Carlos Lima
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Educação
Carlos Lima | Publicado em 24/02/2018 às 13:04:09

Jovem vence leucemia e conquista diploma em engenharia:

Jovem vence leucemia  e conquista  diploma em engenharia: Joilson conseguiu concluir a faculdade, mesmo estando em tratamento em boa parte do curso de engenharia

Ser aprovado e concluir um curso em uma universidade pública é uma vitória para qualquer estudante. Mas, para Joilson Bentes Filho, de 25 anos, a formatura do curso de engenharia mecânica em fevereiro deste ano representou também a vitória na luta pela vida.

E não foi uma luta fácil. Depois de descobrir que tinha leucemia no meio do curso na Universidade Estadual de Manaus, durante exames de rotina, Joilson conseguiu algo bem raro. O jovem, que fez tratamento contra a doença no Hospital Amaral Carvalho em Jaú (SP), encontrou dois doadores compatíveis no banco de doadores de medula óssea, algo que tem probabilidade de 1 em 100 mil de acontecer.

Mas os transplantes não puderam ser realizados. “No primeiro caso o doador desistiu e na segunda vez, quando estávamos fazendo todos os exames para o procedimento a doadora descobriu que estava grávida”, conta Joilson.

Mas o jovem, que descobriu a doença 2013, três anos depois de passar no vestibular da Universidade Estadual do Amazonas, não desanimou.

No hospital, os médicos decidiram fazer um transplante chamado haplo, que é quando o doador e o paciente não são totalmente compatíveis, mas existe a possibilidade da doação. A mãe de Joilson, Maria Auxiliadora Faria de Brito, foi a doadora da medula óssea. O transplante foi realizado em 2015.

“Nós optamos por esse procedimento porque o Joilson tinha um tipo de leucemia muito diferente dos padrões habituais, com muitas implicações e bastante agressiva, e não podíamos perder o ‘timing’ do transplante. Havia essa urgência, por isso optamos pelo transplante haplo”, explica o médico do Serviço de Transplantes de Medula Óssea do Hospital Amaral Carvalho, Mair Pedro de Souza.

A mãe do jovem conta que até então eles não sabiam dessa possibilidade, mas a notícia renovou as esperanças. “Desde o começo ele me disse ‘mãe não me abandone’ e foi isso que eu fiz. Foram os anos mais difíceis da nossa vida, você ter que sorrir com o coração sangrando e falar para o seu filho que vai dar tudo certo. Essa era a minha obrigação de mãe”, completa.

Só que, mais uma vez, Joilson teve que enfrentar as dificuldades da doença. Apesar do transplante, a medula dele parou de funcionar, ficou com apenas 23% da capacidade de funcionamento e ele passou a fazer transfusões de sangue diárias.

“Chegou um momento em que os médicos disseram que já tinham feito tudo o que poderia ser feito e tinham usado todos os recursos disponíveis. Me perguntaram se eu queria voltar para Manaus e terminar meus dias lá, mas eu disse que queria ficar. Em nenhum momento eu deixei de acreditar na minha cura”, lembra.

A esperança surgiu de um procedimento raro que utiliza células-tronco e só foi possível com a parceria do Amaral Carvalho com o Hospital Albert Einstein, por meio do programa do Ministério da Saúde. E mais uma vez a mãe do jovem foi a doadora.

“Nesse procedimento, a gente extrai a medula aqui no hospital e encaminha para o Albert Einstein, onde é feita a separação das células-tronco em um processo que envolve tecnologia e eles nos fornecem de volta o lote somente com essas células. Dessa forma conseguimos recuperar o funcionamento da medula dele”, explica Mair.

O procedimento feito em 2016, pela terceira vez no hospital de Jaú, salvou a vida do Joilson e ele conseguiu concluir os estudos.

“Em nenhum momento eu pensei em abandonar a faculdade, falei para os meus professores sobre o tratamento e não queria parar de estudar, queria algo para ocupar a minha mente, então eu fazia duas, três matérias por período. E depois do transplante eu fui com tudo, para terminar as matérias e fazer estágio. Ter conseguido concluir o curso para mim foi uma superação.”

Hoje, ele faz o acompanhamento e volta no hospital a cada cinco meses. A cada visita, o jovem é recebido com todo carinho pela equipe médica.

“Ele é uma prova viva e inequívoca que nem sempre a doença transforma as vítimas em pessoas amargas. Ele sempre foi muito doce, tranquilo e enfrentou as dificuldades de uma forma serena. O jeito dele nos marcou com certeza, pela postura de em nenhum momento mostrar medo ou insegurança”, resume o médico.

Mariana Bonora

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