Carlos Lima
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Ciências
Carlos Lima | Publicado em 14/10/2019 às 08:38:28

Cientistas estão em busca de sinal que poderia explicar Universo de hoje em dia.

Cientistas estão em busca de sinal que poderia explicar Universo de hoje em dia. © Foto / ESA/Hubble, NASA, M. Kornmesser

Para espreitar origens do Universo, algumas centenas de milhões de anos depois do Big Bang, quando as primeiras estrelas brilhavam, pesquisadores precisam detectar sinais provenientes de átomos de hidrogênio neutros antigos.

No entanto, átomos de hidrogênio neutros antigos são tão fracos que acha-los representa um desafio muito difícil.

Telescópios nos lugares mais remotos da Terra estão escaneando o céu, tentando descobrir o chamado sinal neutro de hidrogênio, também conhecido como o sinal de 21 centímetros, que veio dos átomos mais simples e mais antigos do Universo há 12 bilhões de anos, segundo relata Vice.

“Sabemos que o hidrogênio neutro está lá, assim que o sinal neutro de hidrogênio também deve estar lá”, explicou o pesquisador Leon Koopmans, que coordena a busca pelo sinal furtivo com utilização do telescópio de rádio LOFAR.

Existem várias equipes ao redor do globo caçando esses “mensageiros” dos tempos misteriosos do início da Época de Reionização entre as idades escuras cósmicas, desprovidos de luz estelar, e o Universo moderno de hoje com estrelas e galáxias.

Há uns 500 milhões de anos, acredita-se que o Universo tenha sido feito de matéria escura e energia escura que agora sabemos que se materializou. Os pesquisadores que estão tentando detectar e decifrar sinais de átomos neutros de hidrogênio buscam lançar luz sobre o tempo e as origens dos componentes do nosso Universo e entrar para a história da ciência, tornando-se, assim, possíveis candidatos ao Prêmio Nobel.

No entanto, esta não tem sido uma tarefa fácil, pois o sinal antigo é interferido por galáxias, estrelas, nebulosas e gadgets na Terra. Como Koopmans aponta, a energia emitida pelos átomos antigos é até um milhão de vezes mais fraca do que outros ruídos.

“Toda a energia já coletada por um radiotelescópio, como o LOFAR, não excede a de um floco de neve caindo na Terra. A energia emitida pelo sinal neutro de hidrogênio ainda é 100 mil vezes menor do que isso”, acrescentou.

Os cientistas há décadas estão sugerindo que o sinal neutro de hidrogênio poderia ser útil para reconstruir a chamada aurora cósmica, mas quando os objetos do nosso Universo se formaram, os avanços tecnológicos possibilitaram a pesquisa há cerca de dez anos.

O superterp do radiotelescópio LOFAR, cinco estações que compõem o núcleo central

CC BY 3.0 / LOFAR / ASTRON // O “superterp” do radiotelescópio LOFAR, cinco estações que compõem o núcleo central

Além do LOFAR, construído em 2012, com pequenas antenas nos Países Baixos, Alemanha, Reino Unido, França, Suécia e Irlanda, há também o radiotelescópio Murchison Widefield Array (MWA) na Austrália, que foi concluído em 2012, que partilha a localização com a Experiment to Detect the Global EoR Signature (EDGES).

A EDGES produziu “as provas mais promissoras para uma detecção de 21 centímetros até agora”, relatou Judd Bowman, um cosmlogista experimental da Universidade do Estado do Arizona.

Ele revelou que a versão da próxima geração deste instrumento, EDGES-3, está prevista para ser lançada em 2020 para continuar a pesquisa. No final da década de 2020, o Square Kilometre Array (SKA), chamado de mãe de todos os telescópios, deverá começar a funcionar, vindo a se tornar uma das maiores missões de sondagem de período misterioso, pois será um observatório intercontinental, composto por milhões de antenas de rádio na África do Sul e na Austrália.

Sputnik

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