Carlos Lima
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Polícia
Carlos Lima | Publicado em 01/07/2019 às 09:20:31

Flordelis diz que marido assassinado tinha relação estremecida com filho

Flordelis diz que marido assassinado tinha relação estremecida com filho Foto: Tv Globo/ Reprodução

A deputada federal e cantora gospel Flordelis dos Santos Souza (PSD-RJ) afirmou que seu marido, o pastor Anderson do Carmo, assassinado há duas semanas, teve desentendimentos com Lucas dos Santos, 18, um dos filhos adotivos do casal, preso temporariamente pelo crime.

Flordelis falou em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, exibida na noite deste domingo (30).

Além de Lucas, Flávio dos Santos Rodrigues, 38, filho biológico, confessou participação no crime e também está preso. A defesa dele tenta anular o depoimento em que ele fez a confissão.

Ao ser perguntada se existia alguma briga entre os irmãos, Flordelis negou, mas disse que o pastor não aceitava que Lucas estivesse envolvido com “coisas erradas”.

“Nós éramos normais como qualquer outra família. A única coisa que o meu marido tinha era com o Lucas, mas era coisa de pai, que ele não aceitava o meu filho ter saído de casa e estar vivendo, fazendo algumas coisas erradas.”

O filho, que não morava na casa junto com os pais, já esteve em uma instituição socioeducativa antes de ser apontado pela polícia como o segundo suspeito da morte de Anderson. Ele foi preso após o assassinato, antes mesmo das suspeitas, já que era procurado por envolvimento com tráfico de drogas, por uma infração cometida quando ainda era adolescente.

“O Lucas era um menino muito, muito fechado, muito fechado, muito revoltado. Acredito que pela infância que ele teve. O pai dele era bandido, ele foi criado por esse pai, a mãe morreu de câncer”, afirmou a deputada.

Imagens das câmeras de segurança mostraram que Lucas chegou na casa da família e saiu pouco antes do crime. O casal possui 51 filhos adotados. Na noite do assassinato, 35 filhos do casal estavam na casa e mais de 20 já prestaram depoimento à polícia.

Flávio, ao contrário, se dava muito bem o pai, segundo Flordelis. “O Flávio era um menino, o Flávio estava casado, houve uma briga com a esposa, um desentendimento, voltou para casa, me obedecia, me respeitava (…) Esse tempo todo, eles [Flávio e o pastor Anderson] estavam muito bem”, disse.

Ao ser perguntada se acredita na inocência dos dois filhos, a deputada espondeu: “Não, não acredito em nada.”

Flordelis também contou na entrevista que teve uma noite romântica com o marido antes de ele ser assassinado a tiros ao chegar em casa, em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro, na madrugada do dia 16.

“Saímos para namorar, curtimos bastante, passamos uma noite assim, muito boa, incrível”, afirmou a deputada.

Ela disse que ao chegar em casa, o marido fez sinal para que o portão da garagem fosse aberto e o casal entrou com o carro. Já dentro do imóvel, ela diz que desceu do carro e subiu as escadas da casa, deixando o marido para atrás. “Ele não saiu junto comigo, eu saí primeiro do carro. Ele ficou e eu entrei, subi as escadas, cheguei no meu quarto”, afirmou.

“Estava silêncio. Eu ouvi os tiros, me assustei. Foram pá pá pá pá, pá pá”, disse ela. Questionada sobre por que o pastor ficou mais tempo do que ela no carro, Flordelis afirmou ter pensado que ele pegaria uma mochila.

As investigações da Polícia Civil apontam que o corpo de Anderson possui mais de 30 perfurações por bala. “Ouvi quatro tiros seguidos e mais dois”, disse Flordelis. Indagada sobre por que só ouviu seis disparos, ela afirmou: “Meus filhos que estavam acordados falaram também a mesma quantidade de tiros ouvido, ouviram seis tiros”.

Ela também repetiu que não sabe do paradeiro do telefone celular do pastor -o aparelho sumiu depois do crime e a polícia ainda não conseguiu localizá-lo. Testemunhas chegaram a apontar que o telefone teria sido entregue para a deputada na confusão das primeiras pessoas que chegaram ao local do crime. “Não me entregaram, e se me entregaram, eu não lembro”, disse ela na entrevista.

Flordelis já havia concedido uma entrevista, desta vez coletiva, sobre o caso antes. Na ocasião, ela afirmou que não sabia a causa da morte do marido ou quem era o autor do crime. Hoje, tal como na coletiva, ela afirmou que espera justiça, mesmo se o assassino for um de seus filhos, e disse não acreditar “em nada” ao ser questionada se confia na inocência dos filhos.

Perguntada se confiava em todos os que moram no local, a parlamentar respondeu: “[Em] Todas as pessoas que estavam morando comigo naquele momento, sim”.

A polícia afirma que todos que estavam na casa naquela noite são investigados pelo crime, mas a deputada não é formalmente considerada suspeita.

FolhaPress SNG

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