Carlos Lima
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Sergio Jones
Sérgio Jones | Publicado em 28/09/2018 às 09:15:49

Bolsonaro e a sua operação Beco sem Saída/ Por Sérgio Jones*.

Bolsonaro e a sua operação Beco sem Saída/ Por Sérgio Jones*. Bolsonaro ia colocar bombas na ESAO

Matéria de autoria do jornalista Luiz Egypto, veiculada em 2011 no Observatório da Imprensa tira a lebre da cartola ao denunciar o racista e homofóbico deputado Jair Bolsonaro que no segundo semestre de 1987, fim da a ditadura e já sob o governo civil de José Sarney, período em que os índices sociais não era dos melhores, economia combalida em razão do fracasso do Plano Cruzado, inflação alta, onde grassava forte insatisfação nos quartéis devido à política de reajustes dos soldos dos militares.

O facínora Jair Bolsonaro, arquétipo de capitão do Exército da ativa, na época cursava a Escola Superior de Aperfeiçoamento de Oficiais (ESAO) e morava na Vila Militar, na Zona Norte do Rio.

Em setembro de 1986, assinara ele, artigo na revista Veja no qual protestava contra os baixos vencimentos dos militares.

Por isso o indigitado militar foi preso.

A sua punição provocou protestos de mulheres de oficiais da ativa – que, ao contrário dos maridos, podiam sair em passeata sem correr o risco de serem presas.

Como todo “bom fascista” rapidamente tornou-se fonte da revista Veja, órgão de imprensa não menos fascista.

No início de 1987 a repórter Cassia Maria foi destacada para repercutir o ocorrido. No local conversou com Jair Bolsonaro, que estava acompanhado de outro capitão e da mulher deste.

Em sigilo, a mulher do militar contou à repórter – e depois Bolsonaro e seu colega confirmaram – que estava sendo preparado um plano batizado de “Beco sem saída”.

O objetivo era explodir bombas de baixa potência em banheiros da Vila Militar, da Academia Militar de Agulhas Negras, em Resende (RJ), e em alguns quartéis.

A intenção do militar delinquente e insubordinado era externar a clara insatisfação da oficialidade com o índice de reajuste salarial que seria anunciado dentro de poucos dias.

E com a política para a tropa do então ministro do Exército Leônidas Pires Gonçalves – que teria sua autoridade seriamente arranhada com os atentados:

“Serão apenas explosões pequenas, para assustar o ministro. Só o suficiente para o presidente José Sarney entender que o Leônidas não exerce nenhum controle sobre a tropa”, ouviu a repórter de Ligia, mulher do colega de Bolsonaro, identificado com o codinome de “Xerife.”

A repórter havia apurado uma bomba.

O único ato consciente ou inconsciente da famigerada revista foi em romper o silêncio e quebrou o pacto de sigilo com a fonte.

Segundo consta a história toda foi contada nas páginas 40 e 41 da edição 999 (de 27/10/1987) da revista.

A repórter anotou em seu relato:

“‘Temos um ministro incompetente e até racista’, disse Bolsonaro a certa altura. ‘Ele disse em Manaus que os militares são a classe de vagabundos mais bem remunerada que existe no país. Só concordamos em que ele está realmente criando vagabundos, pois hoje em dia o soldado fica o ano inteiro pintando de branco o meio-fio dos quartéis, esperando a visita dos generais, fazendo faxina ou dando plantão’.

Perguntei, então, se eles pretendiam realizar alguma operação maior nos quartéis. ‘Só a explosão de algumas espoletas’, debochou Bolsonaro. Depois, sérios, confirmaram a operação que Lígia chamara de Beco sem Saída. ‘Falamos, e eles não resolvem nada’, disseram. ‘Agora o pessoal está pensando em explorar alguns pontos sensíveis.

O candidato meliante sem demonstrar qualquer tipo de sentimento digno de um ser humano, detalha de forma minuciosa sobre como construir uma bomba-relógio. O plano dos oficiais era manifestar a insatisfação com os salários e criar problemas para o ministro Leônidas.

Demonstrando um elevado grau de instabilidade emocional, o capitão pediu a repórter para que a mesma não publicasse nada sobre a conversa mantida entre eles. Tentando manter a verdade dos fatos, prática muito comum que sempre tem norteado a sua sórdida vida recheadas de complexos e sentimento de culpa. Protágoras pregava: Ser o homem a Medida de todas as coisas. Conceito que não se aplica a este fascista dos trópicos,

Sérgio Jones, jornalista (sergiojones@live.com)

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