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Carlos Lima | Publicado em 07/06/2019 às 13:06:06

Bahia é o estado com pior cobertura das vacinas BCG e pneumocócica, aponta Ministério da Saúde

Bahia é o estado com pior cobertura das vacinas BCG e pneumocócica, aponta Ministério da Saúde Vacina BCG deve ser dada às crianças nos primeiros meses de vida — Foto: Semus/Divulgação

A Bahia é o estado com a pior cobertura das vacinas BCG e pneumocócica, conforme um balanço divulgado pelo Ministério da Saúde nesta semana. A BCG protege as crianças contra as doenças graves, como a pneumonia, por exemplo, e a pneumocócica serve para proteger contra as pneumonias de um modo geral e até a meningite causada pela pneumonia.

De acordo com o Ministério da Saúde, em 2018, a média nacional de cobertura para a BCG foi de 95,63%. A Bahia atingiu 81,42%.

Já com relação à vacina pneumocócica, embora os níveis de cobertura no Brasil tenham aumentado nos últimos oito anos, passando de 81,65% para 91,51%, o índice de cobertura ficou abaixo da meta de 95% em 2018. Na Bahia, o índice foi de 81,62%. O estado com maior cobertura foi o Ceará (109,28%).

O Ministério ainda informou que a vacina BCG, em 2011, teve cobertura que superava o público prioritário, alcançando o índice de 107,94%. Em 2018, a cobertura foi de 95,63% – acima da meta de 90%, entretanto, em tendência de queda nos últimos anos. O estado com melhor cobertura foi Alagoas (109,12%).

Possíveis causas

Segundo o ministério, o motivo da queda vacinal, não somente na Bahia, mas no Brasil, é o fato de que os brasileiros percebem menos o risco de ficar doente e têm pouco conhecimento sobre a gravidade das doenças imunopreveníveis.

Em diversas ocasiões, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) afirmou que o sucesso das campanhas de vacinação, ao longo das últimas décadas, reduziu drasticamente o contato dos brasileiros com essas doenças, é justamente essa falta de contato direto com as doenças que leva o brasileiro a se vacinar menos.

“Existe uma série de fatores, como a falsa sensação de segurança da população, por não conviver mais com essas doenças”, explicou o técnico sanitarista da Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab), Ramon Saavedra.

O técnico destacou que o cenário da queda de vacinação é preocupante, tendo em vista que as doses estão disponíveis à população.

“O cenário é preocupante na medida em que existe uma intervenção de saúde pública disponível, que são as vacinas. A gente percebe que não há uma adesão satisfatória da população. Então os órgãos, o gestores dos três níveis, municipal, estadual e federal, estão dialogando desde 2017, no sentido de trabalhar para essa melhoria das coberturas vacinais. Com as coberturas baixas, automaticamente, o nosso território fica vulnerável para a entrada de vírus e bactérias, como aconteceu recentemente com o sarampo no norte do país, justamente pela [baixa] cobertura vacinal”, explicou Saavedra.

Para ele, mensagens falsas, repassadas por aplicativos, sobre os efeitos das vacinas também implicam nessa queda da taxa de imunização, mas não é a única causa desse cenário.

“Por incrível que pareça, isso [notícias falsas] impacta bastante. Deixo aqui meu apelo que só devemos reproduzir mensagens que recebemos de redes sociais quando sabemos a fonte. A impressão que nos dá é que quando o estrago está feito, com a notícia falsa, é difícil recuperar isso e a população acaba se afastando da vacina. É importante a população entender que existe a relação risco/benefício. O risco de uma vacina desenvolver uma reação adversa é infinitamente menor do que o benefício que aquela imunidade vai ter para a pessoa pelo resto da vida”, disse.

Sobre as ações para aumentar a cobertura da vacinação, Saavedra disse que a Sesab estuda como levar as vacinas ao público alvo.

“É preciso rever como estamos ofertando a vacina para a população. Não dá mais para ficar em uma situação passiva, com equipe de saúde dentro de uma sala esperando que a população venha. Essas estratégias são no sentido de fazer atividades que chamamos de extra muro. Procurar a população, vacinar em horários alternativos, sair da lógica das 8h às 17h. Outro avanço muito importante é a parceria da Secretaria Estadual de Educação e de Saúde, que coloca como obrigatoriedade apresentar carteira de vacinação no ato da matrícula”, concluiu Saavedra.

Por TV Bahia

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