Carlos Lima
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Economia
Carlos Lima | Publicado em 08/06/2018 às 10:13:40

Inflação acelera e fica em 0,4% em maio, puxada por alta da gasolina

Inflação acelera e fica em 0,4% em maio, puxada por alta da gasolina Inflação oficial acelera e fica em 0,4% em maio, puxada por alta da gasolina

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, ficou em 0,4% em maio, registrando uma aceleração em relação aos 0,22% de abril, segundo divulgou nesta sexta-feira (8) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

IPCA em maio:

Taxa no mês: 0,4%
Acumulado no ano: 1,33%
Acumulado em 12 meses: 2,86%

Segundo o IBGE, os maiores impactos no índice vieram dos preços de transportes e energia, com a gasolina respondendo, sozinha, por um impacto de 0,15 ponto percentual (mais de um terço) da inflação no mês, devido o forte peso do item na composição do IPCA.

Os preços médio da gasolina nos postos subiram 3,35% no mês, enquanto o diesel aumentaram 6,16%, segundo a pesquisa. No ano, a gasolina acumula alta de 6,82%, e o diesel, de 10,43%.

Em 12 meses, os preços dos combustíveis tiveram alta de 19,59%. A gasolina foi a que mais subiu neste período – em média, ficou 21,48% mais cara no país. Já o diesel acumula aumento de 19,78% em um ano.

No acumulado no ano, a variação até maio ficou em 1,33%, o menor patamar para um mês de maio desde a implantação do Plano Real, em 1994.

Em 12 meses, a inflação acumulada subiu para 2,86%, depois de registrar 2,76% nos 12 meses imediatamente anteriores. Mesmo assim, segue baixo do piso da meta do Banco Central, que é de 3%. “Já são 11 meses em que o acumulado em 12 meses fica abaixo de 3%”, destacou o gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves.

Entre os 9 grupos de produtos e serviços pesquisados, apenas “Artigos de residência” apresentou deflação em maio (-0,06%).

Variação do IPCA em maio por setor:

Alimentação e Bebidas: 0,32%
Habitação: 0,83%
Artigos de Residência: – 0,06%
Vestuário: 0,58%
Transportes: 0,4%
Saúde e Cuidados Pessoais: 0,57%
Despesas Pessoais: 0,11%
Educação: 0,06%
Comunicação: 0,16%

O IBGE destacou que pela primeira vez desde julho de 2014 o IPCA para serviços registrou deflação. A queda foi de 0,09% na comparação com abril puxada, sobretudo, pela queda nos preços das passagens aéreas (-14,71). Em 12 meses, a taxa para serviços foi de 3,32%, a mais baixa da série iniciada em 2012.

“Os serviços de modo geral vieram apresentando queda, ou uma certa estabilidade, possivelmente por conta da queda na demanda”, disse Gonçalves.

Impactos da greve

De acordo com o gerente da pesquisa, o IPCA de maio refletiu apenas “uma parcela” dos impactos da greve dos caminhoneiros. “A greve ocorreu na última semana da nossa coleta. Na maioria das situações, principalmente dos alimentos, a gente não encontrou os produtos, então não computamos os preços”, disse.

Entre as altas impactadas pela paralisação dos caminhoneiros já capturadas pela pesquisa do IBGE ele citou os preços da cebola e da batata, que tiveram alta, respectivamente, de 32,36% e 17,51% no mês.

A coleta de preços da pesquisa foi feita entre 28 de abril e 29 de maio. Segundo o gerente, os impactos da greve exercerão maior influência sobre o resultado do IPCA do próximo mês. “Para o levantamento de junho, nossa primeira remessa de coleta começou ainda na greve. Então, é possível que vejamos os reflexos dela nos preços dos produtos já no IPCA-15″, explicou.

Meta de inflação

A expectativa do mercado para a inflação em 2018 avançou de 3,60%, na semana retrasada, para 3,65% na última semana, segundo a última pesquisa Focus do Banco Central.

O percentual esperado pelos analistas continua abaixo da meta que o Banco Central precisa perseguir para a inflação neste ano, que é de 4,5%. Entretanto, está dentro do intervalo de tolerância previsto pelo sistema, que considera que a meta terá sido cumprida pelo BC se o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficar entre 3% e 6%.

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic), atualmente em 6,5% ao ano.

Daniel Silveira e Darlan Alvarenga

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