, pelo seu trabalho em “Los perros”.

A Espanha também teve um lugar de destaque na cerimônia com os prêmios de melhor estreia, melhor filme documentário, melhor animação, melhor série de TV e melhor atriz de série de TV.

O filme catalão “Verão 1993”, de Clara Simón, cumpriu as expectativas como favorito ao ganhar como melhor estreia, assim como a atriz Blanca Suárez, premiada pela sua interpretação na popular série “As telefonistas”.

O filme espanhol “Muitos filhos, um macaco e um castelo”, dirigido por Gustavo Salmerón, venceu como melhor documentário. Já “O ministério do tempo” levou o prêmio de melhor série de TV.

“Tadeo Jones 2. O Segredo do Rei Midas” venceu o Platino de melhor filme de animação.

Além disso, o filme basco “Handia”, ganhador de 10 prêmios Goya, levou o Platino de prêmio ao cinema e à educação em valores.

A Argentina completou o elenco de premiados com a melhor interpretação masculina em série de televisão, que foi para Julio Chávez por “O Mestre”, e a melhor trilha sonora por “A Cordilheira”.

Um dos momentos mais intensos da festa foi protagonizado pela famosa atriz mexicana Adriana Barraza, que após receber o Platino de Honra 2018 citou palavras emocionadas sobre os três estudantes de cinema mexicano assassinados recentemente pelo crime organizado.

“Como ser humano lamento profundamente que todos nós tenhamos perdido a possibilidade de ver um filme deles”, disse a atriz, que dedicou parte da sua vida a formar cineastas.

Os momentos de mensagens da festa também vieram da própria organização que decidiu entregar conjuntamente os prêmios de melhor ator e atriz para “pedir a igualdade entre homens e mulheres”, explicou o apresentador, Eugenio Derbez.

Um “Lula livre!” foi citado pela brasileira Renata Pinheiro, ganhadora do Platino de melhor direção de arte por “Zama”, que exigiu entre aplausos a liberdade do ex-presidente brasileiro.

Também houve alegações pela diversidade do mundo ibero-americano, como o que fez Javier Olivares, roteirista de “O ministério do tempo”: “Foi falado aqui catalão, basco, espanhol e português. Que nunca percamos esta diversidade”.

Veja, abaixo, os ganhadores do V Prêmios Platino 2018:

Melhor filme ibero-americano de ficção: “Uma mulher fantástica” (Chile, Espanha)
Melhor direção: Sebastián Lelio (“Uma mulher fantástica”)
Melhor roteiro: Sebastián Lelio e Gonzalo Maza (“Uma mulher fantástica”).
Melhor ator: Alfredo Castro (“Los perros”)
Melhor atriz: Daniela Vega (“Uma mulher fantástica”)
Melhor trilha sonora: Alberto Iglesias (“A cordilheira”)
Melhor ator em minissérie ou série de TV: Julio Chávez (“O mestre”)
Melhor atriz em minissérie ou série de TV: Blanca Suárez (“As telefonistas”)
Melhor animação: “Tadeo Jones 2: O segredo do Rei Midas” (Espanha)
Melhor documentário: “Muitos filhos, um macaco e um castelo” (Espanha)
Melhor estreia de ficção ibero-americana: “Verão 1993” (Espanha).
Melhor montagem: Soledad Salfate (“Uma mulher fantástica”)
Melhor direção de arte: Renata Pinheiro (“Zama”)
Melhor direção de fotografia: Rui Pozas (“Zama”)
Melhor direção de som: Guido Berenblum (“Zama”)
Prêmio platino ao cinema e educação em valores: “Handia” (Espanha)
Melhor minissérie ou série de TV ibero-americana: “O ministério do tempo” (Espanha)
Prêmio Platino de honra do cinema ibero-americano: Adriana Barraza

 

Eduard Ribas Admetlla

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