Carlos Lima
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Economia
Carlos Lima | Publicado em 27/07/2018 às 15:36:11

MORO BURLA SISTEMA DO CNJ E NÃO REGISTRA PALESTRA PARA JOÃO DORIA

MORO BURLA SISTEMA DO CNJ E NÃO REGISTRA PALESTRA PARA JOÃO DORIA Enganou CNJ, não, informou, palestra

Sergio Moro não registrou no sistema de transparência da Justiça Federal sua participação como palestrante em Nova York num evento promovido pelo Lide, empresa de “networking” e lobby fundada por João Doria e controlada até hoje pelo político tucano.

Realizada em 16 de maio, a palestra de Moro no chamado Lide Brazilian Investment Forum contou com a presença de cerca de 190 analistas de rating, banqueiros, empresários e investidores, segundo informou a empresa posteriormente. O registro desse tipo de atividade é obrigatório para os magistrados.

A revelação é do repórter Ricardo Mendonça. A falta de registro é um desrespeito a resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que, em tese, deveria controlar a atividade dos juízes no país.

A participação de juiz como palestrante, conferencista, moderador ou debatedor em evento privado é considerada “atividade de docência” e deve ser informada ao respectivo tribunal em até 30 dias.

Serve para eventuais aferições de situações de impedimento -ou seja, para verificar se há conflito de interesse na presença do magistrado num evento, como foi o caso da presença de Moro num encontro de João Doria.

O magistrado deve registrar a data de participação, tema da palestra, local do evento e entidade promotora -Moro escondeu sua participação do sistema do CNJ.

A Corregedoria do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) confirmou ao repórter que não possui registro da participação de Moro no evento.

“Cabe informar, em complementação, que no período de 11 de maio a 19 de maio de 2018 o referido juiz federal esteve de férias”, ressaltou. “À reportagem, sem analisar o caso específico de Moro, o CNJ afirmou que sua resolução sobre palestras de magistrados ‘não faz exceção’ para os que estão em férias”, escreveu Mendonça.

A listagem das cinco palestras registradas de Moro em 2018 no site da Justiça Federal do Paraná exibe tema, data e local de cada evento, mas, diferentemente do que determina o CNJ, não há qualquer informação sobre quais foram as entidades promotoras.

Sem a indicação do organizador ou contratante da palestra, ou seja, daquelas organizações ou pessoas que financiam a atividade, o “sistema de transparência” fica opaco e impede uma avaliação mais precisa de uma situação de suspeição.

A assessoria de imprensa de Moro afirmou em nota, a título de explicação, wue ele não inseriu a palestra ao grupo de João Dória no sistema do CNJ por falta de tempo.

 

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