Carlos Lima
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Esportes
Carlos Lima | Publicado em 11/03/2019 às 10:55:41

O lado “Libertadores” dos campeonatos europeus.

O lado “Libertadores” dos campeonatos europeus. Apagão no estádio José Zorrilla antes de Valladolid x Real Madrid — Foto: Sergio Perez/Reuters

Alguma coisa está fora da ordem, Caetano já cantava nos anos 90 (não lembra, ainda não era nascido? Busca aí na internet, ela serve para isso também, vale a pena). Mas voltemos ao mundo do futebol. Está tudo invertido!!! A gente já devia ter desconfiado quando os times visitantes em muitos jogos da Libertadores adotaram uma postura elegante e elogiável de arrumar seus vestiários após as partidas (aliás, parabéns Cruzeiro, Internacional, Cerro Porteño e Talleres, entre outros).

Um sopro de esportividade numa competição que deixou péssima imagem na conturbada decisão do ano passado entre Boca e River. E o futebol europeu com isso? Constantemente apontada como exemplo a ser seguido, não só em organização como em comportamento dentro e fora de campo, a Europa viveu um fim de semana digno (minto, indigno) dos piores momentos das nossas canchas sul-americanas. Só faltou cachorro em campo (ou será que eu não vi? Se teve, alguém avise nos comentários, por favor).

No sábado, o Foggia perdeu para o Lecce por 1 a 0, fora de casa, pela segunda divisão do Italiano. Resultado ruim, que deixou o time em 15º lugar, na zona de playoff do rebaixamento. Situação chata, mas não justifica a reação de alguns torcedores, que tocaram o terror na madrugada. O carro do atacante Peter Iemmello, estacionado na Via Bari, foi incendiado. Um artefato foi lançado na fábrica de massas que pertence aos proprietários do clube. E um terceiro rojão foi jogado no jardim da casa de outro jogador do time, Massimiliano Busellato, sem consequências mais graves.

“Linha atravessada” no futebol inglês

Na Inglaterra, um incidente quase tão grave quanto os ataques em Foggia e igualmente lamentável. Um torcedor do Birmingham invadiu o campo no clássico local contra o Aston Villa, pela segunda divisão, e deu um soco no meia Jack Grealish, do rival, logo no início do jogo. Ironicamente, foi de Grealish o gol da vitória por 1 a 0, no segundo tempo.

O caso chocou o futebol inglês. Afinal, o país se orgulha de ter implantado, lá no início dos anos 90, uma nova ordem nos estádios, com mais segurança e o modelo de arenas sem barreiras entre arquibancada e campo. A garantia era, e ainda é, o bom senso e o rigor da legislação.

“Uma linha vermelha foi atravessada por este ataque covarde dentro campo a um jogador, o que é algo sem precedentes no futebol inglês. Confiamos que o invasor sentirá toda a força da lei e que as autoridades investigarão as circunstâncias diante do incidente deplorável de hoje (domingo). As rivalidades locais fazem parte do jogo. Entretanto, como nossos amigos do Birmingham City vão concordar, ter a segurança pessoal de um jogador colocada em risco é um sério motivo de preocupação para toda a comunidade futebolística”, condenou o Aston Villa em nota oficial.

A polícia de West Midlands confirmou que o homem de 27 anos foi detido e levado para interrogatório. Também de acordo com a polícia local, houve brigas entre torcedores das duas equipes nas imediações do estádio, antes da partida, que deixaram um homem ferido. No total, quatro pessoas foram detidas pela polícia devido aos distúrbios.

Os jornais ingleses não esconderam a preocupação com as consequências que a invasão possa ter no futuro do futebol inglês, em relação à segurança. “Jogadores temem por suas vidas”, diz a manchete desta segunda-feira do caderno de esportes do Daily Telegraph. “O que vem depois… uma faca?”, questiona a chamada do The Sun.

Apagão e sala do VAR vazia na Espanha

Na Espanha, o problema foi bem mais levinho. Uma singela queda de energia que deixou o estádio José Zorrilla às escuras minutos antes do Valladolid x Real Madrid. Menos mal que a luz voltou sem atrasar a partida, minutos antes de rolar a bola. Pior para o Valladolid, que deu um calor no Real no primeiro tempo, perdeu pênalti, teve dois gols anulados, abriu o placar, mas no fim perdeu pique e viu tudo ruir na segunda etapa: 4 a 1 para o Real. Nesse ponto, seja na Europa ou na América do Sul, é duro ser o time pequeno.

