Unicamp realiza 1ª assembleia para votar moção em defesa da educação

Unicamp realiza primeira assembleia extraordinária da história — Foto: Ronei Thezolin/Unicamp

A Unicamp iniciou às 12h desta terça-feira (15) a primeira assembleia extraordinária da história da universidade. Alunos, professores e membros da administração se reúnem no Ciclo Básico do campus de Campinas (SP) para discutir e votar uma moção em defesa da ciência, educação e autonomia universitária. A previsão é encerrar o debate por volta de 14h.

O reitor da Unicamp, Marcelo Knobel, fez o discurso de abertura. Em seguida utilizam o microfone representantes da graduação, pós-graduação, do Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp, da associação de docentes, além de representantes do Consu e dos professores emérito. Cada fala de representantes terá cinco minutos.

“Neste local, que já serviu de palco para outros movimentos memoráveis da história da Unicamp e do país, ouviremos manifestações hoje de pessoas com convicções e pensamentos distintos unidas em prol do mesmo objetivo”, disse o reitor, na abertura.

Assembleia da Unicamp para votação de moção em defesa da ciência e educação lota o Ciclo Básico do campus de Campinas — Foto: Paulo Gonçalves/EPTV
Assembleia da Unicamp para votação de moção em defesa da ciência e educação lota o Ciclo Básico do campus de Campinas — Foto: Paulo Gonçalves/EPTV

“O momento é grave, a gente está enfrentando provavelmente o que são um dos maiores ataque na universidade pública. É o Future-se que vem para acabar com os pilares da universidade pública, é o contingenciamento de verbas para pesquisa da Capes e da CNPQ”, enumera um dos representantes dos estudantes.

A leitura e votação da moção deve durar 15 minutos. Discursos externos à comunidade da Unicamp vão ocorrer em seguida. Por fim, haverá falas abertas e o reitor retorna para encerrar a assembleia.

A convocação da extraordinária foi aprovada na reunião do Conselho Universitário (Consu), órgão máximo de deliberação da instituição estadual, em 24 de setembro. Na ocasião, Knobel afirmou que a assembleia reunia a comunidade acadêmica em uma causa comum e que foram os estudantes de graduação e pós que reivindicaram o pleito.

Apesar de ser a primeira extraordinária da universidade, a assessoria de imprensa afirma que um protesto ocorrido em 1981 contra a tentativa de intervenção na administração da Unicamp pelo ex-governador Paulo Maluf, à época do regime militar, teve proporções semelhantes. O ato, no entanto, não foi convocado.

A convocação da assembleia ocorreu em meio aos anúncios de contingenciamento de verbas feito pelo governo federal. Na segunda-feira (14), Planalto anunciou a liberação de R$ 7,12 bilhões do orçamento e vai detalhar quanto cada ministério receberá em um decreto presidencial na semana que vem.

Corte de bolsas da Capes e CNPq

No dia 2, a Capes anunciou cortes de 5.613 bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado no Brasil, a partir deste mês. Foi o terceiro comunicado do tipo neste ano. Ao todo, a Capes vai deixar de oferecer cerca de 11 mil bolsas e não serão aceitos novos pesquisadores neste ano.

Na Unicamp, a lista deve refletir em 58, segundo a universidade. Com isso, o contingenciamento total sobe para 115, já que o Conselho havia restringido a verba para 57 bolsas em maio e junho.

Modalidades de pós-graduação afetadas em setembro na Unicamp pelo corte da Capes:

Mestrado: 31 bolsas

Doutorado: 26 bolsas

Pós-doutorado: 1 bolsa

Em agosto, o CNPq anunciou a suspensão da assinatura de novos contratos de bolsas de estudo e pesquisa. Ao todo, 478 pesquisadores de mestrado e 635 de doutorado dependem de bolsas do CNPq na Unicamp. Além deles, cerca de 650 da graduação têm contratos de iniciação científica.

G1

Share on facebook
Facebook
Share on google
Google+
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on pinterest
Pinterest

OUTRAS NOTÍCIAS