Carlos Lima
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Carlos Lima | Publicado em 31/01/2019 às 10:51:11

Raposa Serra do Sol: índios produzem, mas faltam médicos e infraestrutura após 10 anos

Raposa Serra do Sol: índios produzem, mas faltam médicos e infraestrutura após 10 anos ÍNDIOS DA RAPOSA SERRA DO SOL

Cravada na tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana, a Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, voltou ao centro das atenções depois que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) falou em rever a demarcação de 17 mil quilômetros, concluída no governo Lula (PT).

Veja imagens da reserva indígena Raposa Serra do Sol hoje

A declaração, mesmo com o recuo ensaiado em seguida, reacendeu um debate ainda recente da história indigenista no Brasil.

Em 2009, os últimos não-índios da região, na maioria arrozeiros e pecuaristas, deixavam a reserva após intensos conflitos e uma batalha judicial que terminou no Supremo Tribunal Federal (STF).

Para mostrar como os índios vivem uma década após a desocupação e em meio à polêmica proposta, o G1 percorreu quase 500 KM dentro da área em uma viagem de três dias por oito comunidades indígenas.

A Raposa Serra do Sol em 2019

Entrecortada por estradas de terra esburacadas e quase intrafegáveis, a Raposa Serra do Sol fica entre os municípios de Uiramutã, Pacaraima e Normandia.

Ao todo, são mais de 25 mil índios distribuídos entre 222 comunidades das etnias macuxi, taurepang, patamona, ingaricó e wapichana.

Na maioria das aldeias não há energia elétrica ou água encanada. As poucas que possuem luz e água dependem de geradores de energia e bombas d’água, mas com custo e manutenção caras as máquinas nem sempre são acessíveis aos nativos.

A saída de cubanos do programa Mais Médicos também agravou a situação dos índios. Atendida pelo Distrito Sanitário Indigena Leste (Dsei-Leste), a área tinha os cubanos ocupando 90% do quadro de médicos e acabou desassistida com saída dos estrangeiros.
Por outro lado, livres para viver em toda a área – o que não acontecia antes da demarcação – os índios ocuparam fazendas deixadas por não-índios de maneira comunitária. Hoje apostam na criação de gado, que chega a 60 mil cabeças, no plantio de orgânicos e, mais recentemente, na piscicultura.

Maira Alexandre, 26, vive na Raposa há um ano: ‘Sou índia de outra região do estado, me casei com um rapaz da Raposa e vim morar com ele. O que mais gosto daqui é da tranquilidade’ — Foto: Emily Costa/G1 RR

Retirados da área, produtores tiveram de migrar para outras regiões do estado, mas mesmo passados dez anos ainda não recuperaram a produção de antes.

Arrozeiros que plantavam 22 mil hectares em 2008, agora plantam só 9 mil, uma queda notável para o estado que tem 46% do território ocupado por terras indígenas e depende de repasses do governo federal para se manter.

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