Carlos Lima
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Nacional
Carlos Lima | Publicado em 06/04/2018 às 09:16:12

Tribunal do Santo Ofício condena Lula sem que se esgotasse os recursos disponíveis na justiça

Tribunal do Santo Ofício condena Lula sem que se esgotasse os recursos disponíveis na justiça

As seis bestas apocalípticas do Supremo Tribunal Eleitoral (STF), obedecendo interesses diversos e difusos cometeram estupros jurídicos contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que nesta quarta-feira (04/04), negou a principal chance de evitar a prisão antes das eleições.

O resultado foi de 6 a 5, a maioria dos ministros e a possibilidade de habeas corpus solicitado pelo petista que visava evitar que sua pena de 12 anos e um mês de detenção por corrupção passiva e lavagem de dinheiro começasse a ser cumprida sem que se esgotassem todos os recursos ainda disponíveis na Justiça brasileira.

O resultado desta nefasta decisão compromete o futuro do ex-presidente e líder nas pesquisas de opinião para a votação presidencial em 2018. Ficando, por ora, pendurado por um prazo do último recurso no Tribunal Regional Federal 4 (TRF-4), em Porto Alegre, previsto para acontecer nas próximas semanas.

Até o presente momento, Lula não se pronunciou e o PT lançou nota classificando esse 4 de abril de 2018 como “um dia trágico para a democracia brasileira”.

A ironia de toda esta pantomima jurídica ocorreu com o voto proferido por Rosa Weber, que selou o destino de Lula. Ela agora pode ser a única e incerta salvação para tirar o petista da cadeia em relativo pouco tempo. Como já era do conhecimento de todos, a decisão de Weber era uma incógnita até o início da sessão do Santo Ofício.

De um lado, sempre ficou claro que ela defendia como posição pessoal que a prisão de um réu não pode acontecer antes da condenação na última instância, ou seja pró-Lula. Por outro, ela vinha se submetendo ao entendimento do Plenário da Corte, estabelecido em 2016, que é favorável à prisão após a segunda instância, ou seja contra Lula.

A argumentação técnica que prevalece até o presente momento, é que, nem mesmo a agora provável prisão do ex-presidente impediria que ele siga se postulando à presidência. Respaldado pelas pesquisas, que mostram o petista em primeiro lugar em todos os cenários, o partido seguirá em silêncio, pelo menos oficialmente, sobre um possível plano B, caso a candidatura de seu maior líder seja legalmente impedida com base na Lei da Ficha Limpa.

O apelo para esse rumo não é desprezível: o último levantamento do instituto Datafolha, de janeiro, mostrava o petista com 36% das intenções de voto. Quanto a desistência de sua candidatura o partido reconhece que só o ex-presidente pode tomar e que se depender do PT, tudo fica como está.

Uma das possibilidades a ser adotada pelo ex-presidente, caso seja preso. Ele deverá se entregar, quando sair a determinação da prisão, evitando assim, uma operação da Polícia Federal para conduzi-lo à prisão.

A lição que nos resta desta história macabra, a exemplo de outras ocorridas no país, é que mais uma vez os segmentos de milhões de pessoas, menos favorecidas, desta infeliz nação são vilmente ludibriadas pelas patranhas e urdiduras de uma elite caquética, perversa e incompetente. Que comete, em nome de Deus, os atos mais atrozes para justificar e manter os vis privilégios.

Tal qual judas que, em troca de 30 moedas de prata traiu a confiança do filho de Deus. Nesta emblemática Semana Santa, os plutocratas optaram, mais uma vez, em trair toda uma nação.

Sérgio Jones, jornalista (sergiojones@live.com)

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