Carlos Lima
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Internacional
Carlos Lima | Publicado em 25/11/2015 às 06:17:14

Turquia, membro da OTAN, teve aval dos EUA para derrubar avião russo?

Turquia, membro da OTAN, teve aval dos EUA para derrubar avião russo?

Quer compreender a gravidade do incidente de hoje, quando um avião turco F-16 derrubou um jato russo – segundo os russos em espaço aéreo sírio – que lançava ataques contra o “Exército Islâmico”?

Então imagine um caça Sukhoi da aviação iraniana derrubando um jato norteamericano que estivesse atacando posições do Isis no Iraque, junto da fronteira iraniana.

A Turquia é membro da Otan e é impossível que não tenha discutido protocolos militares – o que fazer diante de determinadas situações, como fazer, até onde ir – diante de contatos de fronteira entre sua aviação e a russa.

Não houve tiro de advertência, para o caso de não ser possível comunicação por rádio, se foi tentada de fato.

Piloto algum, em exceto em situação de guerra declarada ou  sob ataque, efetua disparo letal sem ordem superior.

A Russia espera apenas o pronunciamento da Otan, quieta até agora.

Putin disse que foi “uma punhalada nas costas”.

Numa rápida análise no Facebook, o veterano jornalista Nilson Lage, testemunha de todos tipos de guerra, quentes, frias e mornas,  escreveu:

A derrubada de avião militar russo na fronteira entre Síria e Turquia pela aviação turca esquenta o conflito inevitável do “Ocidente” (incluindo Israel e Arábia Saudita, entre outros) com a coligação Síria-Irã-Rússia, que conta com a simpatia da China, entre outros.
O objetivo comum do “Ocidente” é eliminar o estado laico liderado por Assad, abrindo cominho à destruição do Irã e fragilização da Rússia, que tem pesados interesses geopolíticos na região
Os americanos sonham completar sua “primavera árabe”, que quebrou resistências nacionais por todo o Oriente Médio, substituindo governos estáveis por teocracias e disputas tribais.
Os franceses admitem retalhar o território sírio, criando um novo país étnico, o Curdistão. Os turcos se opõem, porque a ambição dos curdos é incorporar parte dos territórios turco e iraquiano.
Israel quer prosseguir calmamente com a ocupação da Palestina e das colinas do Golã, recriando seu sonhado império milenar – agora, com forte suporte bancário e militância ideológica espalhada pelo mundo.
É um contexto extremamente perigoso de coligações frágeis e propagada – que só não explode porque a parte russa (e chinesa), detentora de armamento nuclear, não se dispõe a usá-lo.
Os americanos dão a impressão de que estão doidos para isso.

A estratégia de recusar, diante da necessidade de conter o avanço do “Exército Islâmico” qualquer entendimento que inclua o governo sírio não é uma simples teimosia dos EUA.

Hoje, no The New York Times, John Bolton, ex-embaixador de George W. Bush na ONU, defende abertamente que os Estados Unidos e aliados “criem um país” sunita com partes da Síria e do Iraque, controlando as áreas de petróleo nos dois países.

Como após a Primeira Guerra, querem de novo traçar a régua as fronteiras nacionais no Oriente Médio, dividindo tal como possam reinar.

A propósito, coloco a seguir o excelente vídeo, narrado em espanhol e com legendas em português, feito pela Why Maps, com um pouco desta história, que me envio o leitor Antonio, de muito fácil compreensão mesmo para os que não acompanham o cenário da guerra. Foi feito antes dos ataques a Paris e  não tem características de propaganda.

F. Brito

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