Carlos Lima
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Carlos Lima | Publicado em 11/12/2016 às 15:18:52

DELATOR ACUSA LÚCIO VIEIRA LIMA, O BITELO, DE EXTORSÃO

DELATOR ACUSA LÚCIO VIEIRA LIMA, O BITELO, DE EXTORSÃO E a extorsão do Lúcio

O ex-diretor da Odebrecht em Brasília Claudio Melo Filho acusa o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) de extorsão. Se não recebesse dinheiro da companhia, de acordo com o delator, o parlamentar dificultaria a aprovação de uma medida provisória que interessava à empreiteira.

Claudio Melo Filho conta ter mantido “contato frequente” com o deputado, que era presidente da comissão mista que discutiu a MP 613/2013. Lúcio, de codinome “Bitelo”, recebeu entre R$ 1 e R$ 1,5 milhão, segundo o ex-diretor da Odebrecht, que disse não se lembrar do valor com exatidão.

“Embora o pedido de contribuição financeira tenha sido feito pelo parlamentar acima com fundamento em necessidade de custear despesas de campanhas eleitorais, ficou claro que o não atendimento ao pedido traria dificuldades na aprovação da MP 613”, conta o delator.

Vejamos as páginas 5 e 6 da delação de Claudio Melo Filho.

1.2. Panorama do Processo Legislativo, atuação e relações institucionais em
Brasília.

Antes de relatar os eventos relevantes de que eu tenho participação, quero descrever a minha atuação e o panorama do processo legislativo ao longo dos anos que estou em Brasília.

Em agosto de 2004, quando vim para Brasília, ainda não militava no meio político e não tinha contato com políticos, salvo aqueles que me conheciam por intermédio de meu pai. Nominalmente, dentre os políticos que eu já conhecia por intermédio de meu pai, cito: Geddel Vieira Lima, José Carlos Aleluia, João Almeida, Jutahy Magalhães e Heráclito Fortes.

Os poucos relacionamentos do PT que tinha, foram herdados de meu pai. São eles:
Jaques Wagner e Walter Pinheiro. Particularmente, não mantinha relação com o PT.
Sabia que o apoio legislativo oferecido pelos agentes políticos às empresas se dava, na prática, ao menos em troca de contribuições em períodos eleitorais, quando não em troca de contrapartidas financeiras mais imediatas, conforme demonstrarei em alguns meus relatos. Por causa disso, vários agentes políticos tentaram se aproximar de mim.

Valendo-me da situação, percebi que deveria selecionar determinados agentes com relevância política e que teriam melhores condições de gerar resultados positivos para a minha empresa.
Resumindo, minha atuação, por ser da área de relações institucionais, é no sentido de manter perene e diretamente, e com o apoio das entidades de classe que representam os setores afetos às empresas do grupo, relações institucionais com parlamentares, que preferencialmente exercem forte liderança em seu partido e em seus pares.
A minha empresa tem interesse na permanência desses parlamentares no Congresso e na preservação da relação, uma vez que historicamente apoiam projetos de nosso interesse e possuem capacidade de influenciar os demais agentes políticos.

O propósito da empresa, assim, era manter uma relação frequente de concessões financeiras e pedidos de apoio com esses políticos, em típica situação de privatização indevida de agentes políticos em favor de interesses empresariais nem sempre republicanos.

Adicionalmente, busquei identificar e apoiar políticos promissores, que, além de defender projetos de interesses convergentes, demonstram capacidade de exercer liderança no Congresso e nos respectivos partidos, passando, portanto, a figurar na lista de políticos estratégicos. No caso de agentes políticos promissores, a identificação dos mesmos em seus respectivos Estados de origem se dá, à exceção da Bahia, pelos DSs e DCs respectivos. No caso da Bahia, a minha participação
efetivamente ocorre, pois se trata do meu Estado de origem.

Para desenvolver a nova função que havia assumido, procurei montar uma boa equipe e por em prática desenvolvimento de uma agenda de acompanhamento legislativo qualificado.

Ao longo desses anos, mantive contatos mais frequentes com os seguintes agentes políticos: João Almeida, Renan Calheiros, Moreira Franco, Bruno Araújo, Heráclito Fortes, Arthur Maia, Geddel Vieira Lima, José Carlos Aleluia, Ciro Nogueira, Romero Jucá, Antonio Imbassahy, Lúcio Vieira Lima, Gim Argello, Leur Lomanto, Jutahy Magalhães, Michel Temer, Inaldo Leitão, Walter Pinheiro, João Carlos Bacelar, Duarte Nogueira, Eliseu Padilha, Aldo Rebelo, Rogério Rosso, Antonio Brito, Benito Gama, Rodrigo Maia, Paes Landim, José Agripino, Jacques Wagner,
Paulo Abi-akel, e Claudio Cajado.

Além disso, em casos mais episódicos, mantive algum contato com os seguintes agentes políticos: Luiz Carlos Hauly, Carlos Sampaio, Cristóvam Buarque, Fábio Ramalho, Marco Maia, Ricardo Ferraço, Eunício Oliveira, Arlindo Chinaglia, Mendonça Filho, Arnaldo Jardim, Daniel Almeida, Paulo Pimenta, Julio Delgado, Lidice da Mata, Eduardo Cunha, Paulo Magalhaes, Nelson Pelegrino, Agnaldo Ribeiro, Delcídio do Amaral, Fernando Collor, Rui Costa, Carlinhos Almeida e Eduardo Braga.

Alguns desses parlamentares me solicitaram patrocínio financeiro, na forma que relatarei em seguida.

Os pagamentos destinados a agentes políticos que eram indicados por mim dentro da minha empresa eram aprovados por Marcelo Odebrecht, pelos presidentes ou pelos diretores dos negócios. Isso não retira, por evidente, o peso do meu apoio a um determinado pagamento dentro da empresa. Os agentes políticos sabiam do peso da minha opinião favorável dentro da empresa e eu sempre usei isso em meu favor.

Ainda assim, sem querer fugir às minhas responsabilidades, acho importante, apenas para fins de contextualização, pontuar que, dentro da minha empresa, outras pessoas mantinham agenda própria no Congresso Nacional. Indico, assim, brevemente a agenda que os responsáveis pelas Relações Institucionais de cada uma das empresas desenvolveram e desenvolvem em Brasília junto ao Congresso Nacional.

Texto oficial da delação

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