Carlos Lima
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Cultura
Carlos Lima | Publicado em 05/10/2017 às 09:29:51

O RACISMO QUE DIZEM NÃO EXISTIR NO BRASIL

O RACISMO QUE DIZEM NÃO EXISTIR NO BRASIL Casa noturna Villa Mix entrada pessoas Brancas

Na última semana, a Justiça determinou que a casa noturna Villa Mix, na Zona Sul de São Paulo, pague uma indenização por danos morais de R$ 60 mil a uma ex-funcionária.

A autora da ação, que é negra, diz que a casa noturna a obrigava a restringir a entrada de pessoas de raça negra, pois não se enquadravam no perfil de frequentadores pré-estabelecidos.

A funcionária que trabalhou como hostess por dois anos na balada, era responsável por selecionar os frequentadores do estabelecimento.

“Nós recebíamos ordens da diretoria e dos donos das reuniões em relação a esse perfil que tinha que seguir como pessoas malvestidas, negras e que aparentavam ter baixo poder aquisitivo”, afirmou a ex-funcionária, de 26 anos.

Ao juiz, a casa noturna negou as afirmações de racismo e disse que a única restrição à entrada na casa noturna diz respeito ao vestuário, como uso de bermudas e sandálias.

No entanto, a funcionária conseguiu comprovar os crimes ao anexar ao processo as fotos das mensagens trocadas com um de seus chefes.

Em uma das imagens, um rapaz negro estava na pista da casa noturna, e o gerente pergunta: “Quero saber quem liberou?”. A ex-funcionária confirma que foi ela.

O homem ainda reclama que o frequentador pegou uma mesa na pista e encerra a conversa. “Não liberei, mas amanhã alinhamos isso”, disse.

Como funcionava
Segundo a funcionária, quando uma pessoa estava registrada na lista de entrada e se apresentava na porta do estabelecimento, ao ser constatado que era negra, cabia à hostess declarar que seu nome não estava lá.

“Suas ordens eram para autorizar somente pessoas que se enquadravam no perfil autorizado pela empresa, excluindo os negros. Mesmo quando havia reserva, se a pessoa fosse de raça negra, não era autorizada a entrar, havendo imediata exclusão na lista de reservas.

A empresa exercia rígida fiscalização quanto a isso, ressalvadas celebridades”, declarou na decisão o juiz Antonio José Fatia.

A mulher, que também é negra, ficava constrangida toda vez que precisava barrar alguém e sentia na pele o peso do preconceito.

“Me sentia invadida, sofria com o racismo também, várias vezes liberei pessoas sem autorização e fui cobrada por isso”, comentou.

“Fico indignada porque as pessoas continuam frequentando o local e não imaginam o que acontece ali.”

Mais preconceito
Desde 2015, o Ministério Público de São Paulo investiga outras denúncias de discriminação na Villa Mix. Segundo frequentadores, negros, obesos, pessoas humildes e consideradas feias são constantemente barrados na porta.

Em julho de 2016, a casa noturna havia assinado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público em que se comprometia a não realizar nenhum tipo de seleção com base em aparência, raça ou posição social para definir quem pode ou não frequentá-la.

cljornal informações de G1

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