Carlos Lima
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Religião
Carlos Lima | Publicado em 27/07/2017 às 17:51:00

China fecha cerco contra igreja que acredita que Jesus reencarnou em uma mulher

China fecha cerco contra igreja que acredita que Jesus reencarnou em uma mulher Imagem de divulgação da Igreja do Deus Todo-Poderoso. ©THE CHURCH OF ALMIGHTY GOD

A polícia chinesa prendeu na quarta-feira 18 pessoas que supostamente fazem parte de um culto religioso proibido no gigante asiático e que é perseguido pelas autoridades. É a Igreja do Deus Todo-Poderoso, uma religião que nasceu no início dos anos noventa na China e que acredita que Jesus reencarnou em uma mulher chinesa “para salvar o mundo do apocalipse”.

As prisões ocorreram no condado de Changxing, na província oriental de Zhejiang, depois de uma investigação conduzida pelas forças de segurança, segundo a agência oficial de notícias Xinhua. A polícia apreendeu vários laptops e livros “usados pelo culto para disseminar informações”.

Conhecido em mandarim como Quannengshen, as atividades do grupo provocaram uma rejeição em massa entre a opinião pública quando, em 2014, um vídeo nas redes sociais mostrou cinco membros da igreja espancando uma mulher de 35 anos até a morte em um restaurante de fast-food, depois que ela se recusou a dar-lhes seu número de telefone.

Após o incidente, vários integrantes foram presos e dois condenados à morte, sendo executados pouco depois. No julgamento, os réus alegaram que a vítima “estava possuída por um espírito maligno”. “Era um demônio e tínhamos que acabar com ela”, disse uma das condenadas.

Há apenas uma pessoa que alega ter contato com a mulher que, de acordo com a igreja, seria Jesus reencarnado. Trata-se de Zhao Weishan, um homem nascido na província de Henan que fundou a religião há mais de 25 anos e vive atualmente nos Estados Unidos. Representantes exilados da Igreja do Deus Todo-Poderoso criticaram em várias ocasiões o Partido Comunista da China, acusando-o de perseguição por razões políticas. Em seu site, a igreja relata que as autoridades torturaram vários de seus integrantes.

Segundo a polícia chinesa, o financiamento da igreja depende principalmente de doações de seus membros. “Quanto maior o o valor, mais direitos a pessoa consegue dentro do grupo e pode subir posições”, disseram as autoridades citadas pela agência Xinhua.

Pequim, mesmo antes do incidente em 2014, argumenta que a organização é ilegal porque “isola os membros de seus familiares e amigos e os pressiona para que doem dinheiro em troca da salvação”. Centenas de pessoas foram presas em operações policiais em todo o país nos últimos anos por supostamente fazer parte do grupo.

“Cada um dos membros estava disposto a doar dinheiro, e as quantidades variavam de 10.000 yuans (cerca de 4.700 reais) até dezenas de milhares de yuans”, disse Dong Jianfeng, chefe da polícia do condado. “Alguns de seus parentes sofreram infelizes acidentes e muitos estão deprimidos.”

A China garante, no papel, a liberdade religiosa de seus cidadãos, mas tem uma lista de cultos proibidos que não são controlados pelo Partido Comunista. Entre eles está também o Falun Gong, uma seita com milhares de seguidores, principalmente no exílio, que se define como uma “prática espiritual”, mas que Pequim chama de “seita satânica”.

XAVIER FONTDEGLÒRIA

 

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