Carlos Lima
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Internacional
Carlos Lima | Publicado em 18/07/2019 às 11:32:54

Número de mortos em incêndio no Japão vai a 33

Número de mortos em incêndio no Japão vai a 33 Bombeiros lutam contra o fogo em um estúdio de animaçãp em Kyoto - JIJI PRESS/AFP

Ao menos 33 pessoas morreram nesta quinta-feira em um incêndio aparentemente de origem criminosa em um estúdio de animação de Kioto, oeste do Japão.

O balanço pode aumentar, já que vários funcionários se encontram desaparecidos, e outros 35 ficaram feridos, dez dos quais em estado grave.

De acordo com a mídia local, acredita-se que cerca de 70 pessoas estavam no prédio quando o incidente começou.

A polícia suspeita que “um homem jogou um líquido inflamável e começou o incêndio”, disse à AFP um porta-voz da polícia de Kioto.

Segundo a imprensa, o responsável pelo incêndio tem cerca de 40 anos, ficou ferido e estaria hospitalizado sob vigilância policial.

“Continuamos com as operações de socorro, evacuando os indivíduos presos dentro do prédio, alguns dos quais talvez não sejam capazes de se mover sozinhos”, disse um porta-voz dos bombeiros.

O incêndio irrompeu às 10h30 (23h30 de Brasília), em um prédio da empresa Kyoto Animation, que produz séries animadas de grande sucesso na televisão japonesa.

Três horas depois, estava quase controlado, embora uma fumaça branca ainda saísse de algumas janelas, de acordo com imagens transmitidas pela televisão.

– Vão morrer –

“Estamos acompanhando a situação e vendo como podemos proceder. No momento não podemos dizer mais coisas”, disse à AFP uma pessoa da empresa-matriz do estúdio por telefone.

Os serviços de resgate confirmaram vários feridos. Entre os mais graves, vários perderam a consciência, segundo um representante dos bombeiros contatados pela AFP.

A polícia confirmou que suspeita de ato criminoso.

“Um homem derramou um líquido inflamável e iniciou o incêndio”, disse um porta-voz da prefeitura de Kyoto à AFP.

“O homem teria dito: ‘eles vão morrer’”, de acordo com um testemunho transmitido pelo canal de televisão pública NHK.

“Algumas testemunhas afirmaram que ouviram detonações no primeiro andar da Kyoto Animation e viram fumaça”, disseram os bombeiros. “Eu ouvi duas forte explosões”, contou um homem à NHK.

Facas foram encontradas no prédio, mas não se sabe se pertenciam ao suspeito.

“Fiquei sem palavras”, escreveu o primeiro-ministro Shinzo Abe, que disse que oraria pelas vítimas do incêndio, um dos piores de origem criminosa no Japão, se as pistas forem confirmadas.

“Recebemos e-mails com ameaças de morte”, disse Hideaki Hatta, CEO da Kyoto Animation, que disse não poder “suportar o fato de que pessoas que representam a indústria de animação no Japão tenham sido feridas ou mortas”.

– Violência cega –

A Kyoto Animation é uma produtora de desenhos animados que desenhos e vende produtos derivados das séries.

Cerca de 160 pessoas trabalham na empresa, que inclui uma escola de animação.

O grupo possui dois edifícios, um dos quais foi o alvo do incêndio.

O incêndio provocou reações de tristeza de renomados animadores, entre eles o diretor do longa-metragem de animação “Your Name”.

“A todos vocês, na Kyoto Animation, peço, estejam seguros”, escreveu em sua conta no Twitter Makoto Shinkai.

“Por que, por que, por quê?”, questionou Yutaka Yamamoto, que era membro do estúdio Kyoto Animation na série Lucky Star.

A taxa de criminalidade é relativamente baixa no Japão, mas de tempos em tempos o país registra crimes sangrentos provocados pela chamada violência cega, na qual indivíduos em um momento de loucura matam indiscriminadamente.

Em julho de 2016, um jovem esfaqueou 19 pessoas em um hospital para doentes mentais, a cerca de 50 km de Tóquio, o mais grave assassinato em massa desde 1938.

Em 2008, um homem de 28 anos, armado com uma faca e atrás do volante de um caminhão, causou pânico no bairro de Akihabara, em Tóquio, deixando sete mortos e 10 feridos.

O homem atropelou vários transeuntes e depois deixou o veículo para esfaquear várias pessoas.

Em junho de 2001, um homem matou oito crianças em uma escola de Osaka.

AFP

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