Carlos Lima
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Carlos Lima | Publicado em 05/07/2018 às 09:26:48

Boeing e Embraer formarão nova empresa

Boeing e Embraer formarão nova empresa Criação de nova empresa avaliada em US$ 4,75 bilhões

Boeing e a Embraer anunciaram nesta quinta-feira (5) o esperado acordo para unir seus negócios, por meio da criação de uma nova empresa . A companhia norte-americana deterá 80% da divisão de aeronaves comerciais da Embraer, que ficará com os 20% restantes. É o segundo grande acordo do setor aéreo em 9 meses .

Em outubro do ano passado, a Airbus comprou metade do programa de aviões de médio alcance da Bombardier.

Agora, a norte-americana Boeing e a brasileira Embraer decidiram formar uma joint venture (nova empresa) na área de aviação comercial, aproveitando a divisão de aeronaves da fabricante brasileira, que é avaliada em US$ 4,75 bilhões.

As duas empresas se unem para tentar consolidar em um mesmo negócio duas operações fortes, uma em aviação de longa distância, outra para deslocamentos regionais.

Enquanto Airbus e Boeing são as principais fabricantes de aeronaves comerciais para voos de longa distância, Embraer e Bombardier lideram o mercado de jatos regionais, com aeronaves equipadas para voar distâncias menores.

Airbus e Bombardier foram as primeiras a unir esforços. A Airbus comprou em outubro de 2017 uma participação majoritária na produção do modelo C-Series, uma família de aeronaves de médio alcance, com capacidade de transportar entre 100 e 150 pessoas, concorrente direta dos jatos da Embraer.

ois meses depois, Boeing e Embraer, que já são parceiras em diversos projetos, anunciaram a negociação de uma fusão. Ainda em 2017, elas já haviam fechado acordo para venda e suporte técnico do novo cargueiro da Embraer, o KC-390. As duas empresas mantêm um centro de pesquisas conjunto sobre biocombustíveis para aviação em São José dos Campos desde 2015.

Ainda que sejam líderes em aviação comercial, as quatros empresas possuem presença da área militar à de transporte, caso da Bombardier, que retém metade de sua receita do fornecimento de infraestrutura para trens.

Boeing

Maior e mais rentável fabricante de aeronaves do mundo, a Boeing faturou US$ 93,3 bilhões no ano passado. A cada US$ 1 em vendas, US$ 0,60 são provenientes da comercialização de aeronaves comerciais. Só em 2017, essa área entregou 763 aeronaves a empresas aéreas de todo mundo.

A empresa norte-americana possui uma carteira de encomendas da ordem de 5.800 aeronaves comerciais, avaliadas em US$ 421 bilhões. A empresa também possui uma área de prestação de serviços.

Dentre as grandes fabricantes, a Boeing é a que possui maior parcela de seu faturamento vindo de sua divisão que fabrica aeronaves para Defesa, Espaço e Segurança. Os caças de guerra e aviões cargueiros rendem 22,5% da receita da empresa.

As encomendas nessa área são avaliadas em US$ 50 bilhões, dos quais 60% foram feitas pelas Forças Armadas dos EUA. A dependência do governo norte-americano é o fator que a Boeing acredita ser um dos problemas de seu negócio. Pouco menos de um terço da receita da empresa é resultado de contratos com a administração pública dos EUA, o que está sujeito a regulamentações próprias e investigações especiais, que, dependendo do resultado, podem impactar o balanço financeiro da Boeing.

Embraer

Nascida a partir de projetos de aviões desenhados no Centro Técnico Aeroespacial (CTA) e no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a Embraer só decolou, em 1969, após receber investimento do governo militar.

Empresa estatal até 1994, quando foi privatizada, a Embraer é a maior fabricante de aeronaves brasileiras e a principal fornecedora da Força Aérea Brasileira (FAB). Apesar disso, a empresa não depende das receitas vindas de sua divisão militar, que respondeu por R$ 3 bilhões, 16,3% das receitas em 2017.

Os contratos advindos da origem militar da empresa foram suplantados pela especialização em fabricar aviões de pequeno porte. Os dados financeiros mostram isso, já que a aviação comercial responde por R$ 10,7 bilhões, 57,7% do faturamento, enquanto a fatia da aviação executiva, cujas receitas são de R$ 4,7 bilhões, é de 25%.

Airbus

A Airbus possui uma distribuição de receita mais equilibrada do que a Boeing. Nenhuma região responde por mais de 30% do faturamento (vai dos 29% da receita vindos da Ásia e Pacífico aos 7% da América Latina), o que a deixa em uma posição confortável quanto a instabilidades regionais ou nacionais.

A fabricante obtém 76,3% de suas receitas da aviação comercial e 16,1% de sua divisão de Defesa e Espaço. Diferentemente das outras três, a Airbus possui um departamento focado em produzir helicópteros, que possui participação relevante, de 9,6%. Em 2017, por exemplo, entregou 409 dessas aeronaves.

Desde 2016, a empresa vem fazendo compras e desinvestimentos para se fortalecer diante da competição com a Boeing em voos de longa distância e se reforçar em voos regionais. Ainda naquele ano, a empresa vendeu boa parte do que detinha da Dassault Aviation. Também começou a desfazer de seu negócio de defesa eletrônica. Vendeu a principal unidade que ficava em Ulm (Alemanha) por € 823 milhões para a firma de investimento Kohlberg Kravis Roberts. A unidade francesa vai ser vendida ainda em 2018.

Esses negócios foram um preparativo do caminho para a Airbus dar o maior passo de sua história e se aliar à Bombardier. Com a compra da produção dos modelos C-Series, a empresa francesa poderá incrementar seu portfólio com aviões leves.

Bombardier

Apesar de uma das líderes em aviação regional, a Bombardier ganha dinheiro mesmo é com infraestrutura de transporte para outros modais diferentes do aéreo. Sua divisão que fornece infraestrutura para o transporte ferroviário, das composições aos serviços de controle, responde por metade dos € 16,2 bilhões faturados em 2017.

As vendas de aeronaves executivas e da área de aviação comercial respondem por receitas de € 5 bilhões e € 2,9 bilhões, respectivamente.

Dentre as quatro maiores fabricantes de aeronaves, a Bombardier é a única que registrou prejuízo em 2017. As perdas somaram € 553 milhões. A boa notícia é que a empresa conseguiu reduzir o buraco, já que perdeu € 981 milhões no ano anterior.

G1

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