Carlos Lima
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Carlos Lima | Publicado em 06/12/2018 às 10:21:10

CHANCELER INFORMAL, EDUARDO BOLSONARO AMEAÇA RELAÇÃO BRASIL-CHINA

CHANCELER INFORMAL, EDUARDO BOLSONARO AMEAÇA RELAÇÃO BRASIL-CHINA Eduardo Bolsonaro abre conflito com a China

Responsável indireto pela nova política externa  brasileira, o deputado Eduardo Bolsonaro avalia que a China, que compra 27% das exportações brasileiras, tornou-se o maior parceiro comercial do Brasil por apenas por “razões ideológicas” e não por estar se transformando na maior economia do mundo;

em entrevista, o ‘príncipe’ do clã Bolsonaro voltou a defender a submissão aos Estados Unidos e chegou perto de comparar a China de Ji Xinping à Alemanha de Hitler, colocando em risco quase US$ 50 bilhões exportados anualmente pelo agronegócio brasileiro e por empresas como a Vale.

Por seu alinhamento ideológico, Eduardo Bolsonaro ameaça lançar o país num abismo comercial-econômico e numa arriscada aventura geopolítica.

Segundo o jornalista Fabio Murakawa, do Valor Econômico, Eduardo Bolsonaro afirmou que escolheu “a esfera internacional como sua principal área de atuação no futuro governo” e que pretende se firmar como uma liderança no tema.

Se o poder do filho de Bolsonaro for proporcional a suas iniciativas antes da posse do governo e suas entrevistas, é possível antever um desastre em larga escala para o Brasil no cenário internacional.

Ele imagina fazer com que os EUA tornem-se o principal parceiro comercial do Brasil alegando, na entrevista, sem qualquer conhecimento da história do país e da evolução da economia mundial e agredindo os chineses de maneira inusitada, comparando-os aos nazistas:

“Os EUA sempre foram o principal parceiro econômico do Brasil. Só não foram em dois momentos da nossa história. Um nos anos 1930, quando o presidente Getúlio Vargas se aproximou de Hitler, e nós tivemos a Alemanha nazista como principal parceiro comercial do Brasil.

E novamente agora, por razões ideológicas, a China, que desde 2009 é a principal parceira comercial do Brasil.”

Não é só.

Eduardo Bolsonaro insinua um estremecimento sem precedentes na relação com os países árabes, parceiros comerciais estratégicos do Brasil, e defendeu uma mudança quase imediata da  embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, em confronto com a ONU e a comunidade árabe de todo o planeta:

“Eu sou entusiasta para que a mudança seja no primeiro mês do governo”, disse ele.

Como sempre, atacou a Venezuela.

Mostrou-se inebriado com a oportunidade de frequentar os gabinetes do governo dos EUA, chamando o conselheiro de Segurança Nacional de Trum, John Bolton, de “senhor Bolton”.

Eduardo Bolsonaro falou sobre o encontro de Bolton com Bolsonaro, na semana passada:

“Acho que o senhor John Bolton saiu muito satisfeito daquela reunião. É como disse o senhor Bolton. Do lado de lá ele falou isso, mas do lado de cá a recíproca é verdadeira. A gente está vivendo um momento histórico que tem tudo para dar certo.”

Eduardo é também um dos organizadores da Cúpula Conservadora das Américas, que acontecerá no próximo sábado (8) em Foz do Iguaçu (PR).

Ele está fascinado com a chance de uma organização regional da extrema-direita:

“A ideia é que a gente aproveite essa guinada à direita, essa linha conservadora nos costumes, o pessoal que é contra a ideologia de gênero, que é a favor do livre mercado, que nós troquemos ideias.

E que a gente chegue a alguns denominadores comuns em todos os países.

É se organizar, afinar a comunicação.

Aquilo que é gritado no Brasil é gritado no Chile, na Colômbia, nos Estados Unidos.

Esse giro que eu tenho dado, Estados Unidos e Colômbia, estou também indo para Paraguai e Chile, tem servido apenas para corroborar aquele sentimento que a gente já tinha.

Quando a gente vai “in loco” e vê o que acontece, a gente vê que tem a necessidade de a gente se aproximar dos nossos irmãos aqui.”

Se as palavras do filho de Bolsonaro tiverem força para se impor ao futuro governo, ao chanceler indicado, Eugênio Araújo, caberá o papel de um “office boy” de luxo do parlamentar, que se dedicará a incendiar e queimar pontes nas relações internacionais do Brasil, com severos reflexos na economia nacional.

 

Leonardo Attuch

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