Carlos Lima
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Reportagem Especial
Carlos Lima | Publicado em 31/10/2015 às 19:32:48

NOS BASTIDORES DA MAÇONARIA VIII

Falando sobre iniciação

NOS BASTIDORES DA MAÇONARIA VIII Iniciação Maçonaria Universal

Somos reservados, temos razões para isso. Vamos iniciar o trabalho da seguinte forma:

Após fazer a retirada de todos os metais que estavam em seu poder, o profano é levado à Câmara das Reflexões.

Nesse momento ele não deve estar portando nenhum instrumento que lhe ofereça qualquer tipo de recurso financeiro e poder.

Para o neófito, isso significa que ele foi privado de luxo, das ambições e deve considerar o dinheiro como um meio e não como um fim.

A Câmara das Reflexões é um lugar lúgubre, paredes negras, esqueletos, cabeças de morotos e lágrimas.

No ambiente também se pode ver desenhos de um galo, uma foice e uma ampulheta.

O galo é símbolo da vigilância: “sou eu quem desperta o dia; portanto te cuida, procura tornar-se o mais perfeito possível”.

O símbolo da foice é ainda o pensamento da morte.

A ampulheta foi o primeiro relógio, diz a aquele que chega: “O tempo passa ainda mais depressa do que a minha areia; sê perseverante em tua ação; sabes quanto tempo tens para concluir tua tarefa?”

Da Câmara o profano sai despido de uma parte de suas vestimentas. Por quê?

Inicialmente lembra que o ser humano deve ser despido da vaidade. Ele é pó e em pó um dia há de se tornar, conforme afirma as Escrituras Sagradas. É o emblema do operário, do trabalhador.

Lembra também o trigo dos mistérios de Eleusis. O grão de trigo, ao morrer na terra, perde sua casca. Assim, o neófito deve morrer para a vaidade, para o vício, para o orgulho, para as ambições deletérias.

Ele como o grão de trigo, vai começar um novo ciclo de vida: tem de renunciar grande parte de sua vida e vai ser um  elemento produtivo para a sociedade.

Eis, em síntese, o significado do simbolismo do despojamento de uma parte das vestimentas.

O coração descoberto significa que o Maçon deve ser franco e leal.

O seu braço descoberto significa que ele deve ser trabalhador livre e honesto na obra comum.

O joelho direito é o que dobra e toca o chão em sinal de adoração.

Quanto ao pé esquerdo, descalço, remota às origens orientais da Ordem. Os orientais se descalçavam para entrar em seus templos. Acontece que a Maçonaria, atualmente, não segue esse rigor da prova. O neófito apenas substitui o sapato por uma sandália humilde.

O neófito entra na Loja de olhos vendados. Esse simbolismo é mais adequado quando se deseja a luz do novo conhecimento e das novas experiências.

Ele está ingressando numa comunidade que lhe é inteiramente desconhecida. Se ao passar pelas provas, resolver desistir será retirado do ambiente sem nada ter visto.

Também simboliza que na vida nos debatemos às cegas e que nada conseguiremos sem o auxílio dos mais experientes na luta da existência.

Pois bem meus irmãos e meus amigos, o que existe de segredo intransponível na iniciação? Responda-me, a luz desse simbolismo, se pode ter cabimento a crítica zombeteira e falsa que algumas pessoas fazem à Maçonaria.

Vamos, digam, estou aguardando onde está à prática excêntrica, a prática diabólica?

Não esqueçam que ritos são praticados em todas as religiões e o simbolismo é típico da humildade que rebate o orgulho e a perfídia.

Esse é o espírito do verdadeiro Maçon. Porém não nos esqueçemos que também podemos encontrar na irmandade, os nossos Judas.

Carlos Lima

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