África tem maior levante da história contra cúpula da Igreja Universal

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EVANTE DE FIÉIS CONTRA CONTRA A IURD EM SÃO TOMÉ

Os frutos do plano de expansão para o exterior da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) não se multiplicaram por milagre.

Eles foram resultado de um planejamento cuidadoso, posto em prática a partir da década de 80 pelo bispo Edir Macedo, que exportou o modelo de atuação da Iurd para cinco continentes.

Atualmente, a instituição tem cerca de 2 800 templos espalhados por mais de 100 países. (…)Nos últimos meses, no entanto, a grande presença dos religiosos brasileiros começou a ser posta em xeque em algumas nações da região e o quadro evoluiu para uma grande crise internacional.

(…) O estopim da confusão foi aceso em 9 de setembro, quando ocorreu a prisão na Costa do Marfim do pastor são-tomense Iudumilo da Costa Veloso, de 37 anos, que faz parte dos quadros da Universal há duas décadas.

Segundo ele, a própria igreja o denunciou por difamação, atribuindo-lhe a autoria de um perfil no Facebook que fazia denúncias contra as lideranças brasileiras da Iurd por discriminação e humilhação de pastores africanos, por obrigá-los a esterilizar-se para se dedicarem integralmente à causa de Edir Macedo e por enviarem ilegalmente ao Brasil dinheiro de dízimos e doações levantado em países africanos.

Em menos de duas semanas, o pastor foi julgado e condenado, sem direito a defesa.

Acabou indo para uma das piores prisões da Costa do Marfim, Maca, em Abidjan. Lá, ficou numa cela com mais de 100 detentos, pegou malária e foi ameaçado de morte.

“Não existe nada pior no mundo, e olha que já vivi no meio da pobreza e da guerra. Estava cercado por drogados e assassinos. Fui agredido três vezes por prisioneiros que queriam roubar o meu dinheiro. Quando nos deitávamos, só tinha espaço para encostar um lado do corpo. Eu pensava a todo tempo que não iria escapar daquele inferno”, disse Iudumilo a VEJA. Ele saiu da prisão há uma semana, depois de uma forte campanha popular em seu país.

Diante da revolta, o Congresso Nacional do país entrou em cena, criou uma CPI para investigar o caso e ameaçou a Universal de expulsão caso não resolvesse o problema do pastor.

A igreja terminou cedendo, retirou a queixa e Iudumilo foi libertado após 45 dias de cárcere.

“São Tomé é conhecido como o país mais pacífico da África, nunca tivemos um protesto dessa dimensão”, afirma a advogada Celiza de Deus Lima, defensora do pastor.

“Isso acontece não só por solidariedade, mas porque há um sentimento na sociedade de repúdio à forma como a igreja explora a fragilidade dos mais pobres”. (…)

No maior levante visto até agora contra a hierarquia da igreja comandada com mão de ferro por Edir Macedo, 330 pastores da Universal em Angola divulgaram uma carta-manifesto em que anunciam o rompimento com o bispo e a cúpula brasileira, por acusações semelhantes às que provocaram revolta em São Tomé.

Agêmcia STP-Press

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