Carlos Lima
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Ciências
Carlos Lima | Publicado em 12/11/2019 às 08:20:52

Origem da vida: cientistas apostam no fundo do oceano e propõem vasculhar luas de dois planetas.

Origem da vida: cientistas apostam no fundo do oceano e propõem vasculhar luas de dois planetas. Origem da vida: cientistas apostam no fundo do oceano e propõem vasculhar luas de Júpiter e Saturno. Foto: © Sputnik / Roman Denisov

De onde veio a vida? Nos últimos anos, muitos cientistas estão deixando de lado a ideia de “sopa primordial” para desenvolver a tese de que a origem da vida está nas fontes hidrotermais localizadas nas profundezas do oceano.

Mas um dos maiores problemas dessa tese é que os pesquisadores não conseguiram recriar em laboratório esse ambiente e, por isso, não conseguem provar a hipótese.

Especificamente, os cientistas não são capazes de formar membranas celulares simples em condições semelhantes às do mar, o que teria sido indispensável para o surgimento dos primeiros organismos vivos.

Mas um artigo recentemente publicado na revista Nature Ecology and Evolution provou que, mesmo que conseguíssemos recriar essas membranas, as condições dos oceanos de 4,5 bilhões de anos atrás eram muito diferentes das atuais.

Na época, a Terra não parecia tanto um mar de lava, como se acreditava anteriormente, mas provavelmente um grande oceano, com algumas pequenas ilhas rochosas aqui e ali.

Mas não se tratava do oceano que conhecemos hoje. Ele era mais quente, mais ácido e rico em ferro do que o atual. Tudo indica que a atmosfera não continha oxigênio: era formada sobretudo por carbono e nitrogênio.

Não havia ainda vida, mas nas profundezas do oceano um milagre estava próximo de ocorrer.

 

Mergulhador nas águas do oceano Pacífico olhando para corais (imagem referencial)

Mergulhador nas águas do oceano Pacífico olhando para corais (imagem referencial) © AP PHOTO/ NOAA/BERNARDO VARGAS-ANGEL

 

Substâncias químicas quentes subindo do fundo do oceano possibilitaram uma reação química entre hidrogênio e dióxido de carbono, produzindo algumas substâncias orgânicas simples. Essas moléculas orgânicas reagiram de forma a criar outras, cada vez mais complexas. Até que finalmente criaram moléculas capazes de carregar DNA. Essas teriam sido as primeiras moléculas a crescer, se dividir e evoluir.

Essa é uma das explicações sobre como a vida surgiu na Terra. Existem várias outras teorias sobre como e aonde a vida começou, inclusive as que se baseiam na ideia de “sopa primordial”, ou a de que tudo teria começado em uma geleira, ou mesmo no espaço sideral.

Recriar a vida em laboratório?

Para testar essas teses, os cientistas buscam reproduzir algumas das condições existentes no momento da gênese da vida em laboratório. Essa reprodução é, atualmente, um dos maiores desafios dos cientistas.

O autor do artigo explica: “Não estamos tentando recriar a vida (..) muitas vezes não conseguimos definir nem mesmo o que é a vida, mas uma coisa com a qual a maioria concorda é que o primeiro organismo vivo teria um membrana plasmática”.

Uma membrana plasmática é uma estrutura que delimita todas as células vivas. Ela é a responsável por separar o meio intracelular, o citoplasma, do ambiente extracelular. Essa membrana age como um filtro, que seleciona do meio exterior elementos necessários para o metabolismo celular.

A descoberta dos autores aponta que as células primordiais necessitavam das condições criadas pelas fontes hidrotermais para sobreviver. Apesar de isso não provar definitivamente que a vida surgiu nas fontes hidrotermais, torna a hipótese muito mais provável.

A descoberta é muito relevante para a busca de vida em outros planetas, uma vez que agora sabemos aonde devemos procurá-la. Os autores do artigo argumentam que a vida pode estar escondida nas fontes hidrotermais alcalinas escondidas no fundo dos oceanos das luas geladas de Júpiter e Saturno.

 Sputnik

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