Carlos Lima
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Economia
Carlos Lima | Publicado em 30/08/2017 às 09:31:27

Desgraça nacional: O jeitinho brasileiro no combustível do “mercado”

Desgraça nacional: O jeitinho brasileiro no combustível do “mercado” Henrique Meirelles

O comentarista Fábio Alves, do Estadão, numa sequência de elogios ao poder do ministro da  Fazenda Henrique Meirelles, disse que “o governo de Michel Temer não sobrevive sem Meirelles à frente do Ministério da Fazenda. E Temer sabe disso”, escreve ele – atribui a ele – e apenas a ele -o fato de não ter sido rebaixada a nota de risco do Brasil pelas agências internacionais de análise de crédito.

“E como isso foi possível?

O crédito é totalmente de Meirelles.

Notícias de bastidores dão conta de que o ministro teria ligado para os principais analistas de Brasil nas agências de rating e pedido um voto de confiança antes da decisão de piorar a nota soberana, o que teria repercussões para os preços dos ativos brasileiros.

Assim mesmo, no estilo “la garantía soy yo”. Ou, como me lembrou Paulo Henrique Amorim, o argentino Domingos Caballo, talvez o mais significativo exemplo sul-americano de “ex-deus”  da economia.

Meio verdade, meio exagero, claro, porque essa turma do mercado financeiro internacional desconfia de camelô e veja-se, por isso, o fracasso das viagens internacionais de Michel Temer.

O mais interessante, porém, é o “remédio” que, segundo ele, um empresário paulista receita para permitir que as “reformas” agonizantes ganhem sobrevida e o mercado sorria, satisfeito, na esperança de que “passem”.

São duas vias.

A primeira, “uma crise internacional, levando a uma pressão significativa sobre o mercado brasileiro e, portanto, sobre os políticos, os quais poderiam se sentir forçados a aprovar um remédio amargo como instinto de sobrevivência.”

A segunda, a confirmação da condenação de Lula em segunda instância, tornando-o inelegível: “sem esse candidato competitivo a ameaçar uma mudança no poder a partir de 2019, os políticos ficariam menos receosos em aprovar medidas impopulares, como a reforma da Previdência, e não serem punidos nas urnas”.

Vê-se, portanto, que o “probleminha” a resolver é o povo: mantê-lo em desgraça para que a desesperança e o medo o deixem paralisado enquanto se destrói seu país.

FERNANDO BRITO

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