Carlos Lima
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Nacional
Carlos Lima | Publicado em 07/02/2020 às 23:48:40

Brasil nega carona a sul-americanos em voo vindo de Wuhan, mas traz poloneses

Brasil nega carona a sul-americanos em voo vindo de Wuhan, mas traz poloneses Embarque dos brasileiros repatriados de Wuhan, na China

O governo brasileiro negou ajuda a representantes de Bolívia, Costa Rica, Argentina, Colômbia, Panamá e Cabo Verde para sair da cidade de Wuhan, na China, epicentro do surto do coronavírus, informa reportagem da Folha de S.Paulo.

Segundo o jornal, as duas aeronaves da FAB (Força Aérea Brasileira) que deixaram o país nesta sexta-feira 7 com os brasileiros, no entanto, transportarão também quatro poloneses e seus cônjuges. A decisão provocou mal-estar em ao menos dois países.

O ministério das Relações Exteriores disse que lamenta não estar em condições de atender aos pedidos de países latino-americanos e de Cabo Verde para incluir mais de 80 passageiros na Operação Regresso e que não havia lugar para acomodar essas pessoas.

A Base Aérea de Anápolis, em Goiás, está pronta para receber os brasileiros repatriados da China. Uma comitiva formada pelos ministros da Defesa, Fernando Azevedo, e da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, além do governador do estado, Ronaldo Caiado, e o prefeito da cidade, Roberto Naves, visitou, na tarde hoje (7), as instalações que vão receber os 34 brasileiros e familiares resgatados de Wuhan, na China, cidade que é o epicentro do surto mundial do coronavirus.

Os repatriados deverão permanecer em quarentena por 18 dias, no hotel de trânsito da Força Aérea, que foi especialmente preparado para essa operação.

“Na madrugada de sábado para domingo, em torno de meia-noite, 1 hora, eles estejam pousando em Anápolis. As providências foram todas tomadas – eu acho que nós presenciamos isso aqui hoje, vimos que o pessoal andou muito rápido e a impressão é ótima, altamente positiva”, afirmou o ministro Fernando Azevedo, ao destacar vistoria na base aérea.

No início da noite desta sexta-feira, as duas aeronaves decolaram de Wuhan, na China, com os 34 resgatados a bordo.

Haverá quatro escalas técnicas de reabastecimento: em Ürumqi, na China, Varsóvia, na Polônia, Las Palmas, na Espanha, e já no Brasil, em Fortaleza.

Em Varsóvia, devem desembarcar quatro cidadãos poloneses, um indiano e uma chinesa. Ontem (6), o presidente Jair Bolsonaro autorizou a carona para cidadãos de outros países amigos que a solicitassem.

Os cidadãos resgatados que vierem para o Brasil ficarão em apartamentos individuais ou, no caso dos que são pais ou mães de crianças menores, poderão ficar no mesmo quarto. O grupo inclui crianças de 2 e 3 anos e outros menores entre 7 e 12 anos.

As visitas estão proibidas.

Todo o perímetro da área reservada aos repatriados tem 900 metros quadrados. Eles terão atendimento médico e odontológico gratuito e vão receber seis refeições diárias.

O esquema será semelhante ao de um hotel, com serviço de quarto 24 horas e monitoramento permanente.

Também foi instalada brinquedoteca para o entretenimento das crianças que fazem parte do grupo. Até mesmo uma sala de cinema foi montada, e servirá ainda como auditório coletivo, na área externa do hotel.

O uso de internet também está liberado, por meio de um rede WiFi. Fora dos apartamentos, o uso de máscara de proteção  será obrigatório, para evitar contaminação.

O prefeito de Anápolis procurou tranquilizar a população da cidade afastando qualquer risco de contaminação. “A população anapolina pode ficar tranquila. Tudo que nós falamos naquela coletiva de imprensa, de que essas pessoas ficarão isoladas, ficarão em quarentena, as pessoas que tiverem contato também estarão em quarentena. Existe toda uma estrutura montada, preocupação no que diz respeito até com as roupas que essas pessoas trarão”, disse Roberto Naves.

Além dos 34 repatriados, 24 pessoas que participaram da operação, entre médicos, militares e equipe de comunicação, incluindo um cinegrafista da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), ficarão em quarentena.

Também foi anunciado, durante a visita, que o estado de Goiás terá o quarto laboratório do país com capacidade para fazer exames de detecção do coronavírus. A estruturação e os equipamentos já começaram a ser instalados no laboratório central de Goiás, segundo informou o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

“Foi determinado e iniciou-se hoje a estruturação. O quarto laboratório será o laboratório central aqui de Goiás, com equipamentos completos, que fica já como um primeiro legado, que é aumentar capacidade laboratorial para um nível de excelência do laboratório central aqui do estado de Goiás”, afirmou.

Com as adequações, o Laboratório Central de Goiás se somará ao nível de excelência da Fundação Osvaldo Cruz, no Rio de Janeiro, do Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, e do Instituto Evandro Chagas, no Pará.

BRASIL 247

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