Carlos Lima
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Economia
Carlos Lima | Publicado em 09/02/2018 às 09:07:15

Bancos lucraram R$ 54 bilhões e extinguiram 17 mil empregos

Bancos lucraram R$ 54 bilhões e extinguiram 17 mil empregos Sistema bancário, governantes e o povo

Enquanto os serviços bancários pioram em todo país, com agências mais lotadas, os bancos lucram mais e mais.
Banco do Brasil e Caixa, agora sob controle golpista, passaram ser dirigidos por agentes a serviço de bancos privados concorrentes: só isso explica a piora brutal dos serviços oferecidos por esses bancos.

No caso do BB, milhares de agências foram fechadas, empurrando clientes para o Bradesco e o Itaú.
Os bancos também lucram com a miséria da população.

Sem dinheiro em circulação, sem emprego, eleva-se a procura por empréstimos a qualquer custo, e aí as instituições financeiras entram com os juros mais altos do planeta, escorchando as pessoas.

Os três maiores bancos privados do Brasil – Itaú, Bradesco e Santander – tiveram, juntos, lucro líquido de R$ 53,8 bilhões.

A cifra representa um crescimento de mais de 15% em relação a 2016. Somente o Itaú alcançou o maior lucro de uma instituição financeira na história do Brasil: R$ 24,8 bilhões.

De outro lado, o setor cortou muitos postos de trabalho.

O setor bancário fechou 17.905 postos de trabalho em 2017, de acordo com dados do Caged – Cadastro Geral de Empregados e Desempregados.

Para ajudar o Brasil a crescer, o setor bancário precisa começar a retribuir a sociedade, praticando juros civilizados, elevando a oferta de crédito, melhorando o atendimento à população através de contratações e contribuindo para melhorar as relações de trabalho e a estrutura salarial num país que ainda figura no topo do ranking mundial de desigualdade de renda.

Para compreender os lucros altos dos bancos brasileiros: os juros de empréstimos. É o que aponta também Vivian Machado, mestre em Economia Política e técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

“O que explica os altos lucros é o rentismo. Os lucros dos bancos são muito grandes por conta do spread: o que eles gastam para captar é muito inferior ao que eles cobram dos clientes.

Quanto maior é a crise, maior é o risco, mais ele cobra.

Se o país está em crise, eles emprestam menos, mas ganham em outras frentes, indica.

Machado afirma que os bancos encontram “saídas em qualquer cenário” e, mesmo com a alta do desemprego e queda no consumo, eles vêm aumentando as receitas por conta das taxas cobradas de clientes pela prestação de serviços, como a manutenção de contas.

A opinião é compartilhada por Roberto van der Osten, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf).

Ambos dizem que só os valores desse tipo de receita possibilitam o pagamento de funcionários, uma das principais despesas destas instituições.

“O Itaú teve de receita, só com essas tarifas, mais de R$ 35 bilhões. Essa receita vem crescendo ano a ano. Sozinha ela cobre toda despesa de pessoal”, aponta Silva.

Van der Osten ressalta que, além do fechamento de postos de trabalho, o lucro dos bancos não se reverte em melhores condições de trabalho para seus funcionários, pelo contrário: as situações a que são submetidos os trabalhadores e as trabalhadoras vem se agravando, piorando com a reforma trabalhista.

O sindicalista cita como exemplos a prática de home office, que flexibiliza a jornada, e a estipulação de metas exageradas, acontecimentos “compensados” por shows e espetáculos “motivacionais”.

“Os trabalhadores do ramo financeiro estão entre os mais afastados. É um dos setores que mais apresenta afastamento por distúrbio mental e vários outros tipos de doença do trabalho.

O que é ‘curioso’, porque é um emprego em que aparentemente não existe penosidade em sua execução. Ele é um trabalho onde se enfrenta várias situações”, analisa.

O lucro do Banco do Brasil deve ser anunciado dia 22 de fevereiro. A divulgação deve confirmar a expectativa de menor presença relativa das instituições públicas no setor financeiro em comparação anos anteriores.

É dessa forma que o governo Temer continua no poder.

Miguel do Rosário

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