Carlos Lima
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Cinema
Carlos Lima | Publicado em 18/09/2017 às 10:16:44

Pesadelo de ‘The Handmaid’s Tale’ conquista o Emmy

Pesadelo de ‘The Handmaid’s Tale’ conquista o Emmy Ann Dowd, Elisabeth Moss e Alexis Blede da série "The Handmaid's Tale". MARK RALSTON AFP The Handmaid’s Tale é um produto do Hulu, que não é uma emissora tradicional nem a cabo. O Hulu é um site. Pela primeira vez, portanto, uma série vista apenas pela Internet ganha o Emmy de melhor drama do ano, um trono já ocupado por Chumbo Grosso, The West Wing, Mad Men e Família Soprano. Trata-se, portanto, de um momento histórico para a televisão. Basicamente, a comprovação de que não é preciso ter um canal para fazer o melhor conteúdo audiovisual. O prêmio à série do Hulu é a conquista definitiva dos espectadores por parte das plataformas da Internet. MAIS INFORMAÇÕES A paisagem idílica que esconde os obscuros segredos de ‘Big Little Lies’ Aziz Ansari: “A criatividade depende da inspiração, não da data de entrega” ‘Westworld’, a nova obsessão da TV Mas foi uma noite difícil para a Netflix, que viu escaparem os prêmios principais para The Crown, House of Cards, Stranger Things e Master of None, as poderosas apostas com as quais essa plataforma pretendia se coroar como o novo titã da produção televisiva. Stranger Things ficou apenas com os cinco prêmios que havia ganhado na semana passada, quando foram anunciados os Emmy das categorias técnicas. O mesmo aconteceu com Westworld, grande aposta da HBO em drama neste ano: só cinco prêmios técnicos, e nenhum neste domingo. PUBLICIDADE inRead invented by Teads Por redes, a HBO voltou a reinar nos números, com 10 troféus neste domingo, além de ter a melhor comédia do ano e a melhor minissérie. A Netflix levou 4, o Hulu ganhou 5, o canal pago FX recebeu 2, e a tradicional rede NBC teve 6 prêmios. Mas, dos Emmys da NBC, um foi por um drama, o de Sterling K. Brown como protagonista em This Is Us, um dos fenômenos do ano nos Estados Unidos. As grandes séries já não pertencem às redes tradicionais. Veep (HBO) é, de novo, a melhor comédia do ano na opinião da indústria. Um golpe de autoridade num momento em que competia com duas importantes novidades que apontam para uma forma totalmente diferente de fazer comédia televisiva, Atlanta (FX) e Master of None (Netflix). O prêmio tem sabor de comemoração para a equipe de David Mandel, que conseguiu manter o altíssimo nível da série depois da partida de seu criador, Armando Ianucci. A série termina no ano que vem, ao final da sua sétima temporada. O prêmio de melhor diretor e melhor ator de comédia foi para o criador e protagonista de Atlanta, Donald Glover. Julia Louis-Dreyfuss também fez história. Passarão anos até que surja uma figura igual. Ela recebeu o seu oitavo Emmy como atriz e o sexto pelo personagem da vice-presidenta Selina Meyers. É um recorde absoluto, acima dos cinco dados a Candice Bergen por Murphy Brown (1988-1998). Dreyfuss estava sentada na plateia ao lado do grande presidente da ficção, Kevin Spacey, que a seguiu com celular por todo o caminho até o palco. Merece uma menção à parte Master of None (Netflix), que levou o prêmio de melhor roteiro cômico. O episódio especificamente premiado se intitula Thanksgiving, em que a personagem de Lena Waithe, a amiga afro-americana e lésbica de Anzari, sai do armário para sua família e relata a aceitação de sua condição ao longo de vários anos de celebrações de Ação de Graças. Se você não viu Master of None, convém dar uma chance. Se não a aguentar, salte diretamente para esse capítulo. É uma das peças televisivas mais emocionantes do ano. Em um gesto nada habitual para um prêmio de melhor roteiro, o auditório Microsoft ficou em pé e ofereceu uma grande ovação a Anzari e Waithe. Neste ano era especialmente chamativa a lista de minisséries. Uma batalha de altíssimo nível principalmente entre Big Little Lies, The Night Of e Feud: Bette and Joan. A ganhadora absoluta foi Big Little Lies, um thriller de grandes mulheres com um elenco assombroso. As duas produtoras e protagonistas da série, Nicole Kidman e Reese Witherspoon, iluminaram a cerimônia ao receberem o prêmio como produtoras. Elas fundaram sua produtora para “colocar as mulheres à frente das narrativas e lhes dar a oportunidade de contar suas histórias”. Ambas estavam indicadas também a melhor atriz principal. Kidman, possivelmente a maior estrela da noite, levou. Os prêmios aos atores coadjuvantes de minissérie também foram à poderosa Renata Klein, ou seja, Laura Dern, e Alexander Sarksgard, os dois de Big Little Lies, confirmando o poder do elenco dessa série. Também recebeu o prêmio de melhor direção para Jean Marc Valée. Riz Ahmed, o protagonista de The Night Of, levou o prêmio de melhor ator. Parece pouco, mas as minisséries desse ano são enormes produtos e só havia lugar para uma. PUBLICIDADE inRead invented by Teads Nenhuma das minisséries da HBO, entretanto, venceu como melhor roteiro. Foi para Charlie Brooker pelo roteiro de San Junipero, um dos episódios mais alucinantes da série Black Mirror (Netflix). O capítulo, que conta a história de amor entre duas mulheres que se encontram em um mundo virtual nos últimos anos de suas vidas, foi premiado como a melhor produção para televisão do ano. Da mesma forma que Master of None, até mesmo para os que detestam Black Mirror, esse capítulo é especial. John Oliver ganhou a batalha dos talk shows, programas que nesse ano se revelaram como um dos produtos que mais unem os Estados Unidos diante da televisão. Os comentários diários de Stephen Colbert, Jimmy Kimmel e Seth Meyers são virais durante horas na Internet ao mesmo tempo que as notícias. Last Week Tonight de John Oliver levou tanto o prêmio de melhor programa como de melhor roteiro. Em concursos, The Voice voltou a ganhar. Donald Trump e Hillary Clinton ganharam diversos Emmy no domingo por nos presentearem com alguns dos melhores momentos da televisão do último ano. Isso é, Alec Baldwin e Kate McKinnon, que os imitam em Saturday Night Live, levaram os prêmios de melhor coadjuvante em comédia. O programa de variedades, que está há 42 anos na televisão, foi o mais premiado no total nesse Emmy, com quatro prêmios no domingo e cinco prêmios técnicos. O ambiente político nos Estados Unidos deu nova vida ao programa até forjar uma das melhores temporadas da história. Um indicador de que talvez o mais intenso que se viu em televisão nessa temporada foi, e continua sendo, a política dos Estados Unidos. Stephen Colbert disse isso em seu discurso inicial: “Se formos honestos, a maior estrela da televisão do ano passado foi Donald Trump”. Era uma brincadeira. E não era. ARQUIVADO EM: Prêmios Emmy Prêmios comunicação Netflix HBO Los Angeles Califórnia Jornalismo Prêmios Plataformas digitales Estados Unidos IPTV América do Norte Internet Televisão Eventos Empresas América Meios comunicação Economia Telecomunicações Sociedade Comunicação Comunicações MAIS INFORMAÇÕES As 13 séries que você deve ver, segundo as indicações do Emmy As 13 séries que você deve ver, segundo as indicações do Emmy Emmy 2017: Quem pensamos que vai ganhar (e quem deveria ganhar) Emmy 2017: Quem pensamos que vai ganhar (e quem deveria ganhar) VÍDEOSNEWSLETTERS PODE TE INTERESSAR EUA: “Se a Coreia do Norte mantiver sua conduta temerária, será destruída” Maddox Jolie-Pitt: “Minha mãe é maravilhosa” “Vou disputar o governo de São Paulo. 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Em um ano de distopias em todos os níveis nos Estados Unidos, The Handmaid’s Tale, um drama futurista em que as mulheres foram escravizadas para servir como cobaias reprodutoras, ganhou neste domingo o prêmio máximo da 69ª. edição do Emmy.

O pesadelo sonhado pela escritora Margaret Atwood há três décadas foi eleito como a melhor série dramática do ano, e sua protagonista, Elisabeth Moss, levou o troféu de melhor atriz, após sete indicações. Ao todo, o drama ficou com oito estatuetas, empatando com Big Little Lies, outra grande história de mulheres.

The Handmaid’s Tale é um produto do Hulu, que não é uma emissora tradicional nem a cabo. O Hulu é um site. Pela primeira vez, portanto, uma série vista apenas pela Internet ganha o Emmy de melhor drama do ano, um trono já ocupado por Chumbo Grosso, The West Wing, Mad Men e Família Soprano.

Trata-se, portanto, de um momento histórico para a televisão. Basicamente, a comprovação de que não é preciso ter um canal para fazer o melhor conteúdo audiovisual. O prêmio à série do Hulu é a conquista definitiva dos espectadores por parte das plataformas da Internet.

Mas foi uma noite difícil para a Netflix, que viu escaparem os prêmios principais para The Crown, House of Cards, Stranger Things e Master of None, as poderosas apostas com as quais essa plataforma pretendia se coroar como o novo titã da produção televisiva. Stranger Things ficou apenas com os cinco prêmios que havia ganhado na semana passada, quando foram anunciados os Emmy das categorias técnicas. O mesmo aconteceu com Westworld, grande aposta da HBO em drama neste ano: só cinco prêmios técnicos, e nenhum neste domingo.

Por redes, a HBO voltou a reinar nos números, com 10 troféus neste domingo, além de ter a melhor comédia do ano e a melhor minissérie. A Netflix levou 4, o Hulu ganhou 5, o canal pago FX recebeu 2, e a tradicional rede NBC teve 6 prêmios. Mas, dos Emmys da NBC, um foi por um drama, o de Sterling K. Brown como protagonista em This Is Us, um dos fenômenos do ano nos Estados Unidos. As grandes séries já não pertencem às redes tradicionais.

Veep (HBO) é, de novo, a melhor comédia do ano na opinião da indústria. Um golpe de autoridade num momento em que competia com duas importantes novidades que apontam para uma forma totalmente diferente de fazer comédia televisiva, Atlanta (FX) e Master of None (Netflix).

O prêmio tem sabor de comemoração para a equipe de David Mandel, que conseguiu manter o altíssimo nível da série depois da partida de seu criador, Armando Ianucci. A série termina no ano que vem, ao final da sua sétima temporada. O prêmio de melhor diretor e melhor ator de comédia foi para o criador e protagonista de Atlanta, Donald Glover.

Julia Louis-Dreyfuss também fez história. Passarão anos até que surja uma figura igual. Ela recebeu o seu oitavo Emmy como atriz e o sexto pelo personagem da vice-presidenta Selina Meyers. É um recorde absoluto, acima dos cinco dados a Candice Bergen por Murphy Brown (1988-1998). Dreyfuss estava sentada na plateia ao lado do grande presidente da ficção, Kevin Spacey, que a seguiu com celular por todo o caminho até o palco.

Merece uma menção à parte Master of None (Netflix), que levou o prêmio de melhor roteiro cômico. O episódio especificamente premiado se intitula Thanksgiving, em que a personagem de Lena Waithe, a amiga afro-americana e lésbica de Anzari, sai do armário para sua família e relata a aceitação de sua condição ao longo de vários anos de celebrações de Ação de Graças. Se você não viu Master of None, convém dar uma chance.

Se não a aguentar, salte diretamente para esse capítulo. É uma das peças televisivas mais emocionantes do ano. Em um gesto nada habitual para um prêmio de melhor roteiro, o auditório Microsoft ficou em pé e ofereceu uma grande ovação a Anzari e Waithe.

Neste ano era especialmente chamativa a lista de minisséries. Uma batalha de altíssimo nível principalmente entre Big Little Lies, The Night Of e Feud: Bette and Joan. A ganhadora absoluta foi Big Little Lies, um thriller de grandes mulheres com um elenco assombroso. As duas produtoras e protagonistas da série, Nicole Kidman e Reese Witherspoon, iluminaram a cerimônia ao receberem o prêmio como produtoras.

Elas fundaram sua produtora para “colocar as mulheres à frente das narrativas e lhes dar a oportunidade de contar suas histórias”. Ambas estavam indicadas também a melhor atriz principal. Kidman, possivelmente a maior estrela da noite, levou.

Os prêmios aos atores coadjuvantes de minissérie também foram à poderosa Renata Klein, ou seja, Laura Dern, e Alexander Sarksgard, os dois de Big Little Lies, confirmando o poder do elenco dessa série. Também recebeu o prêmio de melhor direção para Jean Marc Valée. Riz Ahmed, o protagonista de The Night Of, levou o prêmio de melhor ator. Parece pouco, mas as minisséries desse ano são enormes produtos e só havia lugar para uma.

enhuma das minisséries da HBO, entretanto, venceu como melhor roteiro. Foi para Charlie Brooker pelo roteiro de San Junipero, um dos episódios mais alucinantes da série Black Mirror (Netflix). O capítulo, que conta a história de amor entre duas mulheres que se encontram em um mundo virtual nos últimos anos de suas vidas, foi premiado como a melhor produção para televisão do ano. Da mesma forma que Master of None, até mesmo para os que detestam Black Mirror, esse capítulo é especial.

John Oliver ganhou a batalha dos talk shows, programas que nesse ano se revelaram como um dos produtos que mais unem os Estados Unidos diante da televisão. Os comentários diários de Stephen Colbert, Jimmy Kimmel e Seth Meyers são virais durante horas na Internet ao mesmo tempo que as notícias. Last Week Tonight de John Oliver levou tanto o prêmio de melhor programa como de melhor roteiro. Em concursos, The Voice voltou a ganhar.

Donald Trump e Hillary Clinton ganharam diversos Emmy no domingo por nos presentearem com alguns dos melhores momentos da televisão do último ano. Isso é, Alec Baldwin e Kate McKinnon, que os imitam em Saturday Night Live, levaram os prêmios de melhor coadjuvante em comédia. O programa de variedades, que está há 42 anos na televisão, foi o mais premiado no total nesse Emmy, com quatro prêmios no domingo e cinco prêmios técnicos.

O ambiente político nos Estados Unidos deu nova vida ao programa até forjar uma das melhores temporadas da história. Um indicador de que talvez o mais intenso que se viu em televisão nessa temporada foi, e continua sendo, a política dos Estados Unidos. Stephen Colbert disse isso em seu discurso inicial: “Se formos honestos, a maior estrela da televisão do ano passado foi Donald Trump”. Era uma brincadeira. E não era.

 

PABLO XIMÉNEZ DE SANDOVAL

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