Carlos Lima
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Nacional
Carlos Lima | Publicado em 25/01/2020 às 12:34:42

Taurus e Bolsonaro juntos na Índia: parceria que proporciona grandes lucros a pelo menos um deles

Taurus e Bolsonaro juntos na Índia: parceria que proporciona grandes lucros a pelo menos um deles BOLSONARO E TAURUS

O site da BBC revela que, longe dos holofotes da mídia, acompanha Jair Bolsonaro em sua viagem à Índia o empresário Salésio Nuhs, que é presidente da Taurus, a maior fabricante de armas no Brasil.

Há executivos de outras empresas brasileiras do setor de armamentos que também estão com Bolsonaro na Índia. Paralelamente à agenda oficial, será realizado um seminário conjunto de indústrias bélicas dos dois países

Segundo a reportagem, o objetivo dos executivos brasileiros é ampliar exportações e conseguir licenças do governo do primeiro-ministro Narendra Modi para a produção de armas e equipamentos de segurança em território indiano.

Não é anormal que empresários acompanhem viagens de presidentes para tentar estabelecer negócios com países visitados.

Em janeiro 1996, por exemplo, quando Fernando Henrique Cardoso realizou a primeira visita de um presidente brasileiro à Índia, eu estava presente, como repórter da Veja, e vi vários empresários que acompanhavam a comitiva oficial brasileira.

O problema na presença de Salésio Nuhs é o que aconteceu antes da visita, mais precisamente durante a campanha de Bolsonaro a presidente.

O então pré-candidato apareceu em uma feira de armas e gravou um vídeo para apresentar um fuzil fabricado pela Taurus.

“Se eu chegar lá, você, cidadão de bem, no primeiro momento, vai ter isso em casa (segura uma pistola). E você, produtor rural, no que depender de mim, vai ter isso aqui também (ergue o fuzil)… cartão de visita pra invasor tem que ser cartucho 762”.

Quando doações eleitorais eram permitidas, a Taurus financiou pelo menos duas campanhas do ministro Onyx Lorenzoni, ministro da Casa Civil de Bolsonaro: na contabilidade oficial de sua campanha, aparece a doação de R$ 150 mil, o equivalente hoje a R$ 261 mil.

Sem contar o caixa 2, que acontecia e acontece nas campanhas eleitorais. Flagrado em uma doação clandestina da JBS, por exemplo, Onyx admitiu a prática e pediu desculpas.

A Taurus só teve ganhos desde que Bolsonaro assumiu. Os atos normativos que facilitaram a posse de armas, bem como as declarações dele em defesa do armamento da população, tornaram as ações da empresa uma das mais valorizadas no ano passado.

A presença de Salésio Nuhs ao lado de Bolsonaro na Índia deve contribuir para elevar um pouco mais o valor da empresa e, provavelmente, abrir algumas frentes de negócios no país.

Apesar de Eduardo Bolsonaro, que de vez em quando critica a empresa, Jair Bolsonaro tem sido um eficiente propagandista da Taurus.

Joaquim de Carvalho

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