Carlos Lima
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Carlos Lima | Publicado em 12/05/2017 às 12:24:06

Gigante do setor de alimentos, JBS teve empurrão do BNDES

Gigante do setor de alimentos, JBS teve empurrão do BNDES Operação Bullish trava novos negócios da JBS

Alvo da operação da Polícia Federal (PF) que investiga fraudes em financiamentos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a JBS é uma gigante do setor de alimentos e líder das exportações brasileiras de carne bovina, frango e suínos.

O grupo reúne marcas como Friboi, Seara, Swift, Big Frango e Doriana. Em seu site, se apresenta como a maior empresa de proteína no mundo, com 234 unidades e 230 mil funcionários. As fábricas da JBS exportam para mais de 150 países, como Estados Unidos, Alemanha e Japão.

Com ajuda do BNDES, a empresa cresceu e se internacionalizou numa época em que criar multinacionais de bandeira verde e amarelo fazia parte da estratégia do banco, política que ficou conhecida como a da escolha dos “campeões nacionais”.

A JBS foi a que recebeu o maior empurrão. A empresa foi fundada pela família Batista na década de 50 como Casa de Carne Mineira. Apesar do nome, o açougue nasceu na cidade goiana de Anápolis e pegou carona na construção de Brasília, época em que abastecia os refeitórios das grandes empreiteiras envolvidas nas obras da capital federal.

Nas décadas seguintes, a empresa iniciou um processo de aquisição de frigoríficos nacionais. Até que, em 2005, faz sua primeira aquisição internacional: a Swift Argentina. Dois anos depois, comprou a Swift americana, que elevou a empresa, já rebatizada de JBS, ao status de maior processador de carne bovina do mundo.

COLEÇÃO DE RECORDES

Foi com essa operação que o BNDES começou seu apoio via participação acionária à JBS. Segundo levantamento no site do banco, foram quase R$ 5 bilhões em injeção de capital via compra de ações ou debêntures (títulos da dívida da empresa) entre 2007 e 2010, que viabilizaram mais aquisições, entre elas a americana Pilgrim´s.

Desde sua consolidação internacional, o JBS viu seu faturamento anual saltar de R$ 4 bilhões (2007) para mais de R$ 160 bilhões em vendas anuais e passou a colecionar recordes. É a segunda maior empresa no setor de alimentos, atrás apenas da Nestlé. Nos EUA, concorre ombro a ombro com pesos pesados do ramo, como Tyson Foods e Cargill e é líder na produção de frangos.

Depois da Pilgrim’s, veio a aquisição da Seara, no Brasil, ampliando o tamanho da companhia neste segmento. A trilha de aquisições, porém, também teve seus sobressaltos. Em 2014, a JBS travou acirrada disputa com a Tyson pela compra da Hillshire, fabricante de embutidos e dona de marcas famosas no mercado americano como Sara Lee e as salsichas Jimmy Dean. No fim, a empresa foi comprada pela Tyson. Um mês depois do anúncio do negócio, porém, a JBS comprou o segmento de aves da Tyson no Brasil e no México.

GREENFIELD E CARNE FRACA

Os negócios da família Batista também se diversificaram. Reunidos na holding J&F, são donos de marcas como as havaianas, os produtos de limpeza Minuano e o Banco Original. Os irmãos Joesley e Wesley Batista, que ficam à frente das empresas do grupo, também passaram a ficar na mira da Polícia Federal. Ambos são investigados na operação Greenfield, que investiga negócios suspeitos com fundos de pensão.

Recentemente, a JBS também esteve envolvida no caso da Operação Carne Fraca, que investigou irregularidades em 21 frigoríficos brasileiros. A Polícia Federal identificou indícios de um esquema de pagamento de propinas a fiscais do Ministério da Agricultura para acobertar produtos irregulares.

Danielle Nogueira e Ana Paula Ribeiro

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