Carlos Lima
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Legislativo
Carlos Lima | Publicado em 02/11/2016 às 16:01:49

DIA DE FINADOS QUE TAMBÉM PODE SER O DIA DOS ESQUECIDOS

DIA DE FINADOS QUE TAMBÉM PODE SER O DIA DOS ESQUECIDOS A quem duvide

O Dia de Finados, também chamado de “Dia dos Mortos”, e por quê não, dos vivos que pelo que são, estão mortos e não sabem.

Pois bem, no meu convívio entre os humanos vivos, alguns já morreram dentro do meu coração e não sabem.

Aqueles que pelo comportamento, pela falsidade, pela inveja, pela traição, foram afastados dos nossos sentimentos, mas os enxergamos quase todos os dias e que não vale a pena nem falar sobre eles.

Hoje,  dia 2 de novembro, as pessoas vão aos cemitérios para homenagear seus mortos.

Dependendo do país, essas celebrações são realizadas com missas, enquanto que outros comemoram fazendo festas bem barulhentas.

Os católicos definem essa data como uma celebração da vida eterna das suas pessoas queridas que faleceram.

Enquanto o “Dia de Todos os Santos” (1º de novembro) celebra as pessoas que morreram em estado de graça, o “Dia de Finados” celebra os que morreram e não são lembrados nessa outra celebração a todos os santos.

Na verdade, os cristãos primitivos, os seguidores das doutrinas dos apóstolos, acreditavam que a ressurreição dos mortos só aconteceria no dia do Juízo Final, e rejeitavam qualquer doutrina contrária.

Foi a fusão da Igreja com o Império Romano que ocasionou a adoção de certos costumes e crenças, pois essa fusão envolvia um compartilhamento com ideias de povos pagãos, como celebração dos mortos, tentativa de comunicação com eles, junto aos seus túmulos.

São três comemorações em sequência, 31 de outubro, Dia das Bruxas, 1 de Novembro dia de todos os Santos  e Dia 2 de novembro dia dos mortos ou seja Dia de finados.

Podemos sintetizar o assunto da seguinte forma:  Primeiro existiu o “Dia das Bruxas”, em homenagem a Samhain, comemoração muito antiga, festejando diferentes acontecimentos, surgida nas velhas civilizações britânicas.

Alimentos eram jogados em fogueiras para os espíritos que viriam à Terra naquela noite de 31 de outubro, que era o último dia do ano do Calendário Celta.

Satisfeitos com os alimentos, eles iriam embora e não incomodariam às pessoas que viviam ainda por aqui.

Com o objetivo de confundir esses espíritos, as pessoas se vestiam de bruxas, fantasmas, etc., de modo que os fantasmas e demônios pensassem que as pessoas eram espíritos como eles e não as incomodariam.

Estamos falando de séculos e séculos desses costumes, de épocas onde não existiam Inglaterra, Irlanda, etc. ainda, só os primeiros moradores daquelas ilhas britânicas.

Sacerdotes druidas, na Antiguidade

No final do Século X a Igreja Católica Romana tentou dar um pouco de direção a essas tradições impregnadas de paganismo, em homenagem a “Samhain”, instituindo outro dia de comemorações, este em homenagem a todos os santos católicos declarados e não declarados.

Como a população pagã de parte do Império Romano sempre teve uma tendência de ligar-se ao ocultismo (morte, espíritos, assombrações, bruxas), lamentava o esfriamento acontecido na festa das bruxas.

Assim, o catolicismo criou uma terceira festividade, no dia imediatamente posterior (2 de novembro), para homenagear os mortos cristãos.

O esquema estava montado. Todos os povos do Império Romano, não importando sua crença, poderiam parar de trabalhar por três dias, festejando um leque de homenageados: primeiro, a festa pagã a Samhain, o “deus da morte”, depois todos os santos católicos e finalmente todos os mortos cristãos, que também precisavam ter a sua oportunidade.

Foi uma medida política e religiosa muito bem planejada.

 Segundo dados históricos, o Dia de Finados foi instituído no Século X por um abade beneditino francês, chamado Odílio, para os mosteiros da sua ordem religiosa, ideia comprada pela Igreja Católica, que universalizou a data no Século XI.

Porém, a data de 02 de novembro só foi oficializada no Século XIII.

Segundo a própria literatura católico-romana, essa doutrina esdrúxula foi confirmada através de acordos durante o Concílio de Florença (1439) e no Concílio de Trento (1549-1563), quando surgiu na França o costume de se usar disfarces em representações artísticas, época em que metade da população europeia houvera sido ceifada pela Peste Negra e pela Peste Bubônica.

Na véspera do “Dia de Finados” os artistas enfeitavam os muros dos cemitérios com imagens do diabo carregando pessoas em fila para as tumbas.

Com o tempo, as missas rezadas no “Dia de Finados” homenageavam aos mortos que estariam no purgatório, local de pós-vida onde os cristãos mortos se purificariam para poderem, mais tarde, irem para o Céu.

Por meio dessas orações os membros vivos da Igreja podiam livrar os seus amigos e familiares que já haviam partido.

