Carlos Lima
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Literatura
Carlos Lima | Publicado em 12/05/2017 às 15:23:01

Após morte de Antonio Candido, USP decreta três dias de luto

Após morte de Antonio Candido, USP decreta três dias de luto Autor de 'Formação da Literatura Brasileira' deu aulas na USP e ganhou prêmios como Jabuti e Camões.

Reitoria da Universidade de São Paulo (USP) decretou luto de três dias após a morte de Antonio Candido, nesta sexta-feira (12). “A Reitoria decretou luto oficial na USP, nos dias 12, 13 e 15 de maio, em razão do falecimento do professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e crítico literário, Antonio Candido de Mello e Souza”, afirmou a assessoria de imprensa da universidade, em um comunicado.

As aulas na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) também foram suspensas nesta sexta. O Centro Acadêmico Oswald de Andrade (Caell), dos estudantes de letras da USP, também decretou luto e suspensão das atividades nesta sexta.

“Crítico literário, sociólogo, intelectual e militante político, Antonio Candido revolucionou a maneira de pensar a cultura nacional e interpretar o Brasil. Através de sua obra, nos propiciou compreender a literatura como um direito do ser humano e por toda sua vida nos ajudou a traduzir nosso país. Nós, Centro Acadêmico, em nome de todas e todos estudantes do curso de letras da Universidade de São Paulo, vimos publicamente manifestar o mais profundo agradecimento ao professor Antonio Candido, pilar dos estudos literários e sociológicos que cotidianamente permeiam nossa formação. Decretamos, portanto, luto e suspensão das atividades do CAELL neste dia”, afirmou a entidade, em uma nota publicada em sua página no Facebook.

Crítico literário e sociólogo, Antonio Candido morreu em São Paulo na madrugada desta sexta-feira aos 98 anos. O velório ocorre no Hospital Albert Einstein, no Morumbi, até as 17h. Ele deixa as filhas Ana Luísa e as também professoras de História da USP, Laura de Mello e Souza e Marina de Mello e Souza.

Candido foi um dos mais importantes críticos literários brasileiros. Ele nasceu no Rio de Janeiro, em 24 de julho de 1918, filho do médico Aristides Candido de Mello e Souza e de Clarisse Tolentino de Mello e Souza.

Na infância, não estudou em escolas e foi educado em casa tendo a mãe como professora. Ainda criança, ele se mudou para Poços de Caldas (MG), e depois para São João da Boa Vista, no interior de São Paulo. Também viveu na França, entre 10 e 12 anos.

Em 1937, iniciou os cursos de Direito e de Ciências Sociais na Universidade de São Paulo (USP). Quatro anos depois, ele se formou em Ciências Sociais.

Iniciou a carreira como crítico literário nos anos 40, tendo escrito para jornais como “Folha da Manhã”, “Diário de S. Paulo” e “O Estado de S. Paulo”.

Tornou-se livre-docente de literatura brasileira em 1945 e doutor em ciências em 1954. Em 1974, passou a ser professor titular de teoria literária e literatura comparada da USP, cargo em que se aposentou em 1978.

O velório ocorre no Hospital Albert Einstein, no Morumbi, até as 17h. Ele deixa as filhas Laura e Marina, também professoras de história da USP, e Ana Luísa. Marina disse que o pai tinha hérnia de hiato no estômago, não se sentiu bem e foi internado no sábado.

“Espero que a morte dele seja um momento para a sociedade brasileira pensar sobre ética, ele era um homem muito coerente com seus ideais. Eu acho que seria bonito se o Brasil pudesse colocar a mão na cabeça e lembrar da geração dele, da geração que ele representa, uma geração que prezava os valores da democracia, os ideias e se comportava conforme valores mais amplos do que interesses pessoais e privados”, afirmou Marina, filha dele.

Segundo ela, o pai estava lúcido até os últimos momentos. Sobre a crise política e o momento atual no mundo, Antonio Candido “estava muito triste. Ele estava assustado com o mundo, com os conflitos, a violência, a guinada à direita no mundo”, relembra Marina. “Ele estava preocupado que tínhamos perdido conquistas e direitos”, disse ela.

Velório e último texto

O velório ocorre até as 17h, em caixão fechado. O corpo será cremado em uma cerimônia para a família. Na última sexta-feira, antes de ser internado, Antônio Cândido revisou seu último texto, escrito a mão, sobre o trabalho que teve com Oswald de Andrade. O texto ainda será publicado.

A revisão ocorreu a pedido de um ex-aluno, Jorge Schwartz, diretor do Museu Lasar Segall, que foi a casa de Antônio Cândido com uma amiga e também ex-aluna, Berta Waldman, que foi sua orientanda em mestrado de literatura na USP.

“Eu levei até a casa dele a transcrição de uma palestra dele sobre Oswald de Andrade que queria publicar. Ele me disse que estava muito informal, pois era uma fala, e que tinha um texto escrito novo sobre Oswald de Andrade. O texto estava todo rabiscado, com correções. Me pediu para passar a limpo e eu disse: ‘claro, professor’. Trouxe de volta e ele fez mais correções. Ele estava bem lúcido”, disse Jorge.

G1

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O crítico literário Antônio Cândido, em foto de julho de 1998 (Foto: Cris Bierrenbach/Folhapress/Arquivo)

Crítico literário e sociólogo, Antonio Candido morreu em São Paulo na madrugada desta sexta-feira aos 98 anos. O velório ocorre no Hospital Albert Einstein, no Morumbi, até as 17h. Ele deixa as filhas Ana Luísa e as também professoras de História da USP, Laura de Mello e Souza e Marina de Mello e Souza.
Candido foi um dos mais importantes críticos literários brasileiros. Ele nasceu no Rio de Janeiro, em 24 de julho de 1918, filho do médico Aristides Candido de Mello e Souza e de Clarisse Tolentino de Mello e Souza. Na infância, não estudou em escolas e foi educado em casa tendo a mãe como professora. Ainda criança, ele se mudou para Poços de Caldas (MG), e depois para São João da Boa Vista, no interior de São Paulo. Também viveu na França, entre 10 e 12 anos.
Em 1937, iniciou os cursos de Direito e de Ciências Sociais na Universidade de São Paulo (USP). Quatro anos depois, ele se formou em Ciências Sociais.
Iniciou a carreira como crítico literário nos anos 40, tendo escrito para jornais como “Folha da Manhã”, “Diário de S. Paulo” e “O Estado de S. Paulo”.
Tornou-se livre-docente de literatura brasileira em 1945 e doutor em ciências em 1954. Em 1974, passou a ser professor titular de teoria literária e literatura comparada da USP, cargo em que se aposentou em 1978.

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