Carlos Lima
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Religião
Carlos Lima | Publicado em 10/01/2018 às 15:48:24

Mais de três mil cristãos mortos num ano devido às suas crenças

Mais de três mil cristãos mortos num ano devido às suas crenças ois terços das mortes ocorreram na Nigéria- EPA/MOHAMMED SABER

Mais de 3.000 cristãos foram mortos em todo o mundo entre novembro de 2016 e outubro de 2017 devido às suas crenças, uma subida de 154% em relação ao ano anterior, indicou hoje a organização Missão Portas Abertas.

No seu relatório “índex 2018”, a organização lista os “50 países onde os cristãos são mais perseguidos”, dando conta de 215 milhões de pessoas vítimas de um grau de perseguição “forte a extremo”, ou seja, um cristão em cada 12.

De 1 de novembro de 2016 a 21 de outubro de 2017, pelo menos 3.066 cristãos foram mortos por razões relacionadas com as suas crenças, mais 154% do que na classificação de 2017 (1.207 mortos). O índex 2016 dava conta de 7.106 mortos.

Dois terços das mortes (cerca de 2.000) ocorreram na Nigéria, refere a Missão Portas Abertas no relatório.

A Coreia do Norte aparece pela 17.ª vez no primeiro lugar da lista anual, com base em indicadores que medem a violência, mas também uma opressão quotidiana mais discreta.

É seguida pelo Afeganistão, Somália, Sudão, Paquistão, Eritreia, Líbia, Iraque, Iémen, Irão e Índia, o último país dos classificados como de “perseguição extrema”.

Globalmente, a situação piorou pelo quinto ano consecutivo, com o indicador “perseguição” a aumentar 1,13% em 12 meses e 2,22% para as formas mais violentas de opressão.

“O recuo dos grupos extremistas não significa o declínio da perseguição”, assinala a Missão Portas Abertas.

Referindo por exemplo que, no Iraque, a derrota militar dos sunitas radicais do grupo Estado Islâmico não impede “discursos de ódio” anticristão em “mesquitas radicalizadas” e em meios xiitas.

O número de igrejas atingidas (fechadas, atacadas, danificadas…) diminuiu: 793 entre novembro de 2016 e outubro de 2017, contra 1.329 no ano anterior.

“Esta diminuição é uma boa notícia, que se explica em parte pelo facto de as igrejas serem mais bem guardadas pela polícia no Paquistão”, disse Michel Varton, diretor da Portas Abertas França, à agência France-Presse.

A melhoria não impediu o ataque contra uma igreja metodista em Quetta (sudoeste do Paquistão) em dezembro, que matou pelo menos oito pessoas e feriu várias dezenas.

Com 168 igrejas atingidas e 110 cristão detidos (em 1.922 em todo o mundo), o Paquistão é um dos países onde a situação é mais preocupante.

África “continua a ser o continente mais violento para os cristãos”, mas a organização também está preocupada com o “nacionalismo religioso” que “se instala e se fortalece” no sudeste da Ásia.

É o caso na Índia, “onde os extremistas hindus agem com impunidade”, ou na Birmânia, onde qualquer conversão ao cristianismo é mal vista pelos monges budistas mais radicais, refere a Missão Portas Abertas.

DN/Lusa

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