Carlos Lima
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Cultura
Carlos Lima | Publicado em 19/09/2017 às 14:30:43

Os melhores momentos do Emmy 2017

Os melhores momentos do Emmy 2017 Stephen Colbert na apresentação do Emmy 2017. JEFF KRAVITZ

O número musical e o monólogo de abertura de Stephen Colbert, a aparição de Sean Spicer, a ira (ou não) de uma atriz depois que outra ganhou “seu” prêmio e, sim, muito sobre Donald Trump. Eis os momentos de maior destaque na cerimônia de entrega do prêmio Emmy 2017, que aconteceu na noite deste domingo, 17 de setembro, e consagrou as séries The Handmaid’s Tale e Big Little Lies.

Colbert canta e, é claro, não se esquece de Trump

Aquilo que ninguém esperava: que Stephen Colbertcomeçasse cantando na cerimônia dos Emmy no mais puro estilo de Billy Crystal ou Jimmy Fallon. “O futuro é sempre mais brilhante na televisão” é o refrão da canção, que contou com a presença de vários dos atores indicados este ano. E aí já apareceu a primeira estocada em Donald Trump, lançada por Julia Louis-Dreyfus interpretando seu personagem de presidenta dos EUA em Veep: “Imagine ter um presidente amado por nazistas”. Já ao vivo no palco, Colbert encerrou a canção com vários dançarinos, mulheres e homens, vestidos como as empregadas de The Handmaid’s Tale.

A canção foi seguida pelo monólogo de Colbert, que começou com a tradicional passagem das séries, programas e atores e seguiu com a primeira e aguardada tirada contra Trump (“Quero ver os tuítes esta noite”… “Donald Trump jamais ganhou um Emmy quando foi indicado.

Por que não fizeram isso? Não estaríamos aqui hoje. Ele jamais perdoará vocês”… “Ao contrário do que na presidência, os Emmy vão para o ganhador do voto popular”), a hackeada na HBO, a ausência de Game of Thrones, o auge das plataformas de streaming e uma homenagem a todas as pessoas que prestaram auxílio após a passagem do furacão Irma. “A maior estrela da televisão do ano foi Donald Trump… e Alec Baldwin [que o interpreta em Saturday Night Live]”.

Sean Spicer, em carne e osso

A primeira surpresa veio ao final do monólogo introdutório de Stephen Colbert, com o surgimento, no palco, do ex-secretário de imprensa da Casa Branca, Sean Spicer, que se tornou mais popular ainda por conta da imitação que Melissa McCarthy (presente na plateia) fez dele em Saturday Night Live. Colbert se perguntou quem poderia medir com precisão a audiência que a cerimônia estava tendo.

Foi quando Spicer apareceu, atrás de um púlpito presidencial, dizendo: “Esta é a maior audiência que os Emmy já tiveram. Ponto final”. Os presentes ao evento não acreditavam no que viam. O político parodiava a si mesmo. No início do Governo, Spicer criticara a imprensa por ter dito que não havia muita gente presente no ato de posse de Trump (pelo menos não tanta gente quanto havia na de Obama).

A suposta ira da derrotada

A atriz Jackie Hoffman esperava ganhar o prêmio de melhor atriz de minissérie ou tv movie (primeira indicação de sua carreira) pelo papel da secretária de Joan Crawford em Feud. Ao final, quem ganhou foi Laura Dern, por Big Little Lies. Portanto, nem ela nem sua colega de série, na mesma categoria, Judy Davis. Eis a reação que ela teve, enquanto exclamava “Droga! Droga!”:

Aparentemente, Hoffman já chegara à cerimônia de cabeça quente, tendo postado no Twitter comentários como “Laura Dern teve pais famosos. Desculpem-me por ser uma pessoa real #elitismo”. Depois de se ver derrotada, continuou a postar em sua conta brincadeiras que podem dar a entender que ela na verdade não tinha se irritado e que estava apenas brincando ou então que procurava corrigir um erro com aquela suposta reação ruim. “Ouvi dizer que Laura Dern pilhou obras de arte de vítimas dos nazistas”, dizia um outro de seus tuítes…

Alec Baldwin, o presidente na televisão

A vitória de Alec Baldwin na categoria de melhor ator coadjuvante de comédia por sua interpretação de Donald Trump em Saturday Night Live era tão esperada quanto o discurso que ele faria. E a frase que remetia ao presidente veio logo no começo dele: “Finalmente aqui está o seu Emmy, senhor presidente”. O programa que Donald Trump apresentava, tempos atrás, The Apprentice, chegou a ser indicado algumas vezes ao Emmy, mas nunca recebeu o troféu… E isso foi o suficiente para Baldwin.

Reencontro de 9 to 5 contra Trump

Depois de quase quarenta anos, o elenco da mítica comédia 9 to 5 voltou a se encontrar em público. Lily Tomlin, Dolly Parton e Jane Fonda (a primeira e a terceira estavam indicadas nesta noite também por suas atuações em Grace and Frankie) apareceram juntas no palco provocando fortes aplausos da plateia.

Elas apresentaram o prêmio de melhor ator coadjuvante de minissérie ou tv movie(conquistado por Alexander Skarsgard, por Big Little Lies) e não demoraram a atacar Donald Trump: “Em 1980, em 9 to 5, nós nos recusamos a ser controladas por um machista fanático, egocêntrico, mentiroso e hipócrita”, disse Fonda.

“E, em 2017, continuamos nos recusando a sermos controladas por um machista fanático, egocêntrico, mentiroso e hipócrita”, arrematou Tomlin. Parton comentou que estava ali para se sair bem: “Só espero que eu possa colocar um daqueles vibradores de Grace and Frankie no meu bolso esta noite”.

Discurso emocionante

Lena Waithe tornou-se a primeira mulher negra a receber um Emmy de melhor roteirista de comédia. Foi junto com Aziz Ansari (norte-americano de família de origem indiana) pelo episódio Ação de Graças da segunda temporada da comédia Master of None (Netflix).

O episódio, estrelado também pelos dois indicados, conta como o personagem Denise (Waithe) descobre ao longo dos anos (o espectador acompanha a evolução dos personagens sempre no dia da Ação de Graças) a sua sexualidade e como sai do armário perante seus amigos e, em especial, sua família. “Primeiro, agradeço a Deus, agradeço a minha mãe por ter inspirado esta história. Obrigado por criar este programa. Agradeço à minha namorada e à comunidade LGBT. É um programa cheio de amor. Obrigado por abraçarem este menino hindu e esta menina negra”, disse a atriz e roteirista.

 ÁLVARO P. RUIZ DE ELVIRA

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