No melhor estilo “isso também acontece na Europa?”, o jogo no José Zorrilla também reservou outro momento surpreendente: em um dos gols anulados do Valladolid, o árbitro consultou o VAR, e quando a transmissão do jogo mostrou a sala do controle tecnológico, ela estava completamente vazia. Cadê os fiscais do VAR? Calma, foi apenas um erro na transmissão. Mostraram a imagem de outra sala de VAR do estádio. Não tinha ninguém matando trabalho na hora do jogo, o pessoal estava na outra sala.

E na França? O treino do Paris Saint-Germain deste domingo foi marcado pela presença de 500 ultras, os torcedores mais radicais, que foram protestar pela eliminação nas oitavas de final da Liga dos Campeões. Houve vaias, insultos e até explosão de artefatos nas dependências do Parc des Princes. Protesto de torcida em treino na Europa?

Comparações com a Libertadores e o futebol sul-americano à parte, o que problemas como esse nos ensinam? Que lá e cá existem bons e maus exemplos. Nenhum torcedor nasce hooligan, ultra ou barra brava. Podemos e devemos aprender a respeitar os rivais, seja na arquibancada, em campo ou no vestiário, como mostra essa bonita onda de zelo dos times visitantes na Libertadores. Que assim continue. E casos de vandalismo, brigas e outros problemas disciplinares sejam punidos até, quem sabe um dia, ficarem no passado. Aqui e também lá, porque o fim de semana deixou claro que violência no futebol não é exclusividade sul-americana (ainda que certos hábitos tenham virado quase um selo do nosso futebol, às vezes tratados como “espírito da Libertadores” ou coisa assim).

Disputa ponto a ponto na Inglaterra, Alemanha, Portugal e Argentina

Mas não vamos falar de futebol? Claro que vamos! Campeonatos Italiano e Francês: esquece! Já acabou. O PSG não entrou em campo no fim de semana, mas só precisa de mais seis vitórias nos 12 jogos que restam para ser campeão. E a Juventus nem isso: goleou a Udinese na sexta-feira passada e se ganhar mais cinco adversários em 11 rodadas põe a mão na taça pela oitava vez seguida. Não acredita? Então confere as tabelas do Francês e do Italiano e faça as contas.

Em compensação, outros campeonatos são promessa de emoção até o fim. Veja a Inglaterra, por exemplo. Manchester City 74 pontos, Liverpool 73. O time de Guardiola bateu o Watford por 3 a 1 no sábado. Aí o Liverpool mandou um 4 a 2 para cima do Burnley no domingo, com dois gols de Roberto Firmino. Que duelo!

E na Alemanha? Mais equilibrado ainda! Bayern de Munique e Borussia Dortmund estão empatados na frente, ambos com 57 pontos. Melhor para o Bayern, que vem embalado por cinco vitórias seguidas e assumiu a liderança pelo saldo de gols, graças ao atropelamento de 6 a 0 sobre o Wolfsburg no sábado. No mesmo dia, jogando no mesmo horário, o Borussia fez “só” 3 a 1 no Stuttgart e viu a primeira colocação escapar.

Em Portugal, o Porto venceu o Feirense por 2 a 1, de virada, e dormiu na liderança neste domingo, com 60 pontos. Mas o Benfica está logo ali, com 59, e vai tentar recuperar a ponta nesta segunda, no encerramento da 25ª rodada, quando recebe o Belenenses.

Sabe onde o campeonato também está equilibrado? Na Argentina. O surpreendente Defensa y Justicia recebe o Banfield nesta segunda-feira em busca da vitória para ficar novamente a um ponto do líder Racing, que no sábado arrancou um empate em 1 a 1 com o Colón, fora de casa, aos 43 minutos do segundo tempo. Depois disso, serão só mais três rodadas para a definição do título, ponto a ponto. E sabe qual é um dos jogos da última rodada? Isso mesmo, Racing x Defensa y Justicia, em Avellaneda!

Futebol feminino dá show na Espanha

Para encerrar, aproveitando que a última sexta-feira foi o Dia Internacional das Mulheres, um registro do crescimento do futebol feminino na Espanha. O país já viu a força da modalidade quando mais de 40 mil torcedores lotaram o San Mamés para um jogo entre Athletic Bilbao e Atlético de Madrid, pela Copa da Rainha, em fevereiro. Esta semana, o Atlético de Madrid anunciou que mais de 40 mil ingressos já foram vendidos ou retirados por sócios para o clássico do dia 17, contra o Barcelona, pelo Campeonato Espanhol. E neste domingo, o jogo entre Osasuna e Eibar, pela segunda divisão do Espanhol feminino, levou cerca de 10 mil torcedores ao estádio El Sadar.

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