Carlos Lima
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Internacional
Carlos Lima | Publicado em 18/01/2018 às 09:04:19

Os EUA que não passam na tevê

Os EUA que não passam na tevê LÁ TAMBÉM EXISTE.

São “nortistas”.

Dos Estados Unidos da América do Norte.

Não vêm dos “países de merda” a que Donald Trump se referiu outro dia, falando de nações africanas e latinoamericanas.

Não têm casa, não têm emprego, vivem nas condições em que você vê aí, no vídeo abaixo. E vê, sem barracas de nylon, com papelões velhos, nos quatro cantos do Brasil.

Lá estão nossos “gringos”, tão carentes quanto nós, em todos os 50 Estados da The Stars and Stripes , a bandeira norte-americana, para a qual, outro dia, Jair Bolsonaro bateu continência. Em ordem alfabética, para que não reste dúvida.

Impérios ricos não querem dizer que seu povo seja rico e feliz. Ao contrário, a pobreza e a dominação se reproduzem internamente.

Quem duvidar, leia a autobiografia de Charlie Chaplin, contando sua infância nas “Funabem” do Império Britânico na virada do século 19 para o 20. Se quiser saber da França sem o glamour de Paris, poucos anos antes, leiam o Germinal de Émile Zola, escrito após a vivência de meses do escritor  como mineiro de carvão.

A pobreza não é um determinismo racial ou geográfico, é um mal social. Nós é que nos acostumamos a vê-la negra, mulata, nordestina.

Em 89, acompanhando Leonel Brizola numa carreata em Uruguaiana, numa vila – como chamam por lá as favelas – lembro do meu choque cultural ao ver o velho jipe ser seguido por dúzias de crianças pobres e de rostos sujos, quase todas lourinhas e de olhos claros, como quase nenhum carioca já viu.

A humanidade é uma bandeira universal. É mesmo o nome de nossa espécie: humanos.

Amar o seu país e defendê-lo não é xenofobia, é apenas amar a sua casa e entendê-la como parte de uma rua, de uma cidade, de um mundo.

Elis, maravilhosa, completa o raciocínio.

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