Carlos Lima
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Educação
Carlos Lima | Publicado em 19/03/2019 às 11:26:02

Refugiado nigeriano de 8 anos venceu campeonato de xadrez.

Refugiado nigeriano de 8 anos venceu campeonato de xadrez.

O mais novo campeão estadual de xadrez de Nova York, na categoria jardim de infância até terceiro ano, é um refugiado nigeriano de 8 anos que já sofreu bullying porque, sem dinheiro, sua família mora em um abrigo de sem-teto. Tanitoluwa Adewumi, conhecido pelos colegas como Tani, aprendeu a jogar xadrez há cerca de um ano, mas demonstrou um talento nato para o esporte.

A vitória no campeonato estadual de xadrez, além de render um troféu ao garoto, também foi parar em um artigo no jornal “The New York Times”. Após, a fama, seu treinador, Russell Makofsky, decidiu criar uma campanha de financiamento coletivo para tentar conseguir uma casa para a família Adewumi. O sucesso foi tamanho que, em dois dias, ele dobrou a meta e já arrecadou US$ 104 mil (cerca de R$ 395 mil) com a ajuda de quase 1,8 mil doadores.

“Tani é só coração! Vamos mostrar o nosso coração e ajudar a família de Tani a conseguir um lar onde ele pode continuar sua jornada”, escreveu o professor, abaixo da foto do garoto nigeriano segurando seu troféu com um sorriso no rosto.

Segundo o “NY Times”, o troféu do campeonato estadual é o sétimo que o pequeno já acumulou desde que começou a jogar xadrez. Ele aprendeu o jogo na escola pública em que estuda, que tem um professor de xadrez contratado em tempo parcial, e ensinou a turma de Tani a jogar.

Como o menino pegou gosto pelo esporte, a mãe dele, Oluwatoyin, pediu para ele ser aceito no clube de xadrez da escola.

Makofsky, responsável pelo clube, aceitou a inscrição de Tani sem cobrar a taxa, já que a família não tinha dinheiro. E relatou ao jornal norte-americano que o nível do garoto, segundo o ranking de xadrez, disparou desde então.

Toda noite, Tani se deixa no chão do abrigo em que mora com a família para treinar em um tabuleiro. O pai, que, segundo o “NY Times”, é motorista de aplicativo e tirou licença para atuar como corretor de imóveis, empresta o notebook para que o filho estude xadrez. E a mãe, que tirou uma certificação para trabalhar como cuidadora de pacientes em casa, fica responsável por levá-lo todo sábado aos treinos de três horas de duração.

Por enquanto, a família, que fugiu da Nigéria com medo dos ataques do grupo extremista Boko Haram contra cristãos, ainda não tem permissão de residência permanente nos Estados Unidos.

“Um ano para chegar a esse nível, para escalar uma montanha e ser o melhor entre os melhores, sem recursos da família. Eu nunca vi isso”, afirmou o professor Russel Makofsky ao ‘NY Times’.

G1

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