Carlos Lima
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Carlos Lima | Publicado em 23/08/2017 às 08:54:08

Filho de ministro do TCU é alvo da 45ª fase da Lava Jato

Filho de ministro do TCU é alvo da 45ª fase da Lava Jato Advogado Tiago Cedraz – filho do ministro Aroldo Cedraz, do Tribunal de Contas da União (TCU

O advogado Tiago Cedraz – filho do ministro Aroldo Cedraz, do Tribunal de Contas da União (TCU) – é um dos alvos de busca da 45ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta quarta-feira (23) em Salvador, Brasília e Cotia (SP). Ao todo, quatro mandados de busca e apreensão foram cumpridos na atual fase – batizada de Abate II.

Segundo a TV Globo apurou, há uma intimação para que Tiago Cedraz compareça imediatamente à superintendência regional da Polícia Federal, em Brasília, para prestar depoimento.

Segundo as investigações, o lobista Jorge Luz, que está preso em Curitiba, disse em depoimento que o advogado Tiago Cedraz intermediou conversas entre a empresa norte-americana Sargeant Marine e a Petrobras e que ele teria recebido 20 mil dólares em propina por isso.

Cedraz recebeu os recursos em contas mantidas na Suíça em nome de offshores, ainda de acordo com as investigações.

A operação Abate I, deflagrada na sexta (18), apontou que Cândido Vaccarezza também recebeu propina em troca de um contrato obtido pela Sargeant Marine e a estatal.

Cândido Vaccarezza foi líder dos governos Lula e Dilma e foi preso na 44ª etapa. Ele foi solto pelo juiz Sérgio Moro nesta terça (22), e é alvo de um dos mandados de busca da atual fase.

Segundo a PF, a atual fase investiga dois advogados que participaram de reuniões nas quais o esquema criminoso, com o pagamento de propinas a agentes da Petrobras, teria sido planejado. Eles teriam recebido comissões pela contratação de uma empresa americana pela estatal, mediante pagamentos em contas mantidas na Suíça em nome de offshore, segundo as investigações.

A PF também detectou a participação de um ex-deputado federal e uma assistente dele na prática dos crimes e no recebimento de pagamentos indevidos.

Citado em delações

Nos últimos anos, Tiago Cedraz se tornou um nome recorrente na Lava Jato. Em julho de 2015, o advogado já havia sido alvo de mandado de busca e apreensão em seu escritório de advocacia, o Cedraz Advogados.

Um dos delatores do esquema de corrupção que agia na Petrobras, o empresário Ricardo Pessoa, dono da construtora UTC, afirmou que o filho de Aroldo Cedraz pediu R$ 1 milhão que seriam destinados ao ministro Raimundo Carreiro, que também integra o plenário do TCU.

Ao prestar depoimento aos procuradores da República, Ricardo Pessoa disse que os pagamentos enviados a Raimundo Carreiro estariam relacionados à licitação de uma das unidades da usina de Angra 3.

Já os pagamentos a Tiago Cedraz, acrescentou o delator, eram feitos para que o filho do então presidente do TCU repassasse informações privilegiadas e antecipadas sobre investigações e julgamentos no tribunal que envolvessem a UTC.

Além disso, em 2016, Pessoa entregou à Polícia Federal uma tabela que indicava pagamentos que somam R$ 2,2 milhões a Tiago Cedraz.

Na delação dos executivos e ex-dirigentes da Odebrecht, o nome de Tiago Cedraz voltou à tona. O ex-executivo da construtora Henrique Pessoa afirmou ao Ministério Público que ficou sabendo que Tiago teria sido contratado, por R$ 1 milhão, para “resolver um problema” que estava parado no TCU.

Em novembro do ano passado, a Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro e Tiago Cedraz.

Vaccarezza solto

Cândido Vaccarezza foi solto após o vencimento da prisão temporária, mas terá que pagar fiança estipulada por Moro de R$ 1.522.700,00.

O pagamento poderá ser feito 10 dias depois da saída dele da cadeia, na noite desta terça-feira (22). Para ter direito ao habeas corpus, ele assinou um termo de compromisso, garantindo que poderá depositar o dinheiro no prazo determinado por Moro.

Adriana Justi, Camila Bonfim e José Vianna

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