Carlos Lima
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Internacional
Carlos Lima | Publicado em 19/03/2018 às 11:21:15

Justiça italiana imobiliza barco de ONG espanhola que resgatava migrantes

Justiça italiana imobiliza barco de ONG espanhola que resgatava migrantes No sábado, desembarcaram na região de Pozzallo 216 migrantes resgatados na quinta-feira.

A Justiça italiana imobilizou no domingo à noite (18) o navio da ONG espanhola Proactiva Open Arms, a qual acusa de favorecer a imigração clandestina – informou a organização nesta segunda-feira (19).

O navio “Open Arms”, que resgatou mais de 5.000 migrantes desde o ano passado, encontra-se agora no porto de Pozzallo, no sul da Sicília. No sábado, desembarcaram ali 216 migrantes resgatados na quinta-feira no litoral líbio.

A investigação aberta pela Procuradoria da Catânia (Sicília) contra a ONG, seu fundador, o chefe de missão e o capitão da embarcação foi lançada em consequência dessa operação de resgate.

Na quinta, a Guarda Costeira italiana apontou duas embarcações em perigo para a Proactiva Open Arms, que foi ao local e socorreu os imigrantes.

Depois, Roma avisou à ONG que a Guarda Costeira líbia assumiria o comando das operações, e esta enviou um barco para a zona situada a 73 milhas do litoral líbio.

Depois do alerta italiano, a organização espanhola se negou a entregar os migrantes aos líbios.

“Ainda é apenas uma hipótese de delito”, explicou no Twitter o fundador da ONG, Oscar Camps.

“A tomada do barco é preventiva, mas somos acusados de associação criminosa e de fomentar a imigração ilegal por desobedecer os líbios ao não lhes entregar mulheres e crianças”.

É frequente que a Guarda Costeira líbia intervenha antes da chegada de um barco enviado por sua homóloga italiana, mas, segundo a porta-voz da ONG, Laura Lanuza, era a primeira vez que Roma pedia a um barco humanitário para participar de uma operação coordenada por Trípoli.

Para os migrantes, a diferença é grande: quando as operações de resgate são coordenadas de Roma, os migrantes são levados para a Itália. Quando as tarefas são dirigidas de Trípoli, os migrantes retornam para a Líbia, onde muitos entram em um novo ciclo de violência.

Por isso, e apesar das ameaças da Guarda Costeira líbia, a ONG se negou a transferir para o barco líbio os migrantes que tinha acabado de resgatar e se dirigiu para o norte.

“Impedir o resgate de vidas em perigo em alto-mar com o fim de devolvê-las à força a um país inseguro — como é a Líbia —  (…) contraria o Estatuto dos Refugiados da ONU”, tuitou Camps.

JB

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