Carlos Lima
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Economia
Carlos Lima | Publicado em 30/11/2017 às 12:36:12

American Enterprise Institute: A ameaça do Brasil à economia global

American Enterprise Institute: A ameaça do Brasil à economia global Lachman diz que última coisa que a economia precisa é de um país como o Brasil saindo de controle

Desmond Lachman, do American Enterprise Institute, escreveu um artigo no portal da instituição sobre os perigos de um descontrole das contas do Brasil para o restante do mundo. Além de dar destaque à “precariedade das finanças públicas brasileiras”, ele ressalta o efeito das investigações contra o presidente Michel Temer e integrantes de sua equipe, além da realização de eleições em 2018, para a avaliação do mercado sobre o país.

Para Lachman, há muitos exemplos de “exuberância irracional” nas economias de mercado emergentes. No entanto, considerando o tamanho e os riscos políticos a serem enfrentados no ano que vem, a economia emergente que poderia representar a maior ameaça à recuperação econômica global é o Brasil, “de longe a maior economia da América Latina”.

Embora o país tenha registrado queda do dólar em relação ao real, a verdade, ressalta, é que “o Brasil permanece no meio  de um grande escândalo de corrupção centrado na Petrobras”. “Este escândalo em andamento tem prejudicado seriamente a classe política do país e enfraquecido a confiança na economia.”

As investigações contra Temer e integrantes de seu governo contribuíram, prossegue Lachman, para levar a aprovação do peemedebista para o nível de um único dígito. Além disso, as eleições do próximo ano devem ocorrer em uma atmosfera de descontentamento público. “Espera-se que o centro político do Brasil seja o principal beneficiário do contexto político instável, sejam candidatos populistas na extrema direita e na extrema esquerda. Isto dificilmente é um bom presságio para as políticas econômicas disciplinadas e market friendly nos anos imediatamente adiante.”

“Apenas agora o país está gradualmente emergindo de sua mais profunda e longa recessão econômica. Ao mesmo tempo, as finanças públicas estão em uma considerável desordem como indicado pelo fato de que o déficit orçamentário do governo passou agora para cerca de 9% do PIB”, escreve.

Lachman cita relatório recente do FMI, que apontou a “precaridade das finanças públicas do Brasil”, e que “afirma com precisão” que esses níveis de dívida em uma economia emergente seriam simplesmente “insustentáveis”.

Ele acredita que, quando investidores focarem a situação do Brasil com a proximidade das eleições, vão questionar se o país pode sustentar sua recuperação econômica em um “clima político muito instável”. Também devem questionar as chances de uma reforma da Previdência significativa no próximo ano, e temer que “líderes populistas e sem responsabilidade fiscal sejam eleitos”. De acordo com Lachman, tudo isto deve contribuir para um aumento acentuado dos custos de empréstimos do governo, o que vai apenar deixar as finanças públicas menos sustentáveis.

“Se os investidores realmente ficarem com temor, as conseqüências para os mercados financeiros globais podem ser graves. Afinal de contas, ao longo dos anos, os investidores têm investido grandes montantes de capital no Brasil, já que o mercado de títulos brasileiro está entre os maiores mercados da economia de mercado emergente.”

Por fim, Lachman alerta que a “última coisa que a economia mundial precisa é um país com a importância sistêmica do Brasil saindo de controle, principalmente no momento em que os bancos centrais estarão no processo de normalização de suas políticas monetárias”.

Jornal do Brasil

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