O historiador Jacques Le Goff diz que toda essa história significa o “além inventado pela Igreja” para a remissão dos pecados dos defuntos, após a sua morte, mas sem combinar nada com eles.

O Dia de Finados, no México, ganhou uma popularidade espetacular, mesclando as homenagens das famílias aos seus parentes falecidos com outras atividades meio esquisitas.

Essa festividade inclui desfiles ruidosos com caixões fúnebres, esqueletos e demônios.

Nessa tradição notável, os farristas chegam a teatralizar um funeral com uma pessoa viva dentro de um caixão, simulação bastante identificada com o “Halloween” dos vizinhos norte-americanos, festejado dois dias antes (31 de outubro).

Aqui no Brasil, a movimentação já começa na semana anterior à data, quando as pessoas vão até os cemitérios limpar e pintar os jazigos da família, acender velas e ornamentá-los com flores. Algumas pessoas “encomendam” missas a serem rezadas pelas almas dos seus falecidos.

Afora esse significado religioso antigo, a data mantém um tom melancólico, pois força a lembrança de perda, a saudade, etc.

Por sinal, embora não haja uma explicação racional, quase todo ano chove nesse dia.

Diz a lenda que “chove nesse dia porque toda a tristeza das pessoas que perderam um ente querido sobe ao céu e desce em forma de chuva, para lavar toda a mágoa que ficou.”

Por outro lado, o “Dia dos Mortos” traz um lucro enorme para a economia informal das localidades, pois quem realmente aproveita essa data são os comerciantes, que obtêm até mesmo licenças das prefeituras para montarem barracas comerciais em frente à entrada dos cemitérios, carrinhos de lanches, mão-de-obra oferecida para limpeza dos túmulos, revenda de velas, santinhos, etc.

As pessoas mais jovens já não se envolvem muito com essa movimentação, considerando perda de tempo, hipocrisia, costume arraigado e assim por diante.

Os jovens até vão aos cemitérios, mas com outras motivações, como desfrutar da movimentação de pessoas, namorar, ganhar algum dinheiro e assim por diante.

Esses costumes estão mais ligados à Igreja Católica Romana, com suas crenças de “rezar” pela salvação dos mortos, tirá-los do purgatório, desviá-los do caminho do inferno.

Outros segmentos, pelo fato de não concordarem com essas crenças católicas, simplesmente ignoram a data, mas aproveitam o feriado, um dia em que não se trabalha.

Os evangélicos, por exemplo, baseados na Bíblia Sagrada, acreditam que as pessoas que morrem estão dormindo, aguardando o grande dia do Juízo Final, quando haverá o julgamento eterno.

Sabem que nada do que façam poderá mudar o destino já traçado das pessoas que já morreram. Assim, não há por que irem aos cemitérios, colocarem flores sobre a sepultura de mortos cujos corpos já nem existem mais ali, pois se deterioraram pelo tempo. Como dizem os jovens, tudo isso é “viagem”.

Os católicos não aceitam aquela ideia de algumas pessoas, quando dizem: “Quando se morre, acaba tudo.”

Os católicos creem que o testemunho de vida daquela pessoa que morreu fica como luz no coração de quem continua a peregrinação.

Para tanto, eles acendem velas no Dia de Finados, buscando celebrar e perpetuar a luz do falecido.

As flores mais utilizadas para homenagearem seus mortos são os crisântemos. Essas flores representam o sol e a chuva, a vida e a morte e podem ser amarelas, brancas ou vermelhas.

Vale registrar aqui alguns costumes mantidos até os dias de hoje, pela população, superstições que teimosamente invadiram o Século XXI e não mostram qualquer indício de acabar.

a)   Quando morre uma pessoa, deve-se abrir todas as portas da casa, de modo que a alma possa tomar o seu destino.

 As aberturas do fundo da casa, porém, devem ser mantidas fechadas, pois o lugar certo para a “alma” sair é pela porta da frente da casa;

b) Não se deve chorar a morte de um “anjinho” (criança recém-nascida), pois as lágrimas molharão as suas “asas”, impedindo o “anjinho” de voar para o céu;

c) Quando sentimos um rápido tremor no corpo, é porque a morte passou por perto de nós. Nesse momento, devemos tocar a pessoa que estiver perto da gente,  e dizer a frase: “Sai, morte, que estou bem forte!”;

d) Acender os cigarros de três pessoas com um mesmo fósforo provoca a morte da última pessoa a ter o cigarro aceso. Outra versão diz que quem morrerá será a pessoa mais jovem das três;

e) Quando várias pessoas estão conversando e todos param repentinamente de falar, significa que algum padre morreu em algum lugar;

f) Quem come a última bolacha de um pacote, morrerá solteiro;

g) Não se deve trazer terra do cemitério nos calçados, quando se volta de um enterro, pois isso trará outra morte para aquela casa;

h) Quando passa um enterro, não se deve atravessar pelo meio dele, pois isso traz morte. O ideal e acompanharmos também ao enterro.

E assim continuamos reverenciando a morte, apenas pelo medo dela nos alcançar.

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