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Polícia
Carlos Lima | Publicado em 01/02/2018 às 15:39:51

Polícia Federal cumpre 100 mandados contra fraudes no Postalis

Polícia Federal cumpre 100 mandados contra fraudes no Postalis Imagem de arquivo

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (1º/2) uma megaoperação contra a suposta atuação de organização criminosa especializada no desvio de recursos previdenciários do Fundo Postalis, o Instituto de Seguridade Social dos Correios e Telégrafos. O esforço concentrado, batizado de Operação Pausare, vai durar 48 horas, com atuação no Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro e Alagoas.

Segundo a PF, são 62 equipes policiais que, nas próximas horas, cumprirão mais de 100 mandados judiciais. As medidas foram autorizadas pela 10ª Vara Federal em Brasília. Apurou-se que entre os alvos está o lobista Milton Lyra. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), ele estaria envolvido em operações financeiras milionárias feitas pelo Postalis com a compra de papéis de empresas de fachada.

Em acordo de colaboração premiada, o senador cassado Delcídio Amaral declarou que Milton Lyra era o operador de diversos políticos do MDB (antigo PMDB), ligado ao senador Renan Calheiros.

Os policiais também cumprem mandado de busca e apreensão na casa do ex-presidente do Postalis Alexej Predtechensky. Russo, como é conhecido, geriu o fundo de pensão entre 2006 e 2012. Seu nome está ligado ao ex-ministro de Minas e Energia e atual senador Edison Lobão (MDB-MA).

Outros investigados na operação são os ex-diretores do fundo Mônica Caldeira, Ricardo Azevedo e Adilson Florêncio Costa. Ele chegou a ser preso em 2016, na Operação Recomeço, que já investigava desvio de recursos no Postalis. Florêncio é personagem de uma história que marcou os brasilienses. Em 1977, ele foi salvo pelo sargento Sílvio Hollenbach de um ataque de ariranhas no zoológico de Brasília. O militar não resistiu aos ferimentos e morreu.

A Operação Pausare é resultado de um conjunto de auditorias de órgãos de controle encaminhados pelo Ministério Público Federal, que identificaram má gestão, irregularidades e impropriedades na aplicação dos recursos do Postalis. O fundo acumula déficit de R$ 6 bilhões. Para enfrentar o desequilíbrio nas contas, aposentados e funcionários da ECT, além do Tesouro Nacional, tiveram de aumentar a contribuição para a previdência.

A Polícia Federal informou que entre os alvos das medidas judiciais, há pessoas físicas, em especial empresários em suposta articulação com gestores do fundo de pensão, bem como dirigentes de instituição financeira internacional.

O rol de investigados inclui, ainda, pessoas jurídicas, como empresas com títulos em bolsas de valores e instituições de avaliação de risco. Entre as empresas investigadas, estão a Canabrava, Bioenergia Bom Jesus, Aluban e o BNY Mellon. Esta última, inclusive, é alvo de um pedido de ressarcimento de R$ 8,2 bilhões ao Postalis, feito pelo Ministério Público Federal.

Por meio de nota, a BNY Mellon informou que a esteve no escritório em decorrência de uma investigação em curso. ‘Estamos cooperando integralmente com as autoridades” diz o texto.

O nome da operação faz referência ao infinitivo presente do verbo latino pauso — pausāre –, palavra empregada com o sentido de aposentadoria.

O esquema
Segundo os investigadores, as irregularidades verificadas na administração da carteira do Postalis seguiam o mesmo padrão. Primeiramente, o investimento era recomendado por algum membro da diretoria do fundo de pensão, tendo por base um processo decisório superficial e cujo início não era devidamente documentado.

Foram escolhidos como objeto de investimento negócios duvidosos, que nunca saíram do papel. Como os riscos eram altos e desproporcionais às expectativas de lucro, seria necessário realizar a cooptação de agências de avaliação de risco que concordassem em avalizar os investimentos, dando, assim, uma aparência de legalidade aos papéis a serem comprados pelo fundo de pensão.

Os investigadores trabalham com a hipótese de que a organização criminosa é formada por quatro núcleos: o empresarial; o dirigente do fundo de pensão; o de empresas avaliadoras; e o de gestores, administradores e agentes fiduciários dos fundos de investimento.

O outro lado
Em nota, a defesa de Milton Lyra afirmou que “ele não é e nunca foi intermediário de qualquer repasse a congressistas. Tampouco teve qualquer tipo de negócio com o fundo Postalis”.

Destacou, ainda, que o empresário “é o principal interessado na conclusão das investigações, para o que colabora integralmente no esclarecimento das falsas acusações das quais tem sido vítima”.

Os demais envolvidos ainda não se manifestaram.

Metrópolis

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