Carlos Lima
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Reportagem Especial
Carlos Lima | Publicado em 08/12/2017 às 18:25:36

Maçonaria: a questão da regularidade e irregularidade

Maçonaria: a questão da regularidade e irregularidade A regularidade

“Há uma lenda urbana que assim diz: Se não for Grande Oriente do Brasil – GOB; Confederação Maçônica do Brasil – COMAB, ou Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil –CMSB, além de não ser reconhecido como maçom, pode ser prejudicado pelos reconhecidos.”

Não sei se é verdade, mas posso afirmar que tantos os Maçons da Grande Loja Maçônica Arquitetos de Aquário – GLADA e da Grande Loja Unida Sul Americana – GLUSA, não regulares são excelentes Maçons, (não reconhecidos) muitos até mais que alguns reconhecidos.

Sem citar outros grupos considerados irregulares por fata de uma pesquisa mais profunda.

Um verdadeiro Maçom tem conhecimento pleno que a Ordem existe ao longo de séculos alicerçada pela sua unidade em torno de uma mesma lei e um objetivo inexaurível.

Já pensou se qualquer Maçom que apresente descontentamento com a Ordem, ou outros irmãos, resolva por conta própria fundar uma Loja “diferente”, realizando mudanças e alterações conforme suas próprias ideias e vontades.

Em pouco tempo a Maçonaria seria uma colcha de retalhos, desfigurada na sua essência e princípios filosóficos.

Com isso não estou afirmando que esse fato não tenha acontecido ao longo da história da Ordem. Mesmo porque a existência de lojas irregulares prova o exposto.

O reconhecimento é aquele onde o Maçom é aceito em qualquer parte do mundo. Desta forma a regularidade da Maçonaria é uma condição fundamental para que exista unidade e singularidade.

O surgimento dos irregulares, na maioria das vezes teve como origem as divergências internas e as disputas de poder.

 No entanto para melhor entender o significado de Regularidade, precisamos voltar ao início. Época da chamada Maçonaria Operativa e posteriormente Especulativa.

Um pouco da história.

No séc. XVI, alquimistas ingressaram com um grupo de amigos teólogos,  o ano era 1646.

A partir daí, por iniciativa dos novos membros, organizou-se uma sociedade, cujo objetivo era a construção do Templo de Salomão, templo ideal das ciências.

Primitivamente havia na hierarquia maçônica apenas os graus de aprendiz e companheiro, pois que o Mestre era somente o encarregado da direção de uma construção.

Em 1664, foi criado o grau de Mestre por Elias Ashmole, formando assim a base definitiva das hierarquias maçônicas.

Posteriormente, a Maçonaria tomou grande impulso na Inglaterra quando se operou grande transformação orientada por Jacques Anderson, presbítero londrino, diplomado em filosofia, e Desagulliers, de origem francesa, grão mestre inglês, eleito em 1719.

Em 1723 foi aprovado o Livro das Constituições maçônicas, revisto por Jacques Anderson.

Sendo chamado de Constituição de Anderson, tornou-se em pouco tempo a Carta da maior parte das lojas.

Propagavam uma doutrina, sobretudo humanitária, deísta espiritualista, aberta a todos os cristãos, qualquer que fosse a sua seita, e leal aos poderes públicos.

Seus símbolos mais conhecidos, até mesmo pelo observador mais desatento, são os instrumentos do pedreiro: o esquadro, o compasso, o prumo, a régua, o nível, etc.

Esta é a Maçonaria REGULAR. Ou seja, se pegarmos o histórico do Tio Marcelo, vamos voltando no tempo nas iniciações de Venerável Mestre em Venerável Mestre até chegarmos ao Mr. Anderson.

Porém, ao longo dos séculos, devido a Vaidades humanas, disputas por poder, brigas e expulsões, acabaram sendo criadas maçonarias chamadas “irregulares”, o que não significa que elas sejam nem melhores nem piores…

Algumas lojas maçônicas irregulares foram formadas por Maçons do graus 33 que detinham todos os conhecimentos dos ritos, mas não fazem mais parte da “Linhagem”. A Prince Hall, por exemplo, que foi formada por ex-escravos e não foram reconhecidos na época e, por algum motivo, preferiram continuar independentes até hoje).

Outras são lojas que seguem o padrão de Iniciações mas que nada tem a ver com seus ritos (entre elas fraternidades estudantis Alfa-beta-gamas da vida e o Skull and Bones), temos lojas mistas, femininas ou que permitem a entrada de mulheres. E algumas que podem até mesmo ser organizações criminosas que seguem a estrutura iniciática (Yakusa, P2, Máfia…).

Aqui no Brasil temos até estelionatários passando golpes com o nome de maçonaria. Será que alguns de vocês nunca receberam um e-mail “entre para a maçonaria?”.

Se receberem, fujam: é golpe na certa!

Uma loja irregular pode se regularizar… para isso, existe uma cerimônia chamada Regularização, onde os membros da loja XYZ são recebidos por um Venerável Mestre e encaixados novamente na “Grande Árvore”, e o oposto também pode acontecer… uma loja XYZ ser expulsa e tornar-se irregular.

 

Carlos Lima ARLS – Estrela da Paz n°10 – GOBA – matéria e pesquisa

 

 

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