Carlos Lima
Hoje dia 19/08/2018 às 07:34:16

Cinema
Carlos Lima | Publicado em 03/02/2018 às 11:00:08

Morre Oswaldo Loureiro, grande nome do cinema, teatro e TV

Morre Oswaldo Loureiro, grande nome do cinema, teatro e TV Oswaldo Loureiro tem extensa lista de contribuições à arte

Morreu aos 85 anos Oswaldo Loureiro Filho, ator e diretor de teatro, televisão e cinema. Com extensa lista de contribuições na área, incluindo a presidência do Sindicato dos Artistas do Rio de Janeiro, se projetou como um dos grandes nomes do teatro brasileiro. Atuou de 1944 a 2005, e desde então estava afastado das atividades. O ator sofria de Alzheimer.

Grande boêmio, era frequentador assíduo do restaurante La Fiorentina, em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro, onde está lembrado em uma grande charge com outros boêmios feita por Chico Caruso, e pela assinatura nas colunas do estabelecimento.

Nascido em família de artistas, Oswaldo Loureiro ingressou no teatro ainda criança. A mãe era cantora lírica, o pai, jornalista e ator, e as irmãs, bailarinas do Theatro Municipal.

Oswaldo Loureiro fez mais de 140 peças, entre papéis cômicos e dramáticos, e atuou também no cinema e na TV.

A estreia profissional no teatro ocorreu em 1955, aos 23 anos, quando integrava a companhia de teatro de Henriette Morineau, na peça Vestido de Noiva, montagem de Nelson Rodrigues. No ano seguinte, participou do elenco de Otelo, de William Shakespeare, pela Companhia Tônia-Celi-Autran (CTCA). Continuou na companhia até o último espetáculo, atuando em nove produções.

Em 1958, recebeu o prêmio da Associação Brasileira de Críticos Teatrais (ABCT) de ator revelação por A Fábula do Brooklin, de Irwin Shaw.

No início da década de 1960, trabalhou em dois espetáculos do Teatro dos Sete, Com a Pulga Atrás da Orelha, de Georges Feydeau, e Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues. Com o fim da CTCA, o artista vai para São Paulo, e integra o elenco de A Ópera dos Três Vinténs, de Bertolt Brecht, para o Teatro Ruth Escobar, em 1964. Em 1966, de volta ao Rio de Janeiro, com o Grupo Opinião, atua em Se Correr o Bicho Pega, Se Ficar o Bicho Come, de Oduvaldo Vianna Filho e Ferreira Gullar. Em 1967, trabalha ao lado de Paulo Autran em Édipo Rei, de Sófocles.

Na década de 1970, atuou em Gota d’Água, de Chico Buarque e Paulo Pontes; A Longa Noite de Cristal, de Oduvaldo Vianna Filho (Vianinha); e Dois Perdidos Numa Noite Suja, de Plínio Marcos.

Durante nove anos, foi dirigente sindical, chegando à presidência do Sindicato dos Artistas depois de lutar pelo reconhecimento da profissão de ator e pela subvenção do Estado ao teatro, sem o que, para ele, o teatro estaria condenado a comédias comerciais.

Em 1982, o desempenho em Motel Paradiso, de Juca de Oliveira, rendeu-lhe o Prêmio Mambembe de melhor ator. No ano seguinte, atuou em Vargas, de Dias Gomes e Ferreira Gullar.

Na década seguinte, dirigiu o texto Baixa Sociedadede Juca de Oliveira, e assumiu a direção do Teatro Guaíra, em Curitiba. Com o projeto Teatro para o Povo, desenvolvido durante dois anos e meio, realizou mais de 1.700 apresentações e um público de 700 mil espectadores.

De volta ao Rio de Janeiro, atuou em O Doente Imaginário, de Molière, em 1996, e em A Profissão da Senhora Warrende Bernard Shaw, junto com de Jacqueline Laurence e Othon Bastos, em 1998. Dois anos depois, atuou em Bonitinha, mas Ordinária, de Nelson Rodrigues.

Oswaldo também dirigiu peças teatrais, óperas, shows musicais, shows de humor e espetáculos. Atuou em cinema e faz vários trabalhos em televisão como ator e diretor. Nas novelas, atuou em trabalhos como Sangue e Areia (1968) e Véu de Noiva (1969), de Janete Clair, Roque Santeiro (1985), de Dias Gomes, e Que Rei sou Eu? (1989), de Cassiano Gabus Mendes. Como diretor, colaborou com o seriado O Bem-Amado (1980-1985), o humorístico Os Trapalhões (1982-1988) e o programa de variedades Batalha dos Astros (1983).

Jornal do Brasil

Comentários

comentários

Veja também