Carlos Lima
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Economia
Carlos Lima | Publicado em 24/10/2017 às 11:31:23

ENTREGA DO PRÉ-SAL POR MICHEL TEMER É ROUBO DO SÉCULO, DIZ ZARATTINI

ENTREGA DO PRÉ-SAL POR MICHEL TEMER É ROUBO DO SÉCULO, DIZ ZARATTINI Para o deputado Zaratti, trata-se de uma prática antinacional, que compromete o futuro e a capacidade de desenvolvimento autônomo do Brasil

O líder do PT na Câmara, Carlos Zarattini (SP), condenou duramente o leilão de mega reservas do pré-sal marcado para a próxima sexta-feira (27) pelo governo Michel Temer.

Para o deputado, trata-se de uma prática antinacional, que compromete o futuro e a capacidade de desenvolvimento autônomo do Brasil, que se transforma em “mero fornecedor de matéria prima, a preço de banana, para as multinacionais do petróleo”.

O líder do PT espera que os negócios que Temer faz atualmente com os estrangeiros, entregando riquezas nacionais a preços irrisórios, sejam desfeitos futuramente. “Nossa expectativa é de que um governo legítimo e popular a ser eleito cancele esses contratos antinacionais feitos por um governo ilegítimo e fruto de um golpe”, disse.

“Os investidores estrangeiros que compram o Brasil na bacia das almas devem saber: 97% do povo rejeita o atual governo. É um escândalo fazer negócio com um governo que é uma verdadeira quadrilha e sem nenhum traço de legi​timidade”, completou.

Depois de um especialista independente afirmar no fim de semana que o pré-sal brasileiro está sendo vendido a preço de banana, foi a vez de um estudo da Câmara dos Deputados chegar à mesma constatação. Um relatório elaborado pela consultoria da Casa mostra que Temer e Pedro Parente, presidente da Petrobras, estão provento uma verdadeira liquidação.

Confira abaixo artigo de Zarattini sobre o assunto, publicado no Blog do Noblat nesta terça-feira 24:

Leilão do pré-sal: o escândalo do século

Em 2006, graças à decisão estratégica do governo do ex-presidente Lula de aumentar os investimentos e retomar o papel da Petrobras para o desenvolvimento nacional, o Brasil descobriu o pré-sal. A maior descoberta de petróleo dos últimos trinta anos, em todo o mundo. Nove anos depois do feito histórico de extrair dali petróleo, o País, vítima de um governo ilegítimo e sem nenhum voto, começa a perder essa riqueza para as petroleiras estrangeiras.

Os dois leilões marcados para a próxima sexta-feira, 27, ​que põem fim à exclusividade da Petrobras na exploração da imensa riqueza, são emblemáticos: o País abre mão de seu futuro e da capacidade de desenvolvimento autônomo para ser mero fornecedor de matéria prima, a preço de banana, para as multinacionais.

Petróleo de excepcional qualidade, com a certeza de que basta instalar a sonda e retirá-lo do fundo da camada do pré-sal, é o sonho de qualquer petroleira. O Brasil gastou milhões de dólares para descobrir essa riqueza, mas os golpistas entendem que o importante é doá-la aos estrangeiros.

O professor de economia da UERJ e ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo, Helder Queiroz, afirmou que um único poço do ​p​ré-sal é capaz de produzir 40 mil barris/dia, volume equivalente ao de vários campos inteiros do pós-sal.

O leilão não deve ser comemorado pelos brasileiros. Mas os estrangeiros e seus serviçais aqui no Brasil, como Temer, Henrique Meirelles e Pedro Parente, estarão espocando champanhe.

Um frase, pronunciada pelo presidente da Shell Brasil, André Araújo, resume bem o que é o feirão de Temer: “O Pré-sal é onde todo mundo quer estar”. Afinal, estão ali bilhões de barris de petróleo de altíssima qualidade. Barris comprado, em alguns casos, por menos do que uma garrafa de refrigerante.

Trata-se de uma verdadeira operação contra o Brasil. Pois a entrega do pré-sal faz parte de um ampla estratégia antinacional, que inclui a venda de ativos da Petrobras e hidrelétricas a preço de banana. Tudo inserido no mesmo projeto desastroso que prevê a destruição do parque industrial nacional relacionado à atividade de óleo e gás, como o setor naval.

Senão, vejamos. Em setembro, o governo editou a Instrução Normativa nº1.743 (IN 1.743), que regulamenta a Medida Provisória 795 (MP 795). Essa MP, em pauta nesta semana, abre caminho para isenções fiscais no valor de R$ 1 trilhão para os estrangeiros que estão vindo participar da liquidação das jazidas do pré-sal. Essa quantia era o que se previa arrecadar para educação, saúde e defesa com o regime de partilha para o pré-sal aprovado pelos governos Lula e Dilma.

Temer derrubou o si​s​tema de partilha e adotou outro regime​ ​- de concessão​ ​- para ajudar os estrangeiros que participaram do golpe que o colocou no poder.

A instrução normativa zera a tributação sobre a importação de navios, o que poderá levar os estaleiros nacionais ao colapso, enquanto os concorrentes estrangeiros comemoram. Põe-se fim a centenas de milhares de empregos no Brasil para criá-los em outros países. Temer é um serviçal das multinacionais e dos interesses externos.​

Os atuais detentores do poder esquecem que outros países adotam políticas de conteúdo local.

​É​a própria Fiesp, que apoiou o golpe, quem diz em estudo sobre o setor: 75% dos países em desenvolvimento e 30% dos desenvolvidos possuem políticas de conteúdo local. A lista de países vai dos Estados Unidos à Noruega e Arábia Saudita.

A Fiesp constatou que para cada R$ 1 bilhão de investimento na exploração e produção de petróleo e gás, geram-se R$ 555 milhões para o PIB, por meio da produção de bens e serviços. Isso significa 1.​532 empregos. Sem conteúdo local, os números tornam-se pífios diante da magnitude do setor: só R$ 44 milhões gerados para o PIB e pouco mais de 100 empregos.

Esta sexta-feira, 27, é um dia que será marcado na história brasileira. Nossa expectativa é de que um governo legítimo e popular a ser eleito cancele esses contratos antinacionais feitos por um governo ilegítimo e fruto de um golpe. Um presidente ilegítimo que descumpre o programa de governo com o qual foi eleito em 2014.

Os investidores estrangeiros que compram o Brasil na bacia das almas devem saber: 97 % do povo rejeita o atual governo. É um escândalo fazer negócio com um governo que é uma verdadeira quadrilha e sem nenhum traço de legi​timidade.”

Leonardo Attuch

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