Carlos Lima
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Ciências
Carlos Lima | Publicado em 17/11/2017 às 16:34:47

Conheça os mais potentes socos e chutes da natureza

Conheça os mais potentes socos e chutes da natureza Lagosta-boxeadora tem o "soco" mais potente já registrado pela ciência. Foto: Naturepl.com

Nomes como Muhammad Ali e Mike Tyson eram bons de soco, mas há animais que poderiam dar-lhes uma surra.

É na natureza que encontramos os grandes lutadores de vários estilos e com garra invejável. Afinal, seus campeões lutam por bem mais que glória: lutam pela sobrevivência.

E os bichos mais capazes de bater forte podem ser uma surpresa, e não apenas por causa de habilidade e velocidade.

O “punho” mais rápido conhecido pela ciência, por exemplo, é o do camarão-mantis, também conhecido no Brasil como lagosta-boxeadora. Ela usa um par de “braços” para acertar suas presas com uma potência surpreendente, capaz de gerar calor, luz e som.

Algumas espécies deste crustáceo criaram apêndices para arpoar suas vítimas, e outras desenvolveram uma espécie de tacape. O camarão já quebrou vidros de aquários com um único golpe.

Segundo um estudo da Universidade de Duke, capitaneado por Sheila Patek, há camarões-mantis capazes de gerar uma força equivalente a quase 2,5 mil vezes seu peso em menos de 800 microssegundos. Patek, cujo laboratório na universidade se especializou em estudar os movimentos velozes de animais, explica que o segredo está na arquitetura dos crustáceos.

“Eles funcionam como arqueiros. Armazenam energia elástica antes de disparar”.

Sua equipe também observou que os camarões também lutam “por esporte” como parte de disputas territoriais. Mas nas raras ocasiões em que chegam às vias de fato, os camarões “enrolam” sua carapaça blindada para proteger seu abdômen. Assim como em Rocky, o Lutador, ganha quem consegue resistir ao maior número de socos.

Patek também estudou um tipo de formiga, a formiga-de-estalo, capaz de fechar sua mandíbula com incrível velocidade. Elas também praticam um tipo de boxe, usando suas antenas como punhos para determinar as relações de poder em seu ninho. Em um estudo de 2016, pesquisadores usaram câmeras de alta-velocidade para gravar as lutas.

E perceberam a rapidez: uma espécie de formiga-de-estalo que vive no Estado americano da Flórida, a Odontomachus brunneus, golpeou seu oponente 41,5 vezes por segundo. Os cientistas se gabaram de terem filmado “as mais rápidas boxeadoras da história”.

Entre mamíferos, os mais “brigões” são as lebres-marrons (Lepes europaeus). Frequentemente lutam na primavera, que marca o começo da estação de acasalamento. Tal ritual deu origem à expressão inglesa “maluco como uma lebre de março”.

Acreditava-se que apenas machos lutavam, usando as patas dianteiras para socar adversários. Porém, trabalhos mais modernos mostraram que as lutas volta e meia começam quando fêmeas resolvem usar os punhos para se defender de machos mais insistentes no acasalamento.

Na Austrália, cangurus machos também lutam para fazer sexo. Na cidade de Alice Springs há uma atração em santuário para marsupiais: Roger, um canguru que viralizou na internet por amassar baldes de ferro com suas “bordoadas”.

Estudo 2013 concluiu que o “muque” dos machos é resultado da seleção sexual. Eles trocam tapas e empurrões em disputas por parceiras e músculos fortes acabam sendo vantagem. Mas é no kickboxing que os cangurus realmente brilham. Com uma “gravata” no oponente, um canguru consegue usar suas pernas, equipadas com garras afiadas, para agredir.

E o que falar de coices? Quem já passou tempo com cavalos sabe que eles podem dar um “chute poderoso”, especialmente se dado com as duas patas traseiras. Há o rumor de que zebras têm um coice mais poderoso, mas a evidência que sustenta isso é puramente anedótica. O fato de que zebras são mais difíceis de domar que cavalos pode estar do trás do mito.

Tim Caro, da Universidade da Califórnia, dedicou boa parte de sua carreira acadêmica a estudar zebras – e até se vestiu como uma para observá-las na vida selvagem. Em seu livro de 2016, Zebra Stripes, ele mostra como zebras lidam com predadores. Elas, por exemplo, dão coices em leões, embora não haja registro científico de coices fatais.

Avestruzes e girafas também contam com patas fortes. Ambos já foram vistos acertando – e ferindo – predadores maiores.

Mas esses são movimentos de defesa que têm a intenção de repelir, não de matar. Embora possa ser tentador pensar em quebrar ossos, esses animais pensam muito mais em arrumar uma distração para conseguir uma chance de escapar.

Para golpes mortais, precisamos procurar predadores. Em especial aqueles com dietas mais complicadas.

Na África Subsaariana, por exemplo, há o pássaro-secretário, que cientistas já apelidaram, de “águia ninja sobre pernas de pau”. À distância, parece apenas uma ave meio ridícula, mas ela se alimenta de cobras venenosas, matando-as com uma única pancada na cabeça. No ano passado, cientistas mediram a habilidade de chute de um macho. Descobriram que o pássaro-secretário poderia dar patadas seis vezes mais pesadas que sua massa corporal em um décimo do tempo que levamos para piscar.

O mesmo estilo de luta pode ter sido usado pelos pássaros-do-terror – aves pré-históricas enormes que não voavam e viviam na América do Sul. Análises de fósseis sugerem que eles tinham pernas bastante fortes, e cientistas acreditam que eles tinham chutes poderosos, capazes de quebrar os ossos da presa em busca do nutritivo tutano.

Ao contrário do que dizia Muhammad Ali, é melhor esquecer essa história de flutuar como uma borboleta ou ferroar como uma abelha. Melhor é bater como um camarão e chutar como um pássaro!

Ella Davies

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