Carlos Lima
Hoje dia 13/12/2019 às 16:06:10

Educação
Carlos Lima | Publicado em 13/11/2019 às 09:34:24

Fenômeno k-pop impulsiona ensino de coreano em escolas públicas do Rio

Fenômeno k-pop impulsiona ensino de coreano em escolas públicas do Rio BTS, grupo de k-pop — Foto: Divulgação

Quando Vanessa Costa, diretora da Escola Estadual Olga Benário, em Bonsucesso, Zona Norte do Rio, recebeu uma proposta de oferecer aulas de coreano, teve dúvidas sobre a popularidade do curso. Estava enganada.

“Pra minha feliz surpresa, quando eu fui divulgar nas turmas, houve uma demanda absurda, muito por conta do k-pop, e a gente conseguiu formar uma turma de 25 alunos”, conta a diretora. Hoje já são três.

Não é exagero relacionar o crescimento da oferta ao sucesso do k-pop, o fenômeno da música pop coreana. Isso porque, para o curso existir, o interesse dos alunos é determinante: uma turma só abre se os alunos se inscreverem e, além disso, é necessário apresentar relatórios de presença e de desempenho para o Consulado Coreano de São Paulo — já que o Rio não tem representação do país.

“Hoje, alunos da rede particular vêm aqui à escola procurando saber se podem fazer a aula de coreano”, conta a diretora, que viu o curso se tornar o grande diferencial da escola.

Desde que as aulas do idioma foram iniciadas no Olga Benário, em 2017, mais três turmas foram abertas ali, onde 80% dos alunos são do Complexo da Maré. E, no segundo semestre de 2019, mais duas escolas estaduais, a Visconde de Cairu, no Méier, e a Paulo de Frontin, no Rio Comprido, também passaram a oferecer aula de coreano.

E por que coreano virou disciplina queridinha?

A matéria é oferecida como uma disciplina extra, assim como um cursinho de inglês: fora do horário escolar, com lições de casa e provas próprias. Ainda assim, a turma segue cheia. E por que tanto empenho?

Em poucos minutos de conversa com uma das três turmas de coreano do colégio, o motivo fica óbvio: é até difícil contar o número de vezes em que o k-pop é mencionado.

“O k-pop é bem diferente do que eu costumo escutar ou ver. Acho muito interessante que os homens usam maquiagem, têm o olho puxadinho, as músicas, as danças… são totalmente diferentes”, diz Kaylane Vieira, fã do gênero.

“Uma dia, no YouTube, eu vi um grupo chamado BTS. Eu achei a dança interessante tudo diferente… achei a beleza diferente. Nunca tinha visto homem com maquiagem! Foi quando eu entrei no k-pop”, conta a estudante Kaylane Vieira, de 15 anos.

“Eu nunca achei tinha visto música daquele jeito, contagiante, com muita mudança de figurino, de cenário”, conta Annyelle Magalhães, 15 anos, que também começou a se interessar por k-pop e por coreano por conta do grupo BTS.

Os grupos Momoland e Gfriend também são citados entre os queridinhos, assim como os “Doramas”, as novelas coreanas, também fazem sucesso com os adolescentes.

BTS, grupo de k-pop — Foto: Divulgação

BTS, grupo de k-pop — Foto: Divulgação

Apesar da animação, aprender uma língua em que o alfabeto é totalmente diferente é um desafio que requer esforço.

“As maiores dificuldades são gravar o que cada traço significa e alinhar eles em uma frase. Há alguns que têm a fonética totalmente igual e isso às vezes confunde. É bem difícil, começar do zero às vezes é bem desesperador, porque é muito diferente”, diz a estudante Mellissa Santos, de 17 anos.

Novo idioma, novos sonhos

Aprender um idioma tão diferente do português e fora do eixo inglês-espanhol-francês pode parecer apenas uma modinha, mas não é bem assim. Além de ser um diferencial no currículo, saber coreano pode ser a porta de entrada para conseguir uma das várias bolsas de estudo oferecidas pelo país para imigrantes.

Esse, aliás, é o sonho da aluna Mellissa: cursar Medicina no país da Ásia. Ela, que é apaixonada por k-pop e já estudava o idioma sozinha antes de ter a oportunidade de fazer o curso em seu colégio, agarrou com unhas e dentes a oportunidade de aprender o idioma em sala.

“Eu comecei a chorar quando fiquei sabendo que teria aula aqui. Era um sonho pra mim. Eu vou terminar o terceiro ano esse ano, vou fazer o Topik e vou fazer minha faculdade de Medicina no Coreano na Coreia”, afirma ela.

 Elisa Soupin

Comentários

comentários

Veja também