Carlos Lima
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Carlos Lima | Publicado em 21/11/2019 às 09:14:56

Não há multa que segure Sampaoli quando a relação se desgasta.

Não há multa que segure Sampaoli quando a relação se desgasta. Jorge Sampaoli Santos x CSA — Foto: Guilherme Dionízio/Código 19/Estadão Conteúdo

Insatisfeito com questões internas no Santos, o técnico Jorge Sampaoli não vive uma situação inédita em sua carreira.

Apesar da campanha dos torcedores pela permanência de Sampaoli, o argentino mostrou ao longo dos anos que multas e contratos longos não são suficientes para que ele siga em um clube quando a situação interna não é boa.

O novo interessado no técnico é o Racing, da Argentina. O ex-jogador Diego Milito, atual diretor de futebol do clube, está no Brasil para tentar contratá-lo.

Para mostrar isso, o GloboEsporte.com fez um Raio-X das saídas de Sampaoli de seus clubes desde que atingiu notoriedade internacional, em sua passagem vitoriosa pelo Emelec, em 2010.

Ao todo, nas últimas dez temporadas, Sampaoli passou por cinco equipes – o Santos é a sexta. Ele saiu como ídolo do Emelec e da Universidad de Chile, mas teve problemas em todas suas saídas seguintes, da seleção chilena, do Sevilla e da seleção argentina. Confira o balanço:

Emelec – Primeiro grande trabalho

Depois de uma passagem apagada pelo modesto O’Higgins, do Chile, Sampaoli foi contratado para comandar o Emelec na temporada de 2010 do Campeonato Equatoriano.

Foi lá que Sampaoli conquistou sua primeira classificação expressiva – para a Libertadores de 2011, com o vice do Emelec no Equatoriano – e ganhou seus primeiros destaques positivos na imprensa.

Além disso, em junho de 2010, o Emelec de Sampaoli foi eleito o melhor time do mundo no mês, de acordo com a Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS, na sigla em inglês).

Os bons resultados e o bom futebol apresentado pela equipe fizeram Sampaoli despertar o interesse da Universidad de Chile, para onde o treinador se transferiu na temporada seguinte, sem deixar rusgas ou desafetos no Emelec.

Universidad de Chile – Conquistas e idolatria

Com um time de maior poderio financeiro nas mãos, não demorou para Sampaoli conquistar seu primeiro título como profissional: o Campeonato Chileno de 2011.

Em um ano no clube, Sampaoli alcançou dois títulos nacionais – Apertura e Clausura, que o tornaram bicampeão chileno – e um internacional – Copa Sul-Americana. A passagem de Sampaoli pela Universidad de Chile teve mais um título nacional e durou até o fim de 2012.

Mesmo com a renovação de contrato recém-assinada, o treinador não recusou o convite da Federação Chilena para assumir a seleção do país. Assim, o argentino deixou o clube chileno em alta e visto como um talento promissor para comandar La Roja.

Seleção chilena – Título e saída conturbada

Sampaoli comandou o Chile na Copa de 2014 — Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com

Sampaoli comandou o Chile na Copa de 2014 — Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com

Foi no comando da seleção chilena que Jorge Sampaoli teve seu primeiro grande descontentamento com dirigentes.

Mesmo com quase 70% de aproveitamento e a conquista do título da Copa América de 2015, em cima da Argentina de Messi, Sampaoli demonstrou descontentamento com a divulgação de seu salário, feita pelo presidente interino de federação à época.

Isso gerou um desgaste interno e foi um dos fatores que levaram Sampaoli a deixar a seleção chilena. O treinador buscou um acordo e fez a Federação abrir mão de boa parte (aproximadamente 80%) da multa rescisória.

Sevilla – Empolgação e frustração

Sampaoli passou pelo Sevilla — Foto: Reuters

Sampaoli passou pelo Sevilla — Foto: Reuters

Sampaoli passou uma temporada no Sevilla e teve dois semestres bastante distintos de trabalho. Seu início foi animador, com um time ofensivo e agressivo, assim como o Santos, que encantou os torcedores locais.

A equipe disputou a liderança do Campeonato Espanhol por boa parte da competição e ainda chegou às oitavas de final da Liga dos Campeões. No entanto, no segundo semestre de trabalho, o ritmo caiu drasticamente.

Foi aí que Sampaoli decidiu não dar continuidade ao trabalho e aceitou a proposta da AFA (Associação de Futebol Argentino) para comandar a seleção do país. Por isso, os dirigentes do Sevilla classificaram o trabalho do treinador como “inacabado” e, apesar dos bons resultados iniciais, não gostaram da atitude do argentino em “forçar” sua saída.

Seleção argentina – Chuva de críticas

Jorge Sampaoli comandou a Argentina em 2018 — Foto: Reuters

Jorge Sampaoli comandou a Argentina em 2018 — Foto: Reuters

Sampaoli teve uma passagem curta pela seleção da Argentina. Foram apenas 15 jogos, com sete vitórias, quatro empates e também quatro derrotas, sendo duas na Copa do Mundo de 2018, na Rússia.

O desempenho abaixo das expectativas fez Sampaoli ceder à pressão e aceitar reduzir o valor de sua multa rescisória.

O resultado ruim na Copa, somado às inúmeras críticas da imprensa e dos torcedores, se tornou argumento definitivo para que o técnico aceitasse a redução e deixasse a seleção pela porta dos fundos.

Santos – Futuro incerto

Jorge Sampaoli atualmente treina o Santos — Foto:  Ivan Storti/Santos FC

Jorge Sampaoli atualmente treina o Santos — Foto: Ivan Storti/Santos FC

Agora, no Santos, Sampaoli faz um trabalho que supera as expectativas iniciais do clube e até da torcida. Porém, sua situação está indefinida.

Isso porque o anúncio da saída do superintendente Paulo Autuori e a falta de planejamento para a próxima temporada são questões que desagradam Sampaoli e podem ser decisivas para que o treinador “peça o boné” e deixe o cargo ao fim do Campeonato Brasileiro.

Então, se quiser manter o argentino no comando da equipe em 2020, o Santos precisa rever suas questões internas, já que o histórico do treinador mostra que não há multa que o segure quando a relação com a diretoria se desgasta.

 Caíque Stiva

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