Carlos Lima
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Nacional
Carlos Lima | Publicado em 26/05/2017 às 10:39:14

Como exército de voluntários se organiza nas redes para bombar campanha de Bolsonaro a 2018

O deputado carioca do PSC (Partido Social Cristão) transformou-se em um dos políticos com maior influências nas redes sociais, chegando a 4,2 milhões de seguidores no Facebook – mais do que o ex-presidente Lula (2,9 milhões) e do que o atual mandatário Michel Temer (580 mil). Neste ano, a popularidade começou a traduzir-se em intenção de voto.

Mas Bolsonaro não está sozinho na empreitada digital. O parlamentar conta com um exército de voluntários que, além de compartilhar suas postagens, criaram comunidades online para divulgar seu nome pela internet.

Com o objetivo final de alçá-lo à Presidência do país, esses simpatizantes deixaram de lado as ações individuais e formaram uma rede ainda difusa, mas com representantes em vários lugares do Brasil, para reforçar a campanha. Impulsionados pela crise política, e com auxílio do próprio Bolsonaro, discutem as melhores estratégias para atrair público e orientam simpatizantes do congressista a agir para bombá-lo nas mídias sociais.

Turetti, diz que é um dos fundadores desse movimento. Apresenta-se como coordenador de importação e, nas horas vagas, administrador da página “Jair Bolsonaro Presidente 2018”, que tem mais de 400 mil curtidas no Facebook.

Ex-seguidor do filósofo comunista Karl Marx, hoje se identifica mais com bandeiras do deputado, como a castração química para estupradores.

“Marx pregava união e igualdade e fui percebendo que era utopia. Quando você conhece a natureza humana, vai ficando cruel.”

Turetti e outros administradores na internet dizem que seu trabalho ajuda a explicar a ascensão de Bolsonaro nas pesquisas. Todos dizem não receber nada pelo esforço.

“Modéstia à parte, se não fossem as redes, hoje ele seria um Enéas (Carneiro, ex-deputado morto em 2007) da vida”, compara Thiago Novais, de 34 anos, criador da página ‘Eu Era Direita e Não Sabia’, que tem 364 mil curtidas no Facebook.

Em sondagem publicada em abril pelo Datafolha, o parlamentar ficou em segundo lugar na disputa de 2018 – em cenário que inclui Lula, Marina Silva e Aécio Neves -, com 15% das intenções de votos no primeiro turno. Em 2015, eram 4%.

Jair Bolsonaro, que anunciou sua pré-candidatura no ano passado.

Como começou

A estratégia online não tem data exata de criação, já que o ativismo foi se fortalecendo nos últimos anos.

O militar reformado está em seu sexto mandato na Câmara. Em 2014, foi o deputado mais votado do Estado do Rio de Janeiro, com mais de 460 mil votos. De lá para cá, suas declarações controversas sobre comunismo e a esquerda ganharam cada vez mais repercussão.

“O brasileiro é carente por líderes, né, e ele assumiu esse vácuo, como uma figura transparente, que fala o que pensa. A ideia de elegê-lo veio porque ele não tem histórico de corrupção.”

Dom Werneck, que se identifica apenas como militante, é conhecido por recepcionar Bolsonaro toda semana no aeroporto de Brasília, cidade onde mora. Werneck afirma que foi “o precursor” dessa rede, em 2013, quando conheceu as opiniões do parlamentar. No ano seguinte, o encontrou pessoalmente.

“Bolsonaro é um dos poucos políticos que têm uma militância voluntária. Me aproximei dele por causa disso e falei ‘vamos fortalecer a militância para o senhor vir aí em 2018’. Aí começamos a trabalhar”, diz.

“Eu fazia uma lista (de apoiadores) e pedia a ele que mandasse um recado para cada um. As pessoas gostavam e desenvolviam grupos em suas cidades.”

Werneck fundou o que chama de “movimento bolsonarianista”, que tem mais de 80 grupos de WhatsApp com integrantes do Brasil todo.

Ingrid Fagundez

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