Carlos Lima
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Cinema
Carlos Lima | Publicado em 16/09/2017 às 11:53:40

Sete diferenças entre o filme e o livro de Stephen King

Sete diferenças entre o filme e o livro de Stephen King Cadê aquela cena?

Recordista de bilheteria e título mais comentado do momento entre os cinéfilos, It – A Coisa tirou rapidamente Stephen King da fossa do fracasso de A Torre Negra, aumentou a incidência de coulrofobia, apresentou ao mundo uma nova turma de crianças adoráveis, destruiu o verbo “flutuar” e deu uma vontade danada de pular 2018 para encontrar logo os personagens adultos em It – A Coisa 2. Calma. Que tal na verdade voltar à matéria-prima, o livro publicado por King em 1986, e conhecer as maiores diferenças entre o texto e o filme de Andy Muschietti? Caso não tenha visto ainda e não queira spoilers, pegue sua bike e vá embora.

A época

No livro a infância do Clube dos Otários é nos anos de 1957 e 1958, enquanto no longa o período é alterado para 1988 e 1989. Com isso a reaparição de Pennywise (Bill Skarsgård) e o reencontro da turma em It 2 se dará em 2016. O texto de King narra paralelamente os embates deles crianças e adultos contra o palhaço dançarino, mas a adaptação adotou a narrativa linear simples e as versões maiores dos personagens aparecerão apenas na sequência – os atores mirins, no entanto, estão confirmados pelo diretor em flashbacks.
Georgie

O público compreende o fim de Georgie (Jackson Robert Scott), mas seu corpo jamais é encontrado, o que deixa Bill Denbrough (Jaeden Lieberher) com uma melancólica esperança que acaba sendo usada contra ele pelo vilão. No livro o menino não é puxado para dentro do esgoto e sim morre mutilado na rua. Um vizinho até tenta socorrê-lo, sem sucesso.

Formas de Pennywise

Algumas aparições de Pennywise assumindo os maiores medos secretos dos meninos realmente ocorrem, porém as principais e mais eficazes são como criaturas assustadoras da sétima arte: o Lobisomem, o Tubarão, a Múmia, o Monstro da Lagoa Negra, Rodan, Drácula e Frankenstein. Além da necessidade de mais investimento em efeitos, a opção pelo uso dos monstros exigiria uma complicada negociação com a Universal, que tem os direitos de vários e está tentando criar o Universo Monstros.

Henry Bowers

Por incrível que pareça, Henry (Nicholas Hamilton) é ainda mais cruel na literatura. Além da perseguição racista a Mike (Chosen Jacobs) e dos cortes em Ned (Jeremy Ray Taylor), ele envenena o cachorro do primeiro, quebra o braço de Eddie (Jack Dylan Grazer) e agride Stanley (Wyatt Oleff). O relacionamento com o parceiro sociopata Patrick Hockstetter (Owen Teague) tem um lado sexual e seu pai também não é policial e sim um ex-militar racista e psicótico que agride a esposa. A queda de Henry no poço é outra novidade. No livro ele é preso ainda em 1958 pela série de mortes em Derry e foge em 1985 obcecado em assassinar todos os Otários, sob forte influência maligna de Pennywise. Eddie o mata em legítima defesa.

Ben e Mike

No longa o tímido Ben é o “rato de biblioteca”, cheio de mapas e recortes de jornal no quarto, mas no texto na verdade é Mike quem investiga o passado e apresenta aos colegas evidências da presença da “Coisa” em Derry há muito tempo. O diretor Andy Muschietti, no entanto, já confirmou que a versão amadurecida de Mike será um bibliotecário, indo de encontro às palavras de King. Único a ficar na cidade assombrada, o órfão será não apenas o guardião do conhecimento em relação às ações de Pennywise, como também o responsável por tentar encontrar uma maneira de derrotá-lo. Mais sombrio, o personagem terá sérios problemas com drogas na Parte 2, algo que não está na história original.

O auxílio

Maturin, a Tartaruga (personagem de A Torre Negra), uma das criadoras do universo e inimiga de It, ajuda Bill a entender como pode derrotar o vilão com o Ritual de Chüd. Nem o ser, nem o Ritual de Chüd, a tal batalha psíquica capaz de acabar com o palhaço, passaram do livro para o filme, porém o diretor já deu indícios de que essas informações serão usadas na sequência a partir de Mike, que vai tomar conhecimento do ritual em suas décadas de pesquisa.

A comunhão

Sem surpresa alguma, a passagem mais controversa do livro foi deixada de fora do longa. Enquanto estão perdidos no esgoto à procura da saída após o embate com Pennywise, Beverly (Sophia Lillis) toma a iniciativa de transar com os seis meninos numa orgia fortalecedora de laços idealizada para “relacionar a infância e a idade adulta”, de acordo com King. O grande momento de comunhão do grupo na tela é o pacto de sangue, a despedida com encontro marcado. A cena está no papel com uma diferença: é Stan e não Bill quem corta a mão dos amigos. Quem leu sabe o quanto esse detalhe é importante…

Taiani Mendes